Eu ainda tenho Tempo pra Sonhar
Somos feitos de instantes frágeis e ansiosos, que ainda assim escolhe acreditar que somos capazes de constância, confiança e espera.
— Jess.
Quem realmente te conhece percebe quando você não está bem, ainda que você diga o contrário.
— Jess.
A Ponte
Incrivelmente o céu descortinou-se e azul apresentou-se. Este tom ainda era desconhecido. Um azul intenso, forte, transparente que incomoda os olhos acostumados a viver na escuridão. Algumas almas nobres são atingidas pela luz intensa e azulada e percebem na luz uma ponte que se forma. Ponte que leva a novos caminhos, novas estradas, outras nuvens, outras tempestades...
Sou feita de travessias.
A menina de dezessete
ainda corre em mim
com folhas da Floresta da Tijuca
presas nos cabelos
e o gosto ácido de sonhos
na boca.
Mas hoje caminho mais devagar.
Carrego filhos nos braços,
culpas no peito,
e um espelho que às vezes
não me reconhece.
Entre o pão da pressa
e a fome que não é de comida,
procuro aquela que eu era —
não para voltar atrás,
mas para me reencontrar inteira.
Sou mãe,
sou mulher,
sou chama baixa que insiste.
Ainda quero o mundo.
Só estou aprendendo
a caber nele
sem deixar de caber em mim.
"Medita em como vês. À ovelha, a lã é casaco; a ti, o é e ainda mais; ao comprador, te é produto; no calor, é despojo. Dada a estação, mudam-se as flores."
Se tua história teve momentos tristes, não há como mudá-los, mas ainda assim, você pode escrever o seu final.
Sou ainda autora e criadora de projetos educativos, livros e materiais que aproximam ciência, cidadania e proteção social , porque educar é plantar futuro.
A falta que sentimos do que ainda não vivemos…
Em muitos momentos da vida, acreditamos estar sentindo falta de alguém.
Mas, se formos honestos e silenciosos o suficiente para observar, perceberemos que não é exatamente da pessoa que sentimos falta.
Sentimos falta da história que começamos a escrever com ela.
Não é ausência.
É interrupção.
A mente humana tem uma capacidade extraordinária de projetar futuros. Antes mesmo que algo exista de fato, o cérebro já ensaiou diálogos, construiu rotinas, imaginou casas, viagens, pertencimento. Criou uma narrativa inteira — sem que nada disso tenha acontecido no mundo real.
A neurociência chama isso de simulação prospectiva.
O cérebro antecipa experiências para se preparar para elas.
Mas, emocionalmente, ele não diferencia tão bem o que foi vivido do que foi apenas imaginado com intensidade.
Por isso, quando algo não se concretiza, não sofremos apenas pela perda de alguém.
Sofremos pela perda de um caminho inteiro que já havia sido aceito internamente como destino.
É o luto do que não aconteceu.
E esse luto é silencioso, porque não há memórias suficientes para justificar a dor.
Há apenas expectativas que não encontraram lugar na realidade.
Mas existe uma segunda camada, ainda mais sutil.
Quando aquilo que imaginamos não se realiza — principalmente quando depende do outro — o cérebro muda de estado. Ele sai do campo do vínculo e entra no campo da conquista.
O que antes era afeto passa a ser desafio.
Isso acontece porque o sistema de recompensa do cérebro, regulado principalmente pela dopamina, não responde apenas ao prazer de ter algo. Ele responde, sobretudo, à possibilidade de obter algo que ainda não foi alcançado.
A ciência chama isso de erro de previsão de recompensa.
Nós nos tornamos mais motivados quando:
• quase conseguimos,
• quando há incerteza,
• quando não está garantido.
O desejo cresce na ausência.
Não porque aquilo seja mais valioso, mas porque ainda não foi resolvido.
Assim, o que parecia amor, às vezes era ativação.
Não era a pessoa que nos prendia.
Era o estado interno de busca.
Quando conquistamos, o cérebro reduz esse impulso — porque aquilo já não exige esforço, já não representa novidade, já não carrega tensão.
E então confundimos estabilidade com perda de interesse.
Na verdade, são sistemas diferentes operando:
O da conquista busca intensidade.
O do vínculo busca continuidade.
Um produz excitação.
O outro produz construção.
Se não soubermos distinguir, passamos a vida tentando reviver o primeiro, incapazes de permanecer no segundo.
Por isso, muitas vezes, queremos mais aquilo que não temos do que aquilo que já está presente.
Não porque seja melhor.
Mas porque o cérebro foi desenhado para perseguir, não para repousar.
E é aqui que mora o equívoco.
Relacionamentos não são metas a serem atingidas.
São realidades a serem habitadas.
Metas terminam quando são alcançadas.
Vínculos começam exatamente aí.
Quando entendemos isso, algo muda.
Percebemos que não estamos tentando esquecer alguém.
Estamos apenas ensinando o cérebro a encerrar uma simulação que continuava rodando sozinha.
Não precisamos lutar contra o sentimento.
Precisamos retirar a energia da projeção.
O que não aconteceu não precisa ser resolvido.
Precisa apenas deixar de ser continuado dentro de nós.
E, pouco a pouco, o desejo deixa de ser urgência.
A ausência deixa de ser falta.
E a mente, que antes insistia em terminar uma história imaginada, aprende a voltar para aquilo que está vivo — agora, concreto, imperfeito, mas real.
Porque maturidade emocional talvez seja exatamente isso:
Parar de confundir intensidade com verdade.
E escolher, conscientemente, aquilo que cresce com o tempo — não aquilo que apenas nos acende por um instante.
Observe uma folha presa ao galho.
Ela ainda está ali,
mas já não é mais parte do agora.
O vento passa, toca, insiste.
Não a empurra com violência,
apenas lembra que o tempo segue.
A folha não resiste por medo,
nem cai por fraqueza.
Ela apenas escuta o instante certo.
Há momentos em que permanecer
é apenas atraso disfarçado de fidelidade.
E há quedas que não são perdas,
são conclusão.
A folha não decide quando o vento vem,
assim como nós não decidimos tudo o que nos atravessa.
Mas decide não lutar contra aquilo
que já cumpriu seu sentido.
Cair, às vezes,
é o gesto mais lúcido de quem compreendeu.
Nem tudo que se solta é abandono.
Algumas partidas são apenas maturidade.
" O conteúdo dela, é demais,
o que vem de dentro é ainda mais bonito,
ela é o amor, a paz, o encontro,
nela vejo o melhor momento,
a esperança, a fé,
nela todos os dias,
tenho a definição exata do que é o amor...
" Não sei o porquê
ainda amo você
apesar de todos os dias
lutar para te esquecer
e no embalo da vida
o coração pede
tua presença a toda hora
em meu corpo, que sem ter o que fazer
espera e chora
não acreditei que existisse, um amor assim
hoje sei que existe
porque tenho certeza, ele está cravado em mim...
