Erasmo de Rotterdam Elogio a Loucura
Honra é poder tomar uma porção deleitável de atrevimento com um pouco de doçura, uma taça de um bom vinho encorpado, bela de curvas sedutoras, cuja presença torna a noite propícia para se sonhar acordado, dando mais sabor à realidade através da sua essencialidade liberta, de uma loucura saudável, de muita intensidade, uma emoção sincera, primazia que deixa olhares extasiados como as flores diante da primavera, uma companhia memorável, sob a luz das estrelas que adentram o seu quarto.
Impetuosa, belo sorriso de muito atrevimento, suas emoções são fervorosas, sempre sedenta pelo forte deleite de certos momentos, daqueles que deixam marcas, que fazem arrepiar a sua pele, quando o seu corpo chega a brilhar de tanto suor, que geram no seu coração um desejo ardente, notória é a sua grande sensibilidade, uma essencialidade transparente, arte entusiasmante, curvas envolventes, companhia impactante, universo veemente de muita ternura, sem dúvida, uma mulher empolgante, taça emocionante de uma deleitosa loucura.
Quero ser revestido por tua intensidade
na extremidade dos teus sentimentos
numa dualidade entre o amor e a razão
provocando um lapso no tempo
com uma prazerosa loucura
e um pouco de sanidade,
uma irresistível sensação
que nos agrade bastante
capaz de nos tirar da realidade,
és uma mulher excitante
que instiga a minha vontade
de embarcar numa viagem alucinante,
desfrutando de cada detalhe,
meu desejo por ti, é incessante,
então, que um dia se torne verdade.
Lua, és bela, um encanto da noite,
um luar de ternura
na intensidade da alma, portanto,
não admirar-te é loucura
ou uma atitude bastante insensata.
Perco-me na profundidade do teu olhar,
na tua feição tão bonita
com a precisão dos teus lindos traços,
a maciez da tua boca,
pois não tem como não te apreciar,
e, agora, só nós dois é o que importa,
o tempo nem parece passar,
a noite até se prolonga,
já que és uma mulher capaz de provocar
uma sensação bastante aprazível
como nenhuma outra,
então, espero proporcionar-te o mesmo
com uma dose prazerosa de loucura
pra que venha se tornar inesquecível
pra nós, este nosso raro momento.
A tua insanidade, ironicamente, é sadia,
és uma mulher linda, agradável
e bem humorada,
fortalece a lucidez com a tua companhia
numa dose prazerosa de loucura
com uma porção necessária de euforia.
Mentalmente, eu desafiei ousadamente o espaço tempo por adentrar em uma realidade emocionante, na qual, estamos juntos, iluminados pela lua, recepcionados pela noite, banhados pela chuva, dançando ao som de uma música veementemente amável, uma incrível e deleitável loucura.
Está chovendo sem parar, nem por um instante assim como o nosso entrosamento que só está aumentando, embevecidos em um desejo flamejante, beijos intensos e demorados, nossos corpos cada vez mais aquecidos, deixando o frio constantemente afastado.
A forte emoção celeste acabou de dar uma trégua, agora podemos perceber que também fomos molhados pelo suor do nosso êxtase, pois ainda estamos suando, tivemos uma ocasião maravilhosa certamente, estás tranquila, atraente, uma presença muito ilustre na minha mente.
Felina astuciosa, flor delicada, veemência em suas formas, uma natureza lindamente detalhada, amável na hora certa e para certas pessoas, se for subestimada, também sabe ser desagradável, quando cativada verdadeiramente, sua postura é carinhosa, uma justa recompensa, essência e curvas, arte vívida da renascença, uma doce loucura, uma benção para poucos, uma emocionante aventura.
Jovialidade entusiasmante, um pouco de insanidade, não danosa e sim deleitante, uma noite emocionante de travessuras, acompanhado de uma mulher fascinante, loucura calorosa, desenvoltura provocante, formas precisas, beleza exuberante, curvas suaves, vestida de uma maneira elegante, um fôlego de vida, arte interessante.
Resumo que eu faço em versos ao pensar em ti neste momento distinto, do qual, cada instante é certamente memorável com um ar atrevido, engraçado, tão vivo, um doce sabor de entusiasmo, que acorda instintos, promove significados, intensifica os sentidos, os ânimos ficam acalorados, um calor atípico, muito bem compartilhado.
Logo, considero um erro grave não notar a tua presença que é admirável, profusamente, empolgante, que faz tanta diferença, deixando o coração ainda mais pulsante, o sangue ferve e assim, o corpo esquenta, fortalece o espírito, as pupilas dilatam, uma companhia muito significante, não deve ser ignorada.
A intensidade aquece toda a tua estrutura, revestida por tua pele suave, graciosa, que muito intiga o teu coração, fogosidade, ternura, então, trazes um doce atrevimento nos olhos, um olhar sedento de uma mulher que quer acelerar os seus batimentos por causa de uma intensa aventura, iniciada com um beijo ardente numa desenvoltura dedicada, calorosa, um jeito envolvente que tanto revigora.
Presumo que certamente concordas que um ar de mistério também pode ser muito excitante em certos momentos reservados, quando a razão abraça fortemente a loucura, saboreando deleite por estar fazendo algo em segredo, a adrenalina aumentando a nossa temperatura num misto de sentimentos, alcançando uma mútua satisfação que perdura mesmo à distância e com o passar do tempo.
A exemplo, uma ocasião vívida à noite, olhares conversando na mesma língua, bocas de poucas palavras, transpiração recíproca eminente com seus corpos abrasados, aparentemente ninguém mais por perto, desejo intenso, insaciável, no risco de serem pegos, o que intensifica gradativamente seus instintos até ficarem suados, ofegantes, em êxtase, sorrindo para depois agirem como se nada tivesse acontecido.
A vida é curta, então, sabiamente curtida deve ser, não apenas com rotinas e lutas,
mas também com algumas doses saudáveis de loucura, quiçá, eu e você, homem e mulher numa inesquecível aventura
de um insaciável e genuíno viver,
uma benção divina, uma sábia conduta,
a qual não devemos esquecer.
Acendes uma forte fascinação
com esta tua beleza divina,
o furor da tua alma,
o enigma do teu olhar,
assim, consegues roubar minha atenção,
ironicamente, sou eu quem fica preso
ao teu magnetismo e sem direito a fiança, entretanto, por seres uma mulher calorosa como uma tarde
de verão, a tua existênciaé tão aprazível que fazes valer esta pena,
não a vejo como uma condenação,
então, nem penso em descobrir
uma fuga ainda que eu não receba
um tratamento recíproco
mesmo que pareça loucura
ou um lapso do tempo,
já que és incrível,
uma desafiante aventura,
um rico avivamento.
Ter maior consciência dos problemas pode ser uma maneira de gerar indiretamente um subproduto milagroso: a felicidade. (...) Porque a felicidade, como a depressão, é um ciclo de retroalimentação.
A qualquer de nós é dado
ser baiano, bem ou mal,
pois a Bahia é um estado
de espírito, nacional !
Só por milagre eu poria
numa quadrinha somente
a beleza da Bahia
sua terra e sua gente.
Tem tal encanto a Bahia,
tais magias ela tem,
que quem a conhece um dia
fica baiano também.
Bahia de hoje, como ontem,
santeira e crente até o fim:
- do Senhor dos Navegantes
do Senhor do Bonfim.
Bahia dos tabuleiros
das baianas, das babás,
das velhas Sés, dos mosteiros,
dos telhados coloniais.
Bahia de mil petiscos:
caruru e mungunzá,
caju, cachaça, mariscos,
acarajé, vatapá.
Dos quitutes e quindins,
das festas e foguetões,
dos santos e querubins
levados nas procissões.
Bahia sempre gostosa,
mais doce que velho vinho,
que ainda resiste, famosa,
no Largo do Pelourinho.
Bahia de D. João
do Visconde de Cairu:
- moleques de pé no chão
escravos de peito nu.
Do Brasil engatinhando,
subindo pelas ladeiras,
dos sobradões modorrando
sobre a algazarra das feiras.
Das cadeiras de arruar,
das carruagens, dos nobres,
dos ouros em cada altar,
das pratarias, dos cobres.
Bahia da liberdade,
de Castro Alves, seu condor,
onde a palavra saudade
é negra! - tem outra cor!
Bahia da inteligência,
de suas glórias ciosa:
da cultura, da eloqüência,
Bahia de Ruy Barbosa.
Bahia da independência,
contra a opressão e o esbulho,
da revolta da violência,
Bahia do 2 de julho !
Com o leite branco das pretas
tornaste a pátria viril,
e hoje flui das tuas tetas
o "ouro negro" do Brasil.
Bahia, velha Bahia...
Bahia nova também:
patrimônio de poesia
que a pátria guarda tão bem.
Bahia dos meus amores,
de trovadores aos mil,
de violeiros, cantadores:
"romanceiro" do Brasil!
A trova ja nasce feita,
e rima até com poesia
se a Bahia é a Musa eleita,
se a inspiração é a Bahia!
Bahia dos doces ventos
que sopram velas no mar,
dos coqueirais sonolentos
de curvas palmas pelo ar
Qualquer coisa da Bahia
todo brasileiro tem,
se até o Brasil, certo dia,
nasceu baiano também!
"A Bahia é a boa terra",
repito nos versos meus.
e a voz do povo não erra
- sua voz é a voz de Deus!
Ladeiras, praias, coqueiros,
igrejas, lendas, poesia,
- Cais do Mercado: saveiros . . .
- Natal da Pátria: Bahia!
Amor... e Morte...
O amor
é como a morte
ato banal de todo dia...
Emoção forte
de tristeza ou de alegria,
ele sempre nos surpreende, e a ele nunca nos acostumamos
talvez...
O amor é como a morte:
quando amamos
é sempre a primeira vez.
Quando chegares...
Não sei se voltarás
sei que te espero.
Chegues quando chegares,
ainda estarei de pé, mesmo sem dia,
mesmo que seja noite, ainda estarei de pé.
A gente sempre fica acordado
nessa agonia,
à espera de um amor que acabou sendo fé...
Chegues quando chegares,
se houver tempo, colheremos ainda frutos, como ontem,
a sós;
se for tarde demais, nos deitaremos à sombra e
perguntaremos por nós...
A BICICLETA
Me lembro, me lembro
foi depois do jantar, meu avô me chamou,
tinha um riso na cara, um riso de festa:
- Guilherme, vou tapar seus olhos,
venha cá.
Os tios, os primos, os irmãos, na grande mesa redonda
ficaram rindo baixinho, estou ouvindo, estou ouvindo:
- Abre os olhos, Guilherme!
Estava na sala de jantar, junto da porta do corredor,
como uma santa irradiando, num altar,
como uma coroa na cabeça de um rei,
a bicicleta novinha, com lanterna, campainha, lustroso selim de couro,
tudo.
Me lembrei hoje da minha bicicleta
quando chegou a minha geladeira.
Mas faltou qualquer coisa à minha alegria,
talvez a mesa redonda, os tios, os primos rindo baixinho,
– abre os olhos, Guilherme!
Oh! Faltou qualquer coisa à minha alegria!
Soneto à tua volta
Voltaste, meu amor... enfim voltaste!
Como fez frio aqui sem teu carinho....
A flor de outrora refloresce na haste
que pendia sem vida em meu caminho.
Obrigado... Eu vivia tão sozinho...
Que infinita alegria, e que contraste!
-Volta a antiga embriaguez porque voltaste
e é doce o amor, porque é mais velho o vinho!
Voltaste... E dou-te logo este poema
simples e humilde repetindo um tema
da alma humana esgotada e envelhecida...
Mil poetas outras voltas celebraram,
mas, que importa? – se tantas já voltaram
só tu voltaste para a minha vida...
(Do livro "Eterno Motivo" " - Prêmio Raul de Leoni, da Academia Carioca de Letras - 1943)
