Espaço
Seguir caminhos diferentes não quer dizer que esquecemos, apenas viramos a página para dar espaço ao novo e para guardarmos o que o coração não esquece..
O lar é mais do que um espaço físico; é um estado de pertencimento, um canto onde o mundo cessa e o silêncio respira. Pode estar na parede descascada de uma casa, na mesa velha que guarda histórias de risos e brigas, ou no calor que transborda de um olhar. O lar, de fato, são as pessoas — aquelas que acolhem nosso desalinho e com quem compartilhamos o peso da existência.
Mas e quando essas pessoas se vão? O lar desaba. Ficamos vagando dentro de paredes intactas, mas despedaçados por dentro. É uma ausência que grita, um vazio que ecoa na mobília, nas fotos, nos sons que não existem mais. Perdemos não só quem amamos, mas também quem somos, porque um pedaço nosso sempre mora nelas. A ausência faz de tudo uma recordação: a cadeira é o lugar onde ela sentava, o cheiro do café é o rastro de quem partiu.
E assim, o lar, que um dia era abrigo, torna-se um labirinto. Afinal, o que é um lar sem as mãos que o sustentam?
O vazio entre as estrelas reflete o espaço que deixamos para os sonhos que nunca ousamos perseguir.
(LilloDahlan)
Comece esse ano fazendo uma limpeza em sua memória RAM, no seu Hardware (alma) e se dê um espaço livre para si mesmo para se dedicar a coisas mais importantes e produtivas. Passe um antivírus em tudo que ficou impregnado e que não presta mais e, se precisar, reformate tudo novamente, mas não fique fazendo a todo o momento o "restart" ou o "reboot" em sua vida, afinal, ela não é lixo eletrônico, que fica o tempo todo armazenando programas "malware", ou é?
MÃE...
Aprecio a paisagem translúcida no espaço
Ouço o bater de sinos na capela distante
Vento varre a cabeleira dos verdes matos
No céu, vejo cortejo d’espíritos viajantes.
Balanços das folhas, vultos acenam pra mim
Dogmas infundados entre a vida e a morte
Sopram ao meu ouvido, que isso não tem fim
Círculo vicioso e simbiótico lançado a sorte.
Prolixa e moribunda divago sem entender
Na oculta inflorescência a busca do amor
Lágrimas gotejantes, doridas de um sofrer.
Na lápide, vejo um poço árido que secou
Nas flores silvestres, o toque de teu ser
Saudade mórbida foi apenas o que restou.
Chegastes de mansinho, ocupando teu espaço.
Fizestes tua morada, em meu peito teu ninho.
Docemente te aconchego e em teu sorriso me desfaço!
E então, estou aqui, entre o espaço e a verdade, cortada tão bruscamente do meu eu mais profundo, de um tempo no espaço que insistiu em me trazer do fundo para a realidade crua e nua que eu deveria viver. Aqui, o meu eu sonhador que adormeceu entre o tempo e o espaço desse meu eu de hoje, que insiste simplesmente em ser feliz.
"Devemos soltar
Aquilo que não agrega valor
Pra dar espaço para o novo
Que vem pra somar
e crescer
Junto".
Estou distante de mim agora
Nesse espaço que me subtrai
Sinto que parte de mim se vai
e outra teima em ficar
É um quase choro e um quase sofrer
Nos dias nublados de lembranças
Imersa num imenso vazio
Fico misturada às promessas feitas em vão
na tentativa de esquecer
e de não sentir o que sinto
É tão profundo, tão absoluto, tão sempre o mesmo
que agora começo a desistir
Fiquei perdida no tempo e nas lembranças
Nada disso passou, nada mudou
Sou eu e o meu amor ainda e sempre aqui
Criamos um mundo onde não existe espaço para o que a gente sente e eu fico pensando sobre o que fazer com isso que teima em não deixar de existir.
Um pedestal é tão aprisionador quanto qualquer espaço pequeno e confinado.
