Esquina
Sou o poeta no divã da vida
Pernoitando no labirinto do sonho
Sem rua, sem travessa e sem esquina.
Onde não há mapa definido;
Só há papel e tinta.
Em cada esquina há uma vida com graça, outras às traças, alegrias e desgraças, várias batalhas e muitas trapaças...
Ainda há quem diga: “Mas se você dá dinheiro o sujeito vai beber na primeira
esquina!” Pois que beba! Tão logo o embolsou, o dinheiro é dele. Vocês querem
educar o pobre “para a cidadania” e começam por lhe negar o direito de gastar o
próprio dinheiro como bem entenda? Querem educá-lo sem primeiro respeitá-lo
como um cidadão livre que, atormentado pela miséria, tem o direito de encher a
cara tanto quanto o faria, um banqueiro falido? Querem educa-lo
impingindo-lhe a mentira humilhante de que sua pobreza é uma espécie de
menoridade, de inferioridade biológica que o incapacita para administrar os três
ou quatro reais que lhe deram de esmola? Não! Se querem educá-lo, comecem
pelo mais óbvio: sejam educados. Digam “senhor”, “senhora”, perguntem onde
mora, se o dinheiro que lhes deram basta para chegar lá, se precisa de um
sanduíche, de um remédio, de uma amizade. Façam isso todos os dias e, em três
meses, verão esse homem, essa mulher, erguer-se da condição miserável,
endireitar a espinha, lutar por um emprego, vencer.
E desde o momento em que você cruzou aquela esquina,
No exato instante em que meus olhos te encontraram naquela multidão,
Eu soube que já te conhecia
Sem nem mesmo saber o teu nome
E eu só aceitei que você me marcaria para sempre...
Há tanta coisa bonita, tanta coisa gostosa
Há tanto para aprender em cada esquina
Há vida quando a gente resolve viver!
Recado
ouve-me
que o dia te seja limpo e
a cada esquina de luz possas recolher
alimento suficiente para a tua morte
vai até onde ninguém te possa falar
ou reconhecer - vai por esse campo
de crateras extintas - vai por essa porta
de água tão vasta quanto a noite
deixa a árvore das cassiopeias cobrir-te
e as loucas aveias que o ácido enferrujou
erguerem-se na vertigem do voo - deixa
que o outono traga os pássaros e as abelhas
para pernoitarem na doçura
do teu breve coração - ouve-me
que o dia te seja limpo
e para lá da pele constrói o arco de sal
a morada eterna - o mar por onde fugirá
o etéreo visitante desta noite
não esqueças o navio carregado de lumes
de desejos em poeira - não esqueças o ouro
o marfim - os sessenta comprimidos letais
ao pequeno-almoço
Cantei;
cantei em cada esquina,
de cada rua,
de cada bairro,
de cada cidade,
de cada estado,
de cada país,
de cada continente.
encantei-me com os sorrisos,
com os cheiros,
com os gostos,
com as culturas,
com as letras,
com as vestes,
com as pessoas.
deixei em cada lugar
um pedacinho de mim.
tudo que restou
que gritou-me
que implorou-me
para ficar, deixei.
e, assim, me desfiz
em refrões,
largados por todo esse mundo,
jogados num vagão,
de uma plataforma qualquer
e os levando para bem longe de mim.
"Por essa estrada a cada esquina,
ganho um mundo novo nos olhos
e perco
um pouco de mim"
PauloRockCesar
Minha felicidade está de camper,Em alguma esquina ou escombro,Atirando picos de felicidade,Sem eu ver onde é a fonte,Felicidade me enxerga,Mas não está atirando,Como um Sniper...Ideias clichês ou verdades do pastê,Curdo é o povo ,Eu curto seu polvo,Lança tinta, mancha minha retina de água transparente,Esquecendo do parente ,perante a ideias berrantes.
Caminhada
Na esquina da vida eu busco,
O silenciar da ilusão,
A existência esvaindo,
E o destino se cumprindo
No caminhar neste chão.
