Era

Cerca de 25261 frases e pensamentos: Era

Sua boca era tão linda que seus ⁠lábios convidavam para sentir o sabor do céu.

⁠O toque de suas mãos em minha pele traduzia todo o carinho envolvido entre dois apaixonados. Era as mãos de um anjo a tocar minha alma. Uma leveza ao percorrer meu corpo capaz de atingir os mais profundos nervos e levar a mente a sensação de torpor que remediava o meu interior. Suas mãos são como as de uma fada. Encanta e me arrebata.

Se não depende só de você, não carregue tanta culpa… às vezes, simplesmente não era para acontecer.


— Jess.

E por amor tomou-se tudo o que acontecia.
E tudo o que acontecia era mera educação.
E a educação levou a uma confusão.
E a confusão despertou o interesse.
E o interesse aprofundou o conhecer.
E ao conhecer se apaixonou.
E ao se apaixonar amou.
E ao amar tudo valeu recomeçar.

A Ponte
Incrivelmente o céu descortinou-se e azul apresentou-se. Este tom ainda era desconhecido. Um azul intenso, forte, transparente que incomoda os olhos acostumados a viver na escuridão. Algumas almas nobres são atingidas pela luz intensa e azulada e percebem na luz uma ponte que se forma. Ponte que leva a novos caminhos, novas estradas, outras nuvens, outras tempestades...

Era uma vez
Eu e você
E o Amor que estava prestes a acontecer,
Parou no caminho do quase
Virou utopia


Nos tornamos aqueles que poderiam ser;
Sujeitos,
Pretérito imperfeito
De onde não conseguimos passar do quase;
Ficamos na primeira fase
Findamos o meio do caminho


Cruzamos a linha do começo,
mas não sustentamos o depois.
Tocamos o futuro,
mas não virou nós dois
Fomos além do quase,
mas não do fim.

ENCONTRO MARCADO


Eu havia estragado tudo naquele dia. Roubei um pão. Era tão pequeno… Sentia fome, mas havia outras maneiras: oferecer-me para trabalhar, pedir ajuda, qualquer coisa menos aquilo. Roubei aos oito anos de idade — e nunca mais parei.


Sabia que não era certo. Sentia-me mal todas as vezes que roubava. Era pesada aquela palavra: roubo. Não sei por que me incomodava tanto, mas incomodava. Quando fui deixado na rua por meu pai — algo que eu não entendia — encontrei um grupo de crianças que roubava. Quem não roubasse, não comia. Roubávamos bolsas, relógios, pulseiras e carteiras.


Aos doze anos, depois de quatro vivendo assim, aquilo já me parecia normal. Mas não deixava de me incomodar. Eu sempre me perguntava por que não tinha casa, pais, família ou escola.


Os carros passavam, e eu me encantava. As casas maravilhosas eram a visão dos meus sonhos. No entanto, eu não tinha nada, a não ser a larga liberdade: todas as ruas eram minhas, aquela vastidão de céu me pertencia. Eu não tinha ninguém, e ninguém tinha a mim. Mas eu queria outra vida. Sempre pensava: por que é assim? O que posso fazer?


Não sabia quem poderia me ajudar. Uma voz me disse: “Deus.” E onde procurar Deus? Na igreja, não — de lá eu já tinha sido expulso por estar muito sujo. “Procure no seu coração”, a voz insistia. “Talvez no centro da dona Dalva. Ela, além de dar comida, sorri e chama você de filho.”


Cheguei lá naquele dia sem saber exatamente por quê, com o coração acelerado. Dona Dalva montava um lindo vaso de flores amarelas. Eu disse:


— Bom dia.


Ela sorriu:


— Bom dia, meu filho.


— Posso falar com a senhora?


— Claro, meu filho.


Então perguntei:


— O que é Deus?


Ela respondeu com calma:


— A pergunta é outra: quem é Deus? É o Pai de todos nós, o mais generoso que existe. Aquele que mais nos ama.


Perguntei:


— Então por que Ele me abandonou tão pequeno? Não sei trabalhar, as pessoas me expulsam e têm medo de mim. E quando roubo, a polícia vem atrás. A senhora acha que Deus ama todos iguais?


Ela respondeu:


— Tenho certeza. O que Ele espera é que Seu filho retorne a Ele, em qualquer situação.


Depois ficou em silêncio por um instante e disse algo que me atravessou:


— Olhando de fora, parece que você é apenas vítima. Mas a vida é mais longa do que um único dia. Já foste alguém que teve pais carinhosos, conforto e oportunidade. Jogaste fora o que tinhas, foste mesquinho quando podias ter ajudado. A aprendizagem não retrocede. A vida continua.


— Mas como vou fazer isso? Sou apenas um menino. Amanhã acho que faço doze anos.


Ela sorriu:


— Não subestime a sabedoria do Pai. Você voltou para casa. Estou há anos à sua espera. Cuidarei de você como um filho muito amado, e você cuidará de mim como uma mãe muito amada. Na verdade, você não tem doze anos. Tem uma eternidade de experiências.


Foi ali que comecei a viver de verdade.


Encontrei uma mãe carinhosa e bondosa, um lar confortável, estudo de qualidade. Trabalhei muito e me tornei um adulto bem-sucedido, como ela dissera tempos atrás.


Abri um abrigo para crianças. Por muitos anos tirei meninos das ruas. Amei-os e cuidei deles como um pai.


E quando, já velho, parti e cheguei ao outro lado, encontrei Dalva — minha mãe — que me disse:


— Compreendeu? A vida continua, e Deus não abandona Seus filhos. Ele é seu Pai.

​“Vivemos em uma era de clamores. Gritamos para sermos vistos, porque temos medo de desaparecer no esquecimento.”

— Douglas Santos, em O Deus Silencioso

Saudades daquela Rede Social que ficava na varanda, onde apenas uma amiga era o suficiente para me completar.

Porque é que te vivi?
E deixei de ser quem eu era
Para nunca mais o poder ser?
É quando eu acho que tenho tudo sob controlo
Que controlar-me é suficiente
Que me perco
Acho que esse é o problema do fogo
Tu não te queimas a menos que acredites que ele não te vai magoar
Quando te aproximas o calor é conforto
Mas só quando entras é que percebes quе também ardes
Ardemos os dois
Será quе ele percebe que me queima?
Será que é só a mim?
Será que também sofre por não saber o porquê da cinza?
São estas dúvidas que me agarram a mão
Onde acaba ele e começo eu
Quando é que deixa de arder?
Se arde espera que cure
Mas mesmo o que cura deixa cicatrizes
Eu não tenho ar para todas neste ato.

“O tempo não se apressa nem espera; ele apenas revela o que era invisível e eterniza o instante que importa.”

Ela nunca soube explicar quem era, porque viver era sentir — e sentir, para ela, sempre foi um ato silencioso de coragem, uma luz que existia sem esforço, mesmo quando o mundo tentava fragmentá-la.

Pensamento XIV
"moderno saber."


"Não é porque vivemos na era da informação que edificaremos pessoas entendidas. De que te servem sete mares, se te satisfazes com um copo d'água? A resposta está nisto: o tamanho da sede."

Dor na farsa


⁠O nosso "nós" era um teatro,
uma peça de um cenário, cruel.
Brincamos de amar com roteiro,
um ensaio dedicado na ferida, do mel
que se revelou veneno.
E quando a cortina fechou,
A verdadeira luz se acendeu,
a farsa desmoronou em pó.
Não era amor, mas técnica,
uma coreografia perfeita.
A única coisa real era o tempo,
E a única promessa cumprida,
foi o sofrimento.
Aquela dor que, ironicamente,
Também fingimos sentir,
para que, no final, ela fosse
a nossa única verdade,
crua e ilimitada.

⁠Sempre fui assim, empoderada, auto estima elevado, mesmo sabendo que não era perfeita me amava do jeitinho que eu era
Mas teve um tempo que estava sufocada por certas amizades
Sempre atrai pessoas com baixo auto estima e na maioria das vezes tive êxito em ajudá-las
Mas algumas não teve jeito, achavam errado eu me amar tanto
Se eu me amava magra, ficavam tristes porque se sentiam gordas
Se eu me amava alta, ficavam triste porque se sentiam baixas
Se eu eu me achava linda, ficavam tristes por se sentirem feias
Eu comecei a me retrair, a me fechar, por medo de magoá-las
Cuidava até o que postava...me sentia sufocada, apagada, presa...
Foi então que descobri que as mesmas que se faziam de "amigas"
Por traz riam, tiravam printes, me maldiziam, diziam que eu me achava
Aquelas coisinhas de gente invejosa
Pois bem me afastei desse tipo de gente
Hoje não deixo mais ninguém tentar apagar meu brilho
Vivo intensamente me amo demais
E se alguém se incomodar com isso, meu conselho é: senta e aprenda comigo
Se ame! Seja phoda! Seja incrível! E brilhe tbm, porque o universo e amplo demais e tem espaço pra todas que queiram resplandecer

Era só uma menina
Lutando para vencer
Exemplo que ensina
Nunca desistir de ser
Insistência em ser feliz
Realizar seu maior prazer⁠

Novos contatos florescem no que antes era medo,
Descubro que a vida não guarda segredo:
Perder quem não soma é, enfim, se encontrar,
Pois quem nunca foi seu, não há como deixar.

"Era uma vez a Paz que a todos libertava...."

Emanuele

Era numa noite sem lua
ou talvez fosse dentro do meu peito
que teu nome começou a ecoar
como um sino rachado
anunciando minha própria ruína.
Amada minha,
mais pálida que a névoa que rasteja
sobre túmulos esquecidos,
mais doce que o veneno lento
que se mistura ao vinho.
Eu te amei antes do primeiro delírio,
antes que os anjos, invejosos, cruéis
sussurrem maldições nas frestas do céu.
Eu te amei quando teu riso
ainda não sabia que me condenava.
Teu nome
ah, teu nome
é uma lâmina que percorre
as paredes da minha mente,
entalhando tua face
em cada pensamento que ousa nascer.
Dizem que o amor é chama.
Mas o que sinto é incêndio em catedral antiga:
vitrais estilhaçados,
santos decapitados,
o altar consumido
pela fome da tua ausência.
Eu não durmo
vigio.
Vigio o vento,
como se ele pudesse trazer teu perfume.
Vigio as sombras,
pois nelas imagino teus passos.
Vigio meu próprio coração,
temendo que ele ouse bater
sem pronunciar teu nome.
Ó minha amada
minha febre, minha sentença
teu silêncio é um oceano negro
onde me afogo todas as madrugadas.
Se te afastas,
meus ossos rangem como portas de mausoléu.
Se te aproximas,
minha carne treme
como se a eternidade estivesse
a um sopro da perdição.
Eu te quis mais do que o céu quis as estrelas.
Mais do que a noite deseja a lua.
Mais do que os mortos desejam
Um último suspiro.
E, no entanto,
quanto mais te possuo em pensamento,
mais te perco na carne do mundo.
Te imagino deitada sob constelações frias,
teus cabelos espalhados
como raízes que me prendem
ao chão da loucura.
Ah, se a morte viesse
não para te levar,
mas para selar-nos
num túmulo partilhado,
onde minh’alma pudesse se enroscar na tua
como hera sobre pedra antiga!
Porque amar-te, minha sombria estrela,
não é gesto
é destino.
Não é escolha
é corrente.
E mesmo que os anjos se levantem
com suas espadas de luz invejosa,
mesmo que o mar se abra
em fúria contra meu delírio,
ainda assim
ainda assim
meu espírito rastejaria pela eternidade
sussurrando seu nome
como oração profana.
Pois és minha
não por direito,
mas por obsessão.
E se um dia disserem que não me amas,
o mundo se partirá em duas metades ocas,
e eu vagarei entre elas
como espectro faminto
que só reconhece
um único altar:
Teu coração
mesmo que ele jamais
bata por mim.

Era melhor ter vestido os papéis que me ensinaram, mesmo que arranhassem minha pele. Melhor ter me aninhado na bolha protetora, na zona de conforto de um mundo redondo e raso, especialista em anestesiar dores e inflar egos da turma dos privilegiados.