Eu Amo meus Inimigos
Arremessei os sapatos nos fios,apenas queria que meus pés sentissem as pedras do caminho,e nunca mais voltasse alí.
O Preâmbulo da Chuva
Os meus olhos derramam o preâmbulo da chuva.
As lágrimas que escorrem pelo meu rosto são as chuvas trémulas, são memórias líquidas, naufragadas na alma. Chove em mim um dilúvio de dias, que se desfazem nos galhos das solarengas saudades. As agonizantes horas trazem à tona os cardumes dos verbos, onde se erguem as angústias dos meus caminhos. Os meus olhos choram a chuva arremessada por um oceano de palavras. Chorar a amar é despenhar-se em lágrimas.
O corpo torna-se altar
As tuas mãos nos meus cabelos
descem como quem traça um trilho de luz,um gesto que não pertence ao instante mas à linhagem secreta
de todos os que aprenderam a tocar
como quem consagra.
Há em ti uma calma quase hipnótica,
a serenidade de quem conhece
o peso sagrado do silêncio
antes de uma prescrição
cósmica começar.
E quando a minha boca
inclina-se para a tua pele,
não é entrega,é oferenda.
O corpo torna-se altar,
e o mundo, por um momento,
ajoelha-se connosco.
Escondi-me na minha mente e observei secretamente os meus pensamentos, e confirmei que todos tinham o teu sorriso.
Sigo o rasto das minhas lágrimas até ao meu choro interno, reparo que quem chora não são os meus olhos mas, sim a felicidade.
Os meus olhos voariam todos os céus, navegariam todos os mares, e caminhariam todos os caminhos só para beijarem os teus.
