Erasmo de Rotterdam Elogio da Loucura

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Muito pouco se padece na vida, em comparação do que se goza; aliás, não sendo assim, como se viveria?

O roubo de milhões enobrece os ladrões.

A falsa ciência não aumenta o nosso saber, agrava a nossa ignorância.

Os homens enganam-se miseravelmente quando esperam encontrar a sua felicidade, mais na forma dos seus governos que na reforma dos seus costumes.

O fraco ofendido atraiçoa, o forte e magnânimo perdoa.

Os escolares preocupam-se em segredo com o mesmo que preocupa as raparigas nos internatos; faça-se o que se fizer, elas falarão sempre do amor, aqueles das mulheres.

Censuram-se severamente defeitos à virtude, ao passo que se não poupa indulgência para as qualidades do vício.

Os anarquistas são como os jogadores infelizes ou inábeis, que, baralhando muito as cartas, ou mudando de baralhos, esperam melhorar de fortuna e condição.

Ambicionando o louvor e admiração dos outros homens, provocamos frequentes vezes a sua inveja e aversão.

O cristianismo derrubou imperadores, mas salvou povos.

Aflige-nos a glória alheia contrastada com a nossa insignificância.

A avareza é um nó corredio que aperta cada dia mais o coração e acaba por sufocar a razão.

Acontece muitas vezes que somos estimados na proporção em que nos estimamos a nós mesmos.

Os grandes pensamentos vêm do coração.

O que se aprende na juventude dura a vida inteira.

O homem é Deus pelo pensamento.

Nas revoluções dos povos a insignificância é a maior garantia de segurança pessoal.

É mais fácil perdoar os danos do nosso interesse que os agravos do nosso amor-próprio.

A mais útil e honrosa ciência e ocupação da mulher é a ciência dos cuidados domésticos.

Na verdade, o cuidado e a despesa dos nossos pais visam apenas enriquecer as nossas cabeças com ciência; quanto ao juízo e à virtude, as novidades são poucas.