Estava um Pouquinho Ocupado Desculpe me
Auge da irrelevância
Sou muito pouco, mas mais que nada
Um quilômetro da inacabável estrada
Um torneio somente do Grand Slam
Sou um ator, porém não possuo fã
Limitado, já tentei melhorar de fase
Chegar rapidamente na última base
Adivinhar ao menos quatro dezenas
Me regojizar com frivolidades terrenas
A gota que cai tem uma parte de mim
E tendo a começar pensando no fim
Pois a ansiedade sim é abundante
Ainda conservo algo de triunfante
O meu fio de cabelo foi recusado
Quando brinquei que era adotado
Ao me sentir só por não ter irmãos
Vendo que os de domingo são vãos
Estou no auge da minha irrelevância
E aparenta ser de miséria a ganância
Só que estou habilitado para respirar
Marchando altivo pro show continuar.
Geralmente os indivíduos mais interessantes se encontram longe dos holofotes. Não por acaso um dos sinônimos de popular é comum.
Garoto invisível
Charlie é um tanto esquisito
Não possui qualquer amigo
Jamais beijou alguma boca
E seguramente quer abrigo
Charlie foi parar no hospital
Após ter umas alucinações
Com a já falecida tia Helen
Que influíam nas emoções
Charlie tira sempre nota A
E começou o ensino médio
Conseguiu ele se enturmar
Saindo um pouco do tédio
Charlie experimentou amor
Quando foi por Sam olhado
Nunca havia sentido aquilo
E ficou por ela maravilhado
Charlie se imagina infinito
Ouvindo música na picape
Agora é capaz de participar
Sem recorrer a um escape.
Área restrita
Todos deveriam ter o seu lugar
Um refúgio para as horas ruins
Um cenário aos largos sorrisos
Mais cômodo que os botequins
Pode ser em Paris, Nova Iorque
Banco do parque ou alto da laje
Contanto que o cantinho exista
E dê para ir com qualquer traje
Talvez seja um recanto interior
A quem não encontra paz fora
Discreto, mas ingrediente vital
Ao misantropo em sua aurora
Navegar com local a regressar
Se perder para então conhecer
Intuir antes de o desejo surgir
Na comunhão com essa região.
O destaque solitário carrega sempre um perigo maior, afinal toda a inveja alheia é canalizada para o mesmo alvo.
A nação brasileira vota em corruptos, mas não elegeria um presidente ateu declarado. Acreditar em Deus tem peso maior do que ser honesto?
Profundamente comum
Levanto, porém não dormi
Meus pesadelos cochilam
Tomo um cafezinho preto
Imagens me sensibilizam
Ando só no ônibus lotado
Canto no silêncio tão alto
Inúmeras caras e roupas
À espera do próximo ato
Chego ao edifício, entro
Estou preso no elevador
Mais uma porta fechada
Ou a chance de ser ator
Cada um tem sua rotina
Ganhos, perdas normais
Seria o paraíso a Terra?
Céu eu creio que jamais
Ando, corro, paro e volto
Entretenimento vale tudo
Esqueço, então, de mim
Contemplando o absurdo
Até que ponto se é feliz?
Há quem vibre na sexta
Sorrio e choro neste dia
Sou homem, logo besta.
Quem possui grandeza a conserva em um episódio de humilhação, assim como o mesquinho continua pequeno em um instante de glória.
Um país está miseravelmente doente quando os seus habitantes, aos milhares, festejam a morte de uma figura pública local.
Presente em anônimo
Vou entregar um presente em anônimo
Pois não imagino ganhar nada em troca
Sou movido pela mais pura admiração
Não tem importância se fizerem fofoca
Mundo estranho este que inventamos
Acabar relação por um chat é normal
Demonstrar carinho está em extinção
Vivemos sedentos por sentimento real
Que os urubus me chamem de maluco
E as invejosas desmereçam o ocorrido
Gente meia-boca tem em todos cantos
Corro para compensar o tempo perdido
Se a garota por acaso lembrar de mim
Assim que abrir o pacote tão misterioso
Já que outro cara não teria tal iniciativa
Ninguém poderá apagar o ato glorioso.
Contagioso
Eis que um vírus destroça tudo
Acumulando corpos sem pena
Paralisando a economia global
Forçando a gente à quarentena
De onde veio tamanha tragédia?
Será possível a nossa salvação?
Dúvidas se perpetuam na crise
Certeza mesmo só a desolação
Sem medicamentos ou vacinas
Estamos no aguardo do destino
Fatalmente pequenos e frágeis
Diante de um ataque repentino
Isolados entre as quatro paredes
Parece uma cela, entretanto é lar
Procuramos um fio de segurança
Não há conforto na sala de estar
Cuidado! O medo é contagioso!
A pandemia é mais que sanitária
Ninguém sairá ileso do desastre
Que aciona urgência planetária.
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