Eu ainda tenho Tempo pra Sonhar
Até quando vamos seguir tropeçando nessa caminhada feita de silêncios e meias palavras?
Ainda gosto de você — e, mais do que isso, tenho medo de esquecer o quanto gosto.
Já passou da hora de sair do estacionamento da indecisão. Você permanece no acostamento, imóvel, mesmo estando tão perto de mim.
O manto que te envolve logo deixará à mostra o quanto já percorremos — ou o quanto deixamos de ir.
Confesso: cansei de ser sempre o primeiro passo.
Afinal, quem se curva demais, uma hora acaba beijando o chão...
O seu perdão foi um gesto belo — parabéns pela nobreza da sua atitude.
Mesmo que o corpo ainda carregue a alma em aflição, você escolheu perdoar, enxergando o melhor em mim, ainda que minha essência não se igualasse à sua.
Se a dor do passado ainda te consome,
não serás digno de viver o amanhã
amordaçado, acorrentado ao caos em decomposição,
afundado no pântano da vergonha.
Quando a vida te fizer cair, não chores o tombo — agradece aos céus por ainda ter pés firmes para recomeçar o caminho..
Onde você estava, mulher, vem me oferecendo um amor irregular
quando meu coração ainda pulsava alegria,
quando havia sol nas manhãs e sede de futuro?
Agora vem me ofertar um amor
enfurecido e envelhecido —
aquele que outros já rejeitaram,
como se eu fosse abrigo para restos de paixão?
Não sou museu, nem curva esquecida no fim da estrada;
não sou vitrine de memórias quebradas,
nem depósito de sentimentos em ruínas.
Não me trate como ferro-velho de afetos.
Não faça isso, baby.
Não há espaço em mim
para abrigar o que foi descartado,
o que chega tarde,
carregado de ferrugem e arrependimento.
Acredite:
nem mesmo em túmulo vazio
há lugar para um amor
que não soube chegar quando era tempo,
que não soube florescer quando havia primavera.
O que vem agora,
vem como sombra,
como eco de um grito que já não me alcança.
Mesmo com a distância e a tua ausência,
teu nome ainda ecoa dentro de mim.
Fico imaginando você aqui, perto,
sentindo o teu cheiro que invade minha lembrança,
o gosto do teu beijo que nunca esqueceu meu lábio.
Queria poder te tocar todos os dias,
desenhar teu rosto com a ponta dos meus dedos,
olhar nos teus olhos e revelar, sem medo,
o quanto você é amada na minha vida,
o quanto tua presença, mesmo longe,
ainda acende luz nos meus caminhos.
E assim sigo, vivendo da esperança,
guardando teu amor no peito
como quem guarda um sol que nunca se apaga.
Há uma alegria silenciosa em não ter nada, e ainda assim sentir como se tivesse tudo. É como se o vazio fosse preenchido por uma abundância invisível, onde a ausência se transforma em presença e a falta se revela como
Quando nada nos pertence, descobrimos que tudo nos envolve, a paz, o instante, o sopro da vida.
-A vantagem de não possuir é perceber que o essencial já nos habita, mesmo sem forma ou objeto.
Na ausência de tudo, há um espaço aberto onde o universo é tudo.
O evangelho é uma caminhada que começa pela base. Se um cristão ainda não aprendeu a exercitar o amor ao próximo, certamente não está pronto para liderar.
Ainda não inventaram um jeito certo
de sorrir nos momentos de tristeza
Também não é fácil espantar a vontade
de estar perto, quando a gente gosta
Mas que a vida as insiste em pôr distante
Um dia a gente entende que o melhor
É tentar e tentar e tentar ...
tentar até aprender ...a deixar ir
Pois aquele que quiser permanecer
Ainda que distante , tem saudade no peito
E dá um jeito de mandar aviso
a pedir pra não ser esquecida
Pois não existe um jeito
de viver a vida sem sorrir tristeza
Mas viver de tristeza é arremedo de vida
Pois felicidade é coisa sempre dividida
Ser triste em segredo a gente não precisa
Apenas viver é preciso.
Edson Ricardo Paiva.
Vou onde o vento me leva, mesmo que o passado ainda tente me segurar. No cheiro do mar, encontro um conforto estranho, parte angústia, parte vontade de recomeçar.
A hora do despertar
É natural ao ser humano relutar diante da experiência do luto, ainda que saiba, em sua consciência mais íntima, que tudo aqui é passageiro e nada é permanente. Há, porém, uma audácia silenciosa: a crença de que jamais irá partir, mesmo sabendo que cada um chega ao mundo com os dias contados.
A vida, sendo viagem de experiências (maduras ou infantis), passa sempre.
Ao desembarcar na estação da existência, o homem deixa para trás entes que sofrem com sua partida e, antes mesmo de chegar, muitos já anseiam pelo seu retorno à casa primeira.
Ao despertar do sono letárgico do período gestacional, o homem chora ao nascer: choro de socorro diante do novo. Contou cada fase para essa oportunidade, mas, ainda assim, sofre o medo de enfrentar o desconhecido: outra vida, outro tempo, outra história.
Assim como o nascimento, a morte pode ser dolorosa, sobretudo para aquele que se acostumou ao corpo material que lhe foi emprestado. Esqueceu-se das responsabilidades assumidas outrora, por livre escolha, ciente do livre-arbítrio de que desfrutaria nesta passagem.
Muitas vezes, o homem se permite a ilusão de ser seu próprio deus, entregando-se às coisas efêmeras e acreditando que detém o controle, sobretudo do seu próprio corpo e mente, jogando- se integralmente às trivialidades materiais. Porém, na hora do retorno à estação primeira, perde-se em descontentamento, arrependendo-se de ter lançado fatias da própria existência ao vento. E, como criança, o velho chora ao perceber que a única coisa que já não possui é tempo para recomeçar, reconstruir, reviver ou corrigir a rota.
Para que a vida não lhe soe como um fardo pesado, é necessário reconhecer, antes de tudo, seu próprio eu e as atribuições assumidas em tempos pretéritos. Pois todo aquele que escolhe retornar à vida jamais estará isento de, um dia, experimentar a morte.
Mari Machado
A escolha é tua — e só tua — quando teu caminho ainda te representa.
Aprende, então, a nunca arrancar do outro o direito de decidir,
pois toda história, cedo ou tarde, retorna ao seu texto original,
e cada um será lembrado pelas escolhas que ousou ou negou permitir.
Amor avassalador
O Teu amor me atingiu
Como num suspiro,
Ainda sem acreditar
Que tamanho amor é esse.
Quem ousaria não acreditar?
Amor tal que não sei explicar.
Amor que inundou todas as partes do meu ser.
Amor impossível de descrever.
Como podes ser assim?
Mesmo sem eu merecer,
Tu vieste sem me dizer
E me encontraste,
Estasiando o meu viver.
Quem conheceu esse amor
Sabe que Ele veio preencher
Aquilo que faltava para completar,
Aquilo que o sentido não fazia calar:
O vazio em meu ser.
É o amor que não tem validade,
Onde a única saudade
É a vontade de viver para sempre,
Na eternidade,
Com esse grande amor.
Amor sem vaidade,
Amor com verdade,
Amor sem validade
Para todo sempre,
Eu hei de Te ter.
Minha alma anseia pelo meu Amado,
Mais do que o tempo rápido passa,
Mais do que os afazeres,
Mais do que fingir o que não é,
Mais do que tudo e qualquer coisa.
A qualquer custo,
Vem e preenche o meu ser.
Uma ausência pode ser mais presente que muita gente.
Não sai da cabeça, ainda enche o coração e invadiu a alma inteira.
Um silêncio barulhento.
Uma espera totalmente neurótica, absurda e eterna.
Você se foi, eu esperei...eu esperei.
E quando a saudade tem nome?
O coração ainda bate descompassado como na primeira vez.
O pensamento não vai embora e faz lembrar o cheiro, o gosto, a voz...
O calor que embalava nossos corpos, a melhor sensação da minha vida era ter você, estar em você, com você. Arrepiava.
Agora é só lembrança e vontade.
Vontade de voltar no tempo e viver tudo denovo. Tudo.
Ou esquecer.
Não chores por quem partiu e ainda vive. A vida se renova: ciclos terminam tão naturalmente quanto começam. Há paz em compreender que a melhor companhia é a própria solitude tudo o que vier depois disso será apenas complemento, amizade ou aprendizado.
"Um dos leves sinais de que o coração ainda guarda impurezas é a tendência de verbalizar palavrões."
-Anderson Silva
O presente pode apenas significar que uma longa história passada ainda não passou e que o futuro estará plenamente comprometido como uma velha carruagem envelhecida onde persistem os mesmos fantasmas.
