Eu Amo meus Inimigos
Abraço Desarrumado
Aperto a luz da manhã
e encurto as mangas ao silêncio.
Onde estão os meus cadernos
de puída pedra calcária?
Perdi-os num coração estrangulado.
Caminho em compassos arados
aonde vai desmesuradamente
o abraço desarrumado que ficou
nas articulações de um novo dia.
Os meus melhores poemas
são os que escrevo
quando as nossas bocas
melodicamente se unem
e as nossas línguas dançam.
Tens que parar de fazer caminhadas
nos meus pensamentos.
Lembra-te: o meu cérebro
não é uma passadeira de Fitness.
Quando tu olhas para mim
os meus olhos falam contigo
em todas as línguas.
E nesse galáctico momento
sou todo os verbos do Amor.
Quando os teus olhos
colidem com os meus olhos
o meu coração fica
com pele de galinha
e o meu estômago
borboleta-se tempestivamente.
Sinto-te
Sinto-te nos meus poros,
nas minhas insónias,
nos meus poemas,
nos gritos dos meus silêncios,
nas minhas húmidas palavras,
nos meus lábios, nas minhas veias,
nos meus dedos quando escrevo .
Sinto-te no amor que respiro.
Amarrotados Silêncios
O teu rosto invade
os meus pensamentos
os teus olhos são mar
a sorrir para o meu luar
as tuas mãos são líquidas
ensopam os meus
amarrotados silêncios
e eu serenamente derramo
as minhas primaveras
nos jardins do teu coração.
Tu fazes dançar o meu coração,
coordenas os meus pensamentos,
invades os meus poemas,
despes-te nos meu sonhos,
amanheces os meu dias,
e nem te apercebes.
Fascina-me esse Sol que fica quando tu passas. Fascina-me essa Lua que se enche dentro dos meus olhos quando anoiteces comigo.
O Preâmbulo da Chuva
Os meus olhos derramam o preâmbulo da chuva.
As lágrimas que escorrem pelo meu rosto são as chuvas trémulas, são memórias líquidas, naufragadas na alma. Chove em mim um dilúvio de dias, que se desfazem nos galhos das solarengas saudades. As agonizantes horas trazem à tona os cardumes dos verbos, onde se erguem as angústias dos meus caminhos. Os meus olhos choram a chuva arremessada por um oceano de palavras. Chorar a amar é despenhar-se em lágrimas.
O corpo torna-se altar
As tuas mãos nos meus cabelos
descem como quem traça um trilho de luz,um gesto que não pertence ao instante mas à linhagem secreta
de todos os que aprenderam a tocar
como quem consagra.
Há em ti uma calma quase hipnótica,
a serenidade de quem conhece
o peso sagrado do silêncio
antes de uma prescrição
cósmica começar.
E quando a minha boca
inclina-se para a tua pele,
não é entrega,é oferenda.
O corpo torna-se altar,
e o mundo, por um momento,
ajoelha-se connosco.
Para o despertar dos sentidos e o relaxamento do espírito, não há nada como visionar os meus PowerPoint’s. São recreativos e divertidos, com eles ganhamos energias, descansamos a jornada e retemperamos forças para calcorrear o caminho da nossa vida.
Não houve bolo nos meus vinte anos, nesse dia optei por estar na rua a assistir ao desenvolvimento da revolução dos cravos (o que fascina um jovem na mudança de comportamentos e liberdade). Foi a minha melhor prenda que recebi nesse dia.
Após 43 anos volvidos de altos e baixos, com mudanças de esquerda e direita, valeu a pena e é maravilhosa esta data, pelo que ergo o meu punho e grito “VIVA O 25 DE ABRIL”!
