Erasmo de Rotterdam Elogio a Loucura
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As ideias novas são para muita gente como as frutas verdes que travam na boca.
Quando a consciência nos acusa, o interesse ordinariamente nos defende.
O gosto de contentar um amigo é um demónio tentador.
Uma grande reputação é talvez mais incômoda que a insignificância pessoal.
O interior das famílias é muitas vezes perturbado por desconfianças, ciúmes e antipatias, e enganam-nos as aparências de satisfação, calma e cordialidade, fazendo-nos supor uma paz que não existe; poucas há que ganham em ser aprofundadas.
Os filhos seriam, talvez, mais caros a seus pais e, reciprocamente, os pais aos filhos, sem o título de herdeiros.
O nosso amor-próprio é muitas vezes contrário aos nossos interesses.
Desprezos há, e de pessoas tais, que honram muito os desprezados.
O desejo de igualdade levado ao extremo acaba no despotismo de uma única pessoa.
Só o silêncio é grande, tudo o mais é fraqueza.
A poesia é uma doença cerebral.
Ser-se livre não é nada fazer, é ser-se o único árbitro daquilo que se faz ou daquilo que se não faz.
Um político de gênio, quando se encontra à frente dos negócios públicos, deve trabalhar para não se tornar indispensável.
O que vulgarmente faz que um pensamento seja grande é dizer-se uma coisa que nos conduz a muitas outras.
O medo faz mais tiranos que a ambição.
A experiência que não dói pouco aproveita.
Que verdades conhecia o morto?
Quem estrangulou
sua palavra?
A honra quer dizer o preconceito de cada pessoa e de cada condição.
Os grandes, os ricos e os sábios sorriem-se: os pequenos, os pobres e os néscios dão gargalhadas.
Ninguém é mais adulado que os tiranos: o medo faz mais lisonjeiros que o amor.
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