Eu Amo meus Inimigos
Eu disse que estou caindo.
e não é uma queda rápida
é lenta, contínua…
dessas que parecem não ter fundo.
eu estou em uma fase
que não suporta mais nada.
cada dor chega como se fosse única,
infinita, profunda, árdua…
como se eu não fosse atravessar.
e mesmo fazendo parte de um todo,
cada uma delas, sozinha,
já é um abismo.
neste momento
eu estou exausta.
cansada. triste. melancólica.
eu calo… e calo…
e ainda assim choro.
grito por dentro.
e não consigo desligar.
a vida me chama pra continuar,
me pede presença, responsabilidade, cuidado…
mas por dentro
tudo em mim só queria parar.
eu preciso ser forte para os outros,
mesmo quando ninguém é por mim.
então eu guardo a minha dor no bolso
e sigo… como dá.
tem tanta coisa que eu queria dizer,
retrucar, gritar, responder…
mas eu me calo.
e perdoo, em silêncio,
a insensatez de quem não sabe o que diz.
porque não sabem o que eu sinto.
não sabem como eu sinto.
e talvez seja melhor que não saibam.
porque desejar que saibam
seria desejar que sentissem o mesmo.
e eu não desejo isso a ninguém.
então não…
eu não espero que me entendam.
mas eu estou cansada.
cansada de uma dor
que não parece ter fim.
e quando tudo em mim acredita
que isso nunca vai passar…
o pensamento que vem
não é sobre viver
é sobre querer que isso acabe.
O Universo que Me Habita
Há quem passe pela vida colecionando encontros. Eu prefiro colecionar profundidades.
Nunca soube amar pela metade, conversar pela metade ou sentir pela metade. Talvez por isso o mundo, tantas vezes, pareça apressado demais para quem aprendeu que as coisas mais importantes não nascem da velocidade, mas da permanência.
Carrego valores que o tempo insiste em chamar de antigos. Eu os chamo de eternos.
Ainda acredito na palavra que vale mais que uma assinatura. Na presença que não precisa disputar espaço com distrações. No respeito que permanece mesmo quando ninguém está olhando. Na delicadeza que nunca perdeu a força. Na obediência a Deus, não por medo, mas porque descobri que Sua vontade sempre enxerga mais longe do que os meus desejos.
Sou romântica, mas não apenas no amor entre duas pessoas. Sou romântica diante da vida.
Vejo beleza no café servido com calma, nas cartas escritas à mão, no silêncio compartilhado, nas orações que ninguém ouviu, nos gestos que jamais serão fotografados e, justamente por isso, pertencem ao que há de mais verdadeiro.
Aprendi que caráter é aquilo que continua existindo quando desaparecem os aplausos. Que integridade é permanecer a mesma pessoa, ainda que ninguém reconheça o esforço. E que existem princípios que não foram feitos para serem negociados, porque, quando os vendemos, perdemos partes de nós.
Às vezes sinto que faço parte do universo. Outras vezes, tenho a impressão de que um universo inteiro vive dentro de mim.
Um oceano silencioso, profundo e quase inexplorado.
Nele existem perguntas que ainda não encontrei coragem para fazer. Sonhos que Deus conhece antes mesmo de eu lhes dar um nome. Memórias, esperanças e uma fé que insiste em florescer até nas estações mais secas da alma.
Não tenho pressa de chegar à superfície.
Algumas riquezas só existem nas grandes profundidades.
E talvez seja esse o meu jeito de existir: mergulhando.
Porque quem vive apenas na superfície conhece as ondas.
Mas quem aprende a descer encontra o silêncio, a verdade e Deus.
E é lá, onde poucos se aventuram, que a minha alma se sente em casa.
Deus, hoje eu só preciso que o Senhor me enxergue.
Não vim fazer uma oração bonita. Não vim repetir palavras que já não conseguem traduzir o que existe dentro de mim. Hoje eu só vim porque já não consigo carregar sozinha o peso que tenho sentido.
O Senhor conhece cada renúncia que fiz. Conhece cada desejo que calei, cada lágrima que escondi, cada vez que escolhi obedecer mesmo quando tudo em mim queria desistir. Eu tentei ser fiel. Tentei acreditar que toda espera teria um propósito e que nenhuma entrega feita ao Senhor seria em vão.
Mas existe um lado da espera sobre o qual quase ninguém fala.
Ninguém fala da angústia de um corpo que também sente. Da mulher que também deseja ser acolhida, amada, escolhida, desejada e cuidada. Ninguém fala da solidão que visita o quarto quando a noite chega, nem da batalha silenciosa entre a carne e o espírito. Como se viver um propósito anulasse aquilo que também fomos criados para sentir.
E eu sinto, Deus.
Sinto falta de um abraço que permaneça. De um olhar que me encontre. De alguém que faça o meu coração descansar sem que eu precise lutar tanto para acreditar que vale a pena continuar esperando.
Há dias em que me pergunto se não estou apenas assistindo à vida passar pela janela. Enquanto tantos vivem, constroem histórias e encontram companhia, eu permaneço aqui, presa entre crenças, renúncias e promessas que ainda não consigo tocar. Às vezes, tudo parece distante demais. Até a esperança.
Perdoa-me por dizer isso, mas hoje a espera pesa.
Pesa porque eu também sou carne. Sou mulher. Tenho emoções, tenho desejos, tenho medos. E, por mais que o meu espírito queira Te honrar, há dias em que meu corpo se cansa de esperar por respostas que nunca chegam.
Então eu Te pergunto, com toda a sinceridade que ainda me resta: o que o Senhor quer de mim que eu ainda não consegui compreender? Onde estou falhando? O que ainda preciso aprender? Porque eu tenho tentado. Tenho obedecido dentro das minhas limitações. Tenho permanecido quando tudo em mim queria correr para qualquer lugar onde a dor parecesse menor.
Se for para continuar esperando, faz com que essa espera se torne leve. Se ainda não chegou o tempo da resposta, sustenta-me até ela. Mas, por favor, não permita que eu me perca de mim enquanto caminho em direção à Tua vontade.
Olha para mim, Deus.
Não para a mulher que tenta parecer forte diante dos outros, mas para a filha que hoje se sente cansada, confusa e profundamente aflita. Acolhe aquilo que nem eu consigo nomear. Abraça o que em mim está ferido. E, se eu estiver caminhando na direção certa, dá-me apenas a graça de continuar.
Porque hoje eu não preciso de explicações.
Hoje eu só preciso sentir que o Senhor continua aqui.
Resolvi falar sobre a tristeza, pois eu sei que ela existe. E como é mais forte a tristeza, depois de termos conhecido a alegria, torna-se então, a tristeza ainda mais triste.
With you, eu descobri que a verdadeira coragem não é a ausência do medo, mas sim a certeza de que existe uma mão segurando a minha para enfrentarmos qualquer coisa juntos. Você me deu a segurança de ser exatamente quem eu sou, me abraçando com todas as minhas falhas e virtudes.
_Enzo Ruchell_
napoli.
Eu ainda não conheço Napoli.
E talvez seja justamente por isso que Napoli tenha conseguido existir tanto dentro de mim.
Antes de conhecer uma cidade, a gente inventa uma versão dela. Junta fotos, histórias, músicas, filmes, partidas de futebol, prédios antigos, ruas que nunca atravessou e um mar que só conhece pela tela. Vai montando, aos poucos, um lugar que talvez nem exista exatamente daquele jeito.
Mas existe Napoli.
Pelo menos a Napoli que eu imagino.
Napoli, para mim, começa antes do avião pousar.
Começa naquele instante em que eu imagino sair de algum lugar e simplesmente caminhar sem saber direito para onde estou indo. Napoli sendo o nome das placas, o idioma nas conversas, as roupas penduradas entre os prédios, o barulho das pessoas atravessando uma rua estreita enquanto alguma janela permanece aberta.
Eu imagino Napoli assim.
Imperfeita.
Viva.
Um pouco suja, um pouco caótica, um pouco triste.
Bonita justamente porque não parece estar preocupada em ser.
Napoli não é uma foto que eu quero visitar.
É uma sensação que eu quero descobrir se existe.
Eu penso em Napoli e penso no Vesúvio.
Não pelo vulcão em si, mas pela ideia de uma cidade inteira vivendo diante de alguma coisa que poderia destruí-la e, ainda assim, acordando todos os dias para continuar.
Isso me fascina.
Talvez porque eu goste de lugares que carregam uma ameaça sem precisar falar sobre ela.
Napoli parece ter alguma coisa disso.
Uma cidade que sabe que o chão pode tremer, que o passado pode voltar em forma de cinzas, que o mar pode guardar histórias demais, mas que ainda assim existe café pela manhã, futebol à tarde e gente voltando para casa à noite.
É assim que eu imagino Napoli.
Não como um paraíso.
Como um lugar humano.
Eu imagino o futebol em Napoli quase como uma religião antiga. Imagino o nome de Maradona ainda atravessando paredes, camisas, conversas, crianças que talvez nem tenham nascido quando ele jogava, mas cresceram ouvindo que houve um homem que fez uma cidade acreditar em alguma coisa.
E talvez seja isso que eu procuro quando penso em Napoli.
Não uma cidade perfeita.
Uma cidade que acredita.
Napoli acredita no futebol.
Napoli acredita no mar.
Napoli acredita na própria história.
Napoli acredita até nas próprias contradições.
E talvez eu queira acreditar também.
Às vezes penso em como seria estar em Napoli sem ter nada para fazer.
Sem roteiro.
Sem obrigação.
Sem aquela pressa de transformar cada lugar em foto.
Só estar.
Sentar em algum lugar e observar uma cidade que eu passei tanto tempo imaginando finalmente existir na minha frente.
Talvez eu olhasse para o Vesúvio.
Talvez para o mar.
Talvez para uma rua qualquer.
E provavelmente pensaria:
"Então era isso que eu estava tentando imaginar."
Mas existe uma coisa ainda mais bonita em não conhecer Napoli.
Eu ainda posso sonhar.
Ainda posso colocar em Napoli tudo aquilo que procuro no mundo.
A possibilidade de recomeçar.
A sensação de estar longe o suficiente para ouvir meus próprios pensamentos.
A liberdade de ser desconhecido.
A melancolia de perceber que uma vida pode caber em outro lugar.
Eu não sei se Napoli é assim.
Talvez não seja.
Talvez eu chegue lá e descubra que algumas das coisas que inventei nunca existiram.
Talvez o café seja apenas café.
Talvez as ruas sejam mais barulhentas do que bonitas.
Talvez o Vesúvio não pareça tão imenso.
Talvez Napoli não tenha nada da Napoli que eu criei.
E tudo bem.
Porque existe uma beleza estranha em desejar um lugar antes de conhecê-lo.
Você começa a construir uma casa dentro de uma cidade onde ainda não colocou os pés.
Napoli é essa casa, por enquanto.
Uma casa imaginada.
Um nome repetido.
Napoli.
Napoli.
Napoli.
Como se repetir fosse uma maneira de aproximar.
E talvez um dia eu chegue…
Talvez eu desça do avião, respire aquele ar pela primeira vez e perceba que a cidade real é completamente diferente da cidade que construí na cabeça.
Mas talvez, no meio de alguma rua qualquer, com o Vesúvio aparecendo ao longe e o mar existindo onde eu só conhecia por fotos imaginárias, eu entenda uma coisa
Alguns lugares a gente visita pela primeira vez duas vezes.
A primeira é quando chega.
A segunda é quando percebe que passou anos sonhando com aquele momento.
E quando esse dia chegar, eu não vou querer que Napoli seja exatamente como imaginei.
Vou querer apenas olhar para ela e pensar:
Napoli.
Então era você.
A cidade que eu conheci antes de chegar.
Foco e paciência independe dos detalhes,
eu escolho poder navegar na vida de uma maneira mais fluida.
🍃
Eu resolvo, às vezes com um "tudo bem" e um nó na garganta.
Outras, despejando palavras ao vento.
E, quando já não há mais o que dizer, eu simplesmente resolvo com um adeus silencioso.
Mas sempre, de alguma forma, eu resolvo!
Fazer tempestade
em um copo d’água?!
Não é para mim.
Quando é hora de ser furacão,
eu me torno um Tsunami
servido numa simples xícara de café...
Tempestade em copo d’água?
Dispenso essas fraquezas domésticas.
Quando o mundo exige minha fúria,
não borbulho, transbordo.
Viro um Tsunami aceso,
espremido numa xícara de café
que mal contém o terremoto
que me atravessa...
Tempestade em copo d’água
nunca coube em mim.
Quando o destino pede vento forte,
me ergo inteira,
e o que deveria ser só furacão...
vira Tsunami silencioso,
agitanto a superfície mansa
de uma xícara de café
que me acolhe e detêm
como pode...
Não sei fazer tempestade,
com chuvas, raios,
relâmpagos, trovões,
trovoadas, ventos e etc...
uma única Onda
é o que sou capaz de fazer.
Afinal,
aprendi a ser Tsunami
com as tempestades.
✍©️@MiriamDaCosta
Nos teus braços
eu fui um esturrar
mas parte de mim
foi um querer fugir
e desflaldar...
Desculpe... mas a minha sina ,
sempre foi querer
seguir o Mar.
✍©️@MiriamDaCosta
Eu nunca perdi
esse vício indomável, quase insano,
de acreditar na poesia do viver
no mundo que insiste em ser árido.
Sou um tsunami de sentimentos e emoções,
uma força que não se contém,
um transbordamento constante
de tudo o que sinto e penso
e parece não caber em mim.
Sigo
encravada nos versos da vida
como raiz que rasga a pedra do âmago,
como onda que inunda a praia d'alma,
como quem foi escolhida pela palavra
nua e crua, não para sobreviver,
mas para permanecer viva
e vibrar vida vestida de versos.
✍©️@MiriamDaCosta
Oh, Itaipu!
eu me desfolho em cada alvorada
no sal do ar, nas pegadas deixadas
na areia que me conhece por dentro,
e sabe do silêncio que carrego no centro.
Tuas águas são espelhos do que fui
e do que ainda serei...
quando me recolho às margens da tarde
e o céu se tinge de tons que só tu sabes dar.
Oh, Itaipu!
tu és poema que me atravessa em ondas
e em cada revoada de gaivotas que ronda
eu me reencontro inteira,
feito concha que escuta a si mesma.
✍©️ @MiriamDaCosta
Oi.
Oi.
Silêncio entre os dois.
Quando eu te vejo, me transformo numa TV.
Com o mute ligado,
Mas também é tudo que eu sei dizer.
Então não culpo você.
Se eu estou bem,
Claro, e você?
Mesmo eu tendo escondido isso para que você não percebesse.
Novidades?
Não tenho
Acabei de lembrar que nunca contei uma para você.
Meu bone relaxa, vou parar de usar.
Já está bastante desbotado com o tempo.
A música está alta, não está dando para te escutar.
Mas é também pela distância que eu estou mantendo de você; daqui é mais seguro.
Mas você me lembra alguém que conheci.
Que espirrava 7 vezes e parava.
Sim, eu contei os espirros dela e montei um padrão.
Se eu vou ficar bem depois que eu partir?
Sim, bom, pelo menos eu espero que sim.
Pelo menos eu nunca tive certeza do que esperar em todas as vezes que coloquei a mochila nas costas.
Terra a vista...
Eu, o barco e o adeus,
O mar calmo, muitos pássaros me acompanhando e a noite se aproximando,
As cicatrizes existem, a distância assusta e o silêncio é rei,
Em busca da paz desaparecer tornou-se inegociável,
A história revela fatos, as promessas revelam pessoas, bem como as atitudes apresentam os novos sonhos,
Amanheceu, no infinito um potinho é avistado lembrando uma miragem, o barco se aproxima mais um pouco, um grito cheio de euforia é dado,
_ Terra a vista!
