Erasmo de Rotterdam Elogio a Loucura
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A modéstia doura os talentos, a vaidade os deslustra.
A imaginação e o recolhimento são duas doenças de que ninguém tem piedade.
O nosso espírito é essencialmente livre, mas o nosso corpo torna-o frequentes vezes escravo.
A solidão liberta-nos da sujeição das companhias.
Há algo de tão magnífico com um grande homem: um homem de honra.
Quando se envelhece, as irritações transformam-se em tristeza.
Os livros têm-me servido menos de instrução que de exercício.
É a cinza dos mortos que cria a pátria.
Os homens mais orgulhosos são geralmente os mais irritáveis e vingativos.
A ação traz mais fortuna que a precaução.
A mais bela das raparigas só pode dar aquilo que tem.
Os velhos ruminam o pretérito, os moços antecipam e devoram o futuro.
Para mandar muito tempo e absolutamente sem alguém é indispensável ter a mão leve e, nunca lhe fazer sentir, por pouco que seja, a sua dependência.
Há mentiras que são enobrecidas e autorizadas pela civilidade.
A vaidade de muita ciência é prova de pouco saber.
É judiciosa a economia de palavras, tempo e dinheiro.
A vida reluz nos olhos, a razão nas palavras e ações dos homens.
O trabalho involuntário ou forçado é quase sempre mal concebido e pior executado.
O erro é a noite dos espíritos e a armadilha da inocência.
O remorso é no moral o que a dor é no físico da nossa individualidade: advertência de desordens que se devem reparar.