Eu ainda tenho Tempo pra Sonhar
Ainda há pouco, assistia ao jornal da GloboNews. A pauta era a taxação dos Estados Unidos sobre produtos do Brasil. O convidado iniciou falando sobre importações e commodities — e, de fato, para que um país cresça economicamente de forma sólida, é preciso investir em tecnologia e deixar de exportar apenas matéria-prima, passando a desenvolver produtos com valor agregado.
No entanto, boa parte dos empresários do agronegócio brasileiro acredita que, se mudarem de ramo ou investirem em inovação, irão à falência. Vivem do que chamo de “bolsa rico” — investimentos estatais — para que continuem plantando e vendendo produtos in natura, evitando, inclusive, o pagamento de impostos devidos. Enquanto isso, as nações desenvolvidas nos vendem os mesmos produtos já industrializados, a preços duas ou três vezes maiores. Isso é bom? Sim, para quem nos vende. O governo brasileiro, por outro lado, perde receita com essa artimanha sustentada por interesses de grandes empresários do agro.
Infelizmente, o Poder Executivo e o Legislativo seguem sucateando a educação, e apenas uma parcela privilegiada da população tem acesso à universidade — que deveria ser uma extensão natural da educação básica, formando novos cientistas, desenvolvendo tecnologia de ponta e fortalecendo a indústria nacional.
Retomando a fala do convidado do programa: ele sugeriu que o presidente Lula deveria entrar em contato com Donald Trump para negociar a taxação. Um verdadeiro viralatismo. Espera-se que o Brasil se curve aos interesses dos Estados Unidos? Isso, para mim, é demonstrar fraqueza da soberania nacional — é como dizer que não somos capazes de criar novas relações comerciais e manter uma posição autônoma no cenário internacional.
A velocidade da inteligência artifical torna superficial e efêmero esse mundo digital e torna ainda mais valioso o que é cultivado no tempo e na vida.
Quando você serve a mais de um senhor, deve vestir a sua própria roupa, ainda que simples. Se optar pela pompa, sua obra perderá a autenticidade, e o momento de êxito será apenas efemero."
CARTA DE SOCORRO
A quem ainda pode me ouvir,
Aos que ainda sentem a terra sob os pés,
Aos que ainda se lembram que sem natureza não há futuro:
Socorro!
Eu sou a Caatinga.
Sou o único bioma exclusivamente brasileiro.
Nasci do calor, cresci na escassez, floresci na resistência.
Durante séculos, abriguei povos inteiros, curei feridas com minhas raízes, alimentei famílias com meus frutos, e dancei com o vento seco sob o sol ardente.
Mas hoje, estou morrendo.
Tenho sido queimada, arrancada, esquecida.
Espécies que guardava como tesouros — como o pau-ferro, a baraúna, o umbuzeiro, o mororó, o juazeiro e o mandacaru estão sendo levadas embora, uma a uma.
Meus filhos verdes, meus espinhos de proteção, meus galhos retorcidos de luta, estão sendo transformados em cinzas, carvão e silêncio.
Me chamaram de pobre, de seca, de lugar sem vida.
Mas nunca perguntaram o quanto dei de mim para que a vida sobrevivesse aqui.
Nunca olharam com carinho para o que fui capaz de sustentar, mesmo com tão pouco.
Eu sangro em silêncio, mas agora grito: me recatinguem!
Me curem.
Me deixem respirar de novo.
Não quero virar lembrança em livros didáticos.
Não quero ser só nome em relatório de extinção.
Quero ver de novo as folhas do umbu se abrindo depois da chuva.
Quero ouvir o barulho das ararinhas-azuis que quase não existem mais.
Quero acolher de novo o vaqueiro, o sertanejo, o viajante.
Peço socorro aos cientistas, aos agricultores conscientes, às escolas, aos jovens, aos povos originários e tradicionais. Peço socorro a quem ainda me reconhece como vida.
Plantem o que sou.
Ensinem quem fui.
Preservem o que restou.
E devolvam-me o que me tiraram: o direito de continuar existindo.
Eu sou a Caatinga.
E eu ainda resisto — se vocês resistirem comigo.
Com dor e esperança,
Caatinga a voz esquecida do sertão.
MÃE, AINDA TE ESCUTO
(Eliza Yaman)
Mãe, ainda escuto teu passo no chão,
No som da panela, no cheiro do lar.
Teu nome ressoa na minha canção,
E tudo que sou, aprendi ao te olhar.
Teu colo me falta, mas nunca se foi,
É ninho guardado no peito que arde.
Teu gesto me guia, teu riso me dói,
Mas é nessa dor que a ternura me invade.
Na prece que faço, teu rosto me vem,
No vento que passa, te sinto soprar.
És brisa que toca, és flor que contém
O tempo que insiste em me consolar.
E mesmo que a vida te leve de mim,
Te guardo onde o mundo não pode alcançar.
Mãe, és meu começo, meu meio, meu fim,
Saudade que canta, sem nunca calar.
Não é como ou o quanto você reza, é como você acolhe o próximo, isso, sim, agrada, mais ainda, a Deus.
A própria mãe colocou a minissaia na filha para conseguir likes
E ainda passou-lhe batom 💄
Depois reclamou do assédio
E pelos likes
Não ganhou nenhum tostão!
Exposta, a criança fica famosa
Como fugir, ainda que por um instante, do teu olhar, se é ele que me ensina a acreditar no amanhã, viver o presente e seguir em frente sempre?
É fácil debochar da estrela antes dela acender, quando ainda parece só um ponto apagado no céu.
Mas cada noite ela queima em silêncio, reunindo força no escuro, até que explode em luz.
E quando isso acontece, os mesmos que zombaram precisam aprender a olhar para cima.
Gosto de dormir até tarde, sou preguiçoso — mas ainda assim, ninguém me supera.
Tudo que você faz, eu também posso fazer.
E se for com dedicação, Fasso mil vezes melhor.
Estude o seu inimigo, porque assim ele não terá outro além de você.
No fim, todos saberão quem ele é:
o reflexo do que nunca conseguiu ser.
Ao longo da vida, descobri que sou uma pessoa independente, mas que ainda assim preciso de alguém ao meu lado.
Som da liberdade
O som ainda pode ser dos navios de sangue,
As páginas ainda podem guardar tristezas,
A sociedade ainda respira desigualdade,
E nem todos entenderam as mazelas da alma.
Mas existem, em cada rosto negro,
Um passado que não viveram,
Mas que trazem como marcas para o futuro.
Não, o som é da vingança e das divisões?
Não; é a mais nova das antigas
Formas de gritar às nações:
O som agora é de liberdade!
Livro: Negros 2025
AGENTE DO CAOS — Página Um
Você é filhadaputamente ignorante:
não se compreende e ainda julga o outro.
Feito de porcelana, acha-se rei da lama;
sua melhor amiga é a arrogância.
Quer ser respeitado e não se respeita.
Cala-se diante da própria fraqueza,
curva-se à sua ignorância
e morre beijando os pés do diabo.
Tiraste a liberdade da tua mãe
para dar lugar ao desprezo — desgraçado.
A incapacidade de ser homem te tornou frágil.
Não sabes colorir e queres ensinar a pintar.
Sofra agora — colha a dor que semeaste.
Em minha mente, ainda estou deitado naquela grama, ao seu lado, admirando o céu noturno enquanto rimos, brincamos e nos abraçamos.
Em minha mente, nunca deveríamos ter saído de lá.
Em minha mente, ainda estou lá.
"Não se entristeça por não agradar a todos — nem mesmo Jesus foi aceito por todos, e ainda assim cumpriu o propósito perfeito do Pai."
