Eu Amo meus Inimigos
INDECISÃO...
(Autoria: Otávio Bernardes)
Eu queria dizer pra você
que não a amo mais.
Eu queria dizer
que, às vezes, o mundo da gente se transforma...
Ando brigado comigo mesmo!
Não sei o que fizeram
com o amor que eu tinha...
Só sei que devo esquecer!
Eu preciso dar um jeito
nesse meu modo de ser,
nessa minha vida!
Talvez... a felicidade é coisa rara!
Ela existe e não me procura...
Ontem, ela estava comigo:
tudo bem!...
Hoje... nem sei o que aconteceu...
seu amor morreu...
A vida é ilusão: você planta... planta...
e colhe decepções!
Você luta... luta...
e entrega os pontos!
Eu só queria dizer que não a amo mais!
Eu só queria esquecê-la
e tentar voltar ao passado!
Tentar recuperar o perdido...
............
O amor renasce...
O amor revigora...
O amor explica...
O amor salva!
Contudo... a realidade é nua e crua:
eu só queria esquecer você...!
Afinal, o amor existe...
e tenho que lutar por ele!
"...Eu preciso de você... como a Terra necessita do Sol para sobreviver!"
Otávio ABernardes
Goiânia, 9 de maio de 2026.
Minha mãe sempre dizia que eu seria um grande homem! Hoje sei que ela acertou: tenho mais de um metro e oitenta.
Há um preço para o Espírito vencer o Eu (Ego Inferior, a persona, a máscara egóica). É um preço terrível, o sujeito será odiado e incompreendido pelo resto da Eternidade. Sente-se a solidão mais terrível do Universo, mesmo quando se está acompanhado.Ninguém compreenderá uma pessoa cujo Espírito libertou-se e tornou até o corpo espiritualizado. Não pensem que o Espírito Liberado é mansinho, isso de mansuetude é com a alma e a alma não é o Espírito. O Espírito é forte, quer destruir. Violência e força, o lema do Espírito... Mas não é uma violência gratuita, não é uma força idiota. Os idiotas não o compreendem, são rasos demais para compreender a profundeza pelágica do Espírito.O Espírito é um Super-Homem. O Espírito é um raio, um raio humano fulminante, é o raio fulminante da sabedoria. Raio da minha sabedoria fulmina-os!
Eu sou a história que você não quer mais contar...
Sabendo que é sobre nós dois
E o que aconteceu depois..
O nosso fim.
Quero um dia ter o privilégio de encontrar alguém como eu.. Alguém que sonha, alguém que conquista, alguém que quer ir além..
E naquela imensidão azul, eu vi um pontinho brilhante, que exerceu suave magnetismo me atraindo para lá..
Eu poderia lhe prometer acordar ao seu lado todos os dias, mas visto as necessidades financeiras e familiares, talvez não pudesse cumprir. Desejo então que a minha presença seja sentida por você, onde quer que esteja.
Eu queria ser quem você queria ter. E se você quisesse ter alguém que quisesse ser o que você quer, adiantaria?
Eu vejo a luz e a escuridão em que são de segundos, eu não sei explicar como me sinto, eu sinto frio e calor ao mesmo tempo e às vezes não sinto nada.
Quando não sei pintar, eu escrevo; quando não sei escrever, eu pinto. E quando nenhuma dessas linguagens me basta, eu esculpo. Se não há nada para escrever, pintar ou esculpir, uso meu corpo como instrumento, expressando meu ativismo através da linguagem. Essa é a essência da minha arte: uma busca constante por comunicar o que palavras e formas não podem captar plenamente. É a tradução das profundezas do meu ser em atos criativos, sempre explorando as possibilidades infinitas da expressão.
Bosch e eu: entre a crítica e a ferida colonial
De todos os artistas europeus, há apenas um que ainda me atravessa: Hieronymus Bosch. Ele me coloniza — não pela forma, não pela técnica, mas pela crítica feroz que carrega. Bosch é o único colonizador que ainda habita meus delírios, talvez porque a acidez do seu olhar sobre o mundo medieval encontre eco no que eu também preciso denunciar.
Ele pintava o colapso moral da Europa — os vícios, o poder podre, a queda da alma. Eu pinto outro colapso: o da terra invadida, dos corpos silenciados, da memória arrancada pela violência da incursão portuguesa.
Se Bosch mostrava o inferno como consequência do pecado, eu mostro que o inferno chegou com as caravelas. Não há punição futura — o castigo já está aqui: na monocultura do eucalipto, na esterilização do solo, na morte do camponês brasileiro , no apagamento dos povos indígenas.
Há em nós uma fúria semelhante, mas nossos mundos são outros. Ele critica o homem que se perde da alma. Eu denuncio o sistema que rouba a alma dos povos. Bosch pinta o desejo que conduz à danação. Eu pinto a resistência que surge depois do desastre.
E, mesmo assim, ele me coloniza. Como assombro. Como espelho invertido. Às vezes penso que sua crítica me provocou antes mesmo de eu saber meu nome. Ele habita uma parte do meu gesto. Um inimigo íntimo. Uma fagulha que queima, e que às vezes me ajuda a incendiar o que precisa cair.
