Era
Meu plano era tocar piano para tentar te impressionar. Ledo engano! Num impulso insano, foi você que eu quis tocar.
Porque não foi um pouco antes? Porque não apareceu quando tudo era mais simples, quando a minha vida era menos complexa, quando eu estava descobrindo tudo o que me fazia bem e não tinha um pingo de medo de viver tudo o que eu tinha para viver? Porque não veio mais cedo, não cruzou meu caminho numa daquelas longas viagens, porque não nos esbarramos numa dessas calçadas, num desses bares? Porque tudo agora, tão recente, sem termos a mínima chance de descobrirmos se a gente pode ser feliz, se a gente se completa como nosso abraço diz nos completar? Porque todo esse fingimento, essa farsa de um amor embutido numa amizade linda demais, companheira demais? No entanto, só nós sabemos o quanto nos precisamos, nos fazemos bem, somos felizes juntos.
Porque tudo agora? Tão tarde?
Tudo bem. Conformei-me, já.
É só um momento. Na verdade, é que agora estou aqui sozinha lembrando e com saudades. Todas as vezes que tenho esses momentos eu me revolto com o tempo, me revolto com as ironias do destino, e escrevo. Como se fosse um surto. É rápido. Logo passa. O que não passa mesmo é essa vontade de estar ao seu lado e todas as noites ouvir a sua respiração aqui no meu ouvido, sentir o seu cheiro; mesmo você estando longe, aí, também com saudades porque acabou de me confessar por uma mensagem.
Vai ser assim, pra sempre. Só não se esquece de me levar no pensamento, porque eu te levarei.
METAVERSO DAS MÁSCARAS E DOS NOMES.
No princípio era o signo.
Um círculo.
Uma seta.
Uma cruz.
Símbolos gravados como selos antigos
na pedra fria da biologia.
Mas eis que a era digital abriu
não o ventre da matéria,
mas o espelho do infinito.
No metaverso, cada consciência
modela a própria silhueta
como quem esculpe névoa.
Ali, o corpo é código.
O nome é escolha.
O gênero é avatar.
Multiplicam-se ícones como constelações
num céu sem astronomia fixa.
Agender.
Andrógino.
Fluido.
Não binário.
Cada palavra, uma tentativa
de domesticar o indizível.
O humano, cansado da carne,
experimenta ser linguagem.
E a linguagem, fatigada de limites,
experimenta ser cosmos.
Não se trata apenas de sexo,
mas de identidade expandida
num espaço onde a matéria
já não impõe suas fronteiras.
No metaverso, a ontologia dissolve-se
em pixels que respiram.
E o eu fragmenta-se
em múltiplas possibilidades
como um espelho partido
que ainda reflete o mesmo olhar.
Pergunto então.
Somos aquilo que o corpo afirma
ou aquilo que a consciência reivindica?
Entre o cromossomo e o desejo
há um abismo sutil
onde a modernidade acendeu
suas lâmpadas artificiais.
Cada símbolo é um pedido.
Cada avatar, uma confissão silenciosa.
Talvez o metaverso não seja fuga,
mas laboratório.
Lugar onde o homem ensaia
ser mais do que herdou.
Ou talvez seja apenas
a mais sofisticada máscara
de uma inquietação antiga.
Porque, antes do código e da tela,
já havia no coração humano
a mesma pergunta ardente.
Quem sou eu?
E enquanto houver essa pergunta,
haverá mundos virtuais,
novos nomes,
novas formas,
e a eterna tentativa
de tocar o próprio ser
sem medo do espelho.
Ela tem um sorriso que me parece trazer a tona recordações da infancia, onde tudo era fresco como o límpido céu azul. Às vezes quando olho seu rosto, ela me leva para aquele lugar especial, e se eu fixasse meu olhar por muito tempo, provavelmente perderia o controle e começaria a chorar.
Antigamente as grandes nações mandavam seus exércitos conquistar territórios e o nome disto era colonização. Hoje as grandes nações mandam suas multinacionais conquistar mercados e o nome disto é globalização.
A ESTRELA AZUL
Era uma vez uma estrelinha muito prosa,
toda orgulhosa,
no céu instalada;
até que um dia,
talvez por castigo,
um astro,
fingindo-se amigo,
roubou-lhe uma ponta dourada.
Cheia de revolta,
batendo as mãozinhas,
‘’pelo desaforo! (dizia a chorar)
uma estrela que perde uma ponta
não é mais estrela,
não vou mais brilhar.’’
E a pobre estrelinha,
assim mutilada,
tornou-se problema na constelação;
antipática,
só pensando em si,
como se o mundo
desabasse ali
ao peso de sua humilhação.
‘’Ninguém gosta de mim (gemia a pobre),
só porque perdi minha ponta dourada.’’
E, enxugando uma lágrima comprida,
a estrelinha,
infeliz da vida,
tornou-se resmungona e mal-educada.
Oh! Era uma catástrofe no universo,
uma tristeza na constelação!
Tudo foi tentado,
nenhum resultado,
até chegar a estrela da Conformação.
Esta velha estrela
era mui sensata
e à estrelinha
ela aconselhou:
– Ainda és estrela,
pois tens quatro pontas,
torna bem brilhantes
as que Deus te deixou.
E a estrelinha
pôs-se a trabalhar
ingentemente,
em busca de luz;
só pensando
em ser útil e bela
(que este é o destino de uma estrela).
Ela esqueceu a sua própria cruz.
E nem notou
que sua cor mudara
para um azul brilhante e sem igual:
uma cor linda,
cheia de esperança,
alegre como um riso de criança,
bela como uma estrela de Natal.
E a estrelinha que fora problema,
drama,
tragédia na constelação,
passou a ser motivo
de alegria,
uma bênção de Deus
em cada coração.
Pedro era um cara explosivo, duvidava das coisas e era tido com uma pessoa problemática,Já judas abraçava, beijava e fazia amizade facilmente. E vcs lembram quem foi o desleal e traidor né ?
Na era tecnológica likes traz respeito, abraço virou emoji, conversa virou mensagem, se ver somente por FaceTime e risadas só digitais. Na era tecnológica o mundo é frio, as pessoas são vazias, as fotos são falsas e os posts bonitos utopia.
As quatro estações já estavam bem definidas. Era assim. Ela era assim. De vez em quando quente como o verão, quase sempre fria como o inverno. Caía lentamente igual às folhas no outono e florescia rapidamente depois, assim como as flores na primavera.
Enquanto ele dormia, seu nome era Tempo. Mas, agora que acordou, vai ganhar um novo nome.
Tempo de recomeçar!
E talvez o plano de Deus era que você chegaria a minha vida com a missão de fazer com que eu conhecesse o amor.
Que você viria pra trazer encanto, para dar cor aos dias que até então eram cinzentos...
Que viria para me arrancar sorrisos, para fazer com que eu me sentisse especial... que chegaria pra me provar que felicidade existe, porque eu já não acreditava mais.
Só que você me trouxe tantas coisas boas, e de repente se foi. E eu, além de triste, fiquei sem entender nada.
Mas de uma coisa eu sei, não existem erros nos planos de Deus, Ele é perfeito! E eu não preciso entender, eu só preciso confiar! Em breve Ele fará ter sentido, Ele há de selar um novo tempo em minha vida. E sei que desta vez não virá em forma de lição e nem será passageiro, desta vez, o "Para sempre de Deus" chegará pra mim. Eu só preciso descansar meu coração e esperar N'Ele. Eu creio!
Você era minha melhor amiga, a melhor parte de quem eu sou, e não consigo me imaginar desistindo disso outra vez.
Sempre pensei que ninguém prestava atenção no que eu fazia, que o único drama era na minha cabeça, mas, afinal, eu não era tão invisível assim.
