Enxerga mais longe a Gaivota que Voa mais Alto

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"Sou do tempo em que o fio do bigode era mais poderoso do que uma assinatura em um pedaço de papel. Hoje em dia, me choco quando me deparo com verdadeiras ratazanas humanas, roendo os papéis de acordos previamente assinados. Esses tais ratos de hoje jamais teriam se proliferado em uma época onde a palavra de homem era lei, pois, possivelmente, seriam todos imediatamente exterminados através de um simples duelo de honra, ou pelo uso de poderosos venenos existentes na ocasião."

⁠"Conheço funâmbulos que se arriscaram diante do precipício das dívidas e nunca mais voltaram."

"⁠Os interesses pessoais de pastores evangélicos não podem se tornar mais importantes do que os interesses do Brasil."

"Temos uma geração que vem sendo educada de maneira mais sombria e irracional da história da humanidade. Me refiro à geração de pessoas que abandonou os estudos em escolas regulares e passou a ser educada através de manipulações e de doutrinas de Fake News, frequentemente postadas nas redes sociais."

"Respeito mais os cães do que suas cãs."

"Toda proximidade é relativa. Ninguém é absoluto. E não se discute mais isso."

⁠"Muitas vezes, aprendemos mais com a falsidade dos outros, do que com a honestidade deles."

"Investimos mais em brutalidades do que em escolas!"

"No interior, o que mais me intriga é ver quanta gente espicha os olhos para a janela do vizinho, esquecendo-se de arrumar a bagunça no próprio quintal."

"Quando o futebol importa mais que os filhos, a família quebra e o circo segue."

"Enquanto o futebol valer mais que os filhos, a família adoece e a política do pão e circo se eterniza."

⁠"Há mais cultos ao ódio em pseudo-igrejas do que no inferno inteiro."

"É o mal que nos faz amar o Deus Dinheiro. Vamos caçá-lo com mais fé e menos ambição!"

"Quem recebeu os aplausos, muitas vezes, era o mais triste no palco — e nem assim a multidão notou a sua dor. Afinal, ninguém paga pela tristeza dos outros!"

"Falam mais da vida alheia nos cultos do que nos bares de esquina."

"Quando eu não pertencer mais a esta dimensão, a única certeza que quero levar comigo é a de que aqueles que amei e cuidei estarão bem."

Quimera Cinza

Dizem que o mundo nasceu em sete cores.

O meu esqueceu uma.

Não a mais bonita. Não a mais rara. Apenas aquela que fazia todas as outras parecerem vivas.

Desde então, tudo aqui existe em tons de cinza. O céu não ameaça chuva, ameaça permanência. As árvores não morrem; apenas desaprendem a crescer. As pessoas sorriem como quem assina um recibo.

Passei anos acreditando que algum caminhão estava atrasado.

Um simples lápis de cor.

Deveria chegar em qualquer manhã, descarregado por alguém distraído, e bastaria um risco torto sobre o papel da realidade para que tudo finalmente lembrasse que era primavera em algum lugar.

Mas os dias passavam.

E toda entrega vinha sem o pacote que importava.

Comecei a desconfiar que o atraso não era da estrada.

Era do próprio universo.

Então continuei andando.

Porque também me disseram outra coisa: existia um caracol. Um único. Em algum lugar impossível de encontrar. E quem tocasse sua concha deixaria de carregar o próprio peso. Não morreria do corpo primeiro. Morreria da espera. Como uma vela que finalmente entende que foi feita para apagar.

Passei a procurar o caracol.

Em cidades cheias demais para perceber o silêncio.

Em pessoas que juravam possuir mapas.

Em espelhos.

Principalmente nos espelhos.

Às vezes eu achava que estava perto. Via um brilho úmido no concreto, diminuía o passo, prendia a respiração…

Era apenas chuva.

Outras vezes confundia rastros com destino.

O curioso sobre perseguir uma quimera é que ela nunca precisa correr.

Você faz todo o trabalho por ela.

Enquanto isso, a tinta cinza continuava secando sobre tudo.

Descobri que o cérebro inventa cores quando passa tempo suficiente olhando para a ausência delas. Chama isso de esperança. Um defeito elegante da percepção. A mesma ilusão que faz marinheiros enxergarem terra antes da costa existir.

Talvez seja por isso que eu ainda acordava.

Não porque acreditasse.

Mas porque a imaginação sempre chega alguns segundos antes do desespero.

No fim, encontrei um velho caderno.

Folheei página por página procurando aquele lápis perdido.

Não havia espaço vazio onde ele deveria estar.

Nem marcas de que alguém o tivesse roubado.

Apenas uma observação escrita numa caligrafia que parecia ser minha, embora eu não lembrasse de tê-la feito:

“Você não está esperando uma entrega atrasada.

Está esperando uma lembrança de algo que nunca foi fabricado.”

Foi quando entendi.

O lápis não estava preso em alguma estrada.

Não havia caminhão.

Não havia fábrica.

Não havia catálogo.

Assim como o caracol.

Passei a vida procurando uma saída desenhada por alguém que jamais existiu.

E talvez seja essa a crueldade mais sofisticada do mundo:

não é que algumas pessoas morram sem encontrar o caracol.

É que certas almas sobrevivem para sempre porque perseguem uma criatura que o universo nunca teve a intenção de criar.

A cidade continuou cinza.

Eu também.

Mas agora já não olho para o horizonte esperando uma entrega.

Apenas caminho.

Como quem finalmente percebeu que algumas ausências não são atrasos.

São a arquitetura inteira do lugar.

olhos de jabuticaba

A gente nunca marcou de se encontrar.

Essa talvez seja a parte mais estranha da nossa história.

Porque toda vez que eu decido seguir em frente, a vida resolve colocar você no caminho de novo. Num bar qualquer. Na rua. Na festa que eu nem queria ir. Na fila de algum lugar. Sempre parece coincidência demais para ser coincidência e acaso demais para ser destino.

A gente se olha como quem já sabe exatamente o que vai acontecer.

Primeiro vem aquele sorriso tímido, quase educado. Depois uma conversa boba sobre a vida, sobre o trabalho, sobre o tempo que passou. Fingimos que somos duas pessoas que só têm assuntos em comum.

Mas nunca é só isso.

Existe um momento em que o resto do lugar começa a desaparecer. Eu paro de ouvir quem está falando do meu lado. Você também fica um pouco mais perto do que precisava. Ninguém comenta. Ninguém pergunta. Acontece.

E então vem o beijo.

Sempre o beijo.

Como se todos os meses que passamos longe um do outro fossem apagados em poucos segundos.

É engraçado como a gente sempre acredita que dessa vez vai ser diferente.

Você ri e diz que não faz sentido continuar nisso.

Eu concordo.

Você fala que essa foi a última vez.

Eu respondo que também acho.

A gente se despede convencido de que finalmente conseguiu.

E, por algum tempo, consegue mesmo.

Até a vida resolver brincar de novo.

Eu nunca entendi o que somos.

Não somos um casal.

Também nunca fomos apenas duas pessoas que ficaram algumas vezes.

A gente conhece versões um do outro que ninguém mais conheceu. Você sabe como eu fico quando estou ansioso. Eu sei quando seu sorriso é verdadeiro e quando ele só está tentando evitar uma conversa difícil.

Mesmo assim, nunca conseguimos morar na vida um do outro.

Só conseguimos fazer visitas.

Às vezes penso que nosso erro sempre foi acreditar que precisava existir um fim definitivo.

Como se um beijo pudesse encerrar tudo o que veio antes.

Como se fosse possível convencer o coração usando lógica.

“Essa foi a última vez.”

Quantas vezes a gente já disse isso?

Cinco?

Dez?

Vinte?

Eu perdi a conta.

O problema é que nunca foi sobre o beijo.

Era sobre aqueles cinco minutos antes dele.

Quando você me olhava do outro lado e eu já sabia que tinha perdido de novo.

Quando nós dois fingíamos conversar com outras pessoas enquanto esperávamos um dos dois criar coragem para atravessar a distância.

O beijo só confirmava uma decisão que já tinha sido tomada pelos nossos olhos muito antes.

Talvez um dia exista realmente uma última vez.

Talvez a gente se encontre de novo e finalmente consiga passar um pelo outro como dois desconhecidos.

Talvez um de nós esteja apaixonado por outra pessoa.

Talvez a vida, cansada de insistir, resolva nos deixar em paz.

Mas, se esse dia chegar, eu desconfio que nenhum de nós vai perceber.

Porque todas as outras últimas vezes também pareciam verdadeiras.

E, no fim, bastava um reencontro.

Um “quanto tempo”.

Um abraço que demorava um segundo além do normal.

E lá estávamos nós outra vez, prometendo que agora era sério.

Enquanto, no fundo, os dois já sabiam que a única promessa que nunca conseguimos cumprir foi justamente essa.

O amor de mãe é imenso, transborda em cuidado, força e dedicação, mesmo nos dias mais difíceis. É um amor que acolhe, protege e permanece, independentemente do tempo ou das circunstâncias.

Título: Protesto


Até quando eu vou ligar minha TV e ver mais um inocente morrer?
Até quando eu vou ver que, lá no morro, mais uma bala encontrou um corpo?
Corpo esse que sempre foi explorado e morreu sem dignidade, com seu sangue escorrendo no asfalto.
Até quando o negro trabalhador vai ser confundido com bandido e traficante?
Até quando o sistema da injustiça vai afastar o preto e pobre para a periferia?
Até quando eu vou ouvir os gritos de uma mãe que chora pelo seu filho?
Filho esse que o sistema julgou estar envolvido com coisas que essa mãe repudiou desde o início.
Sei que parece clichê, mas nem todo morador é do tráfico, pode crer.
Lá em cima tem um povo que luta pra sobreviver entre o esgoto,
Vive situações difíceis de se crer e ainda se ergue pra um futuro poder ter.
Tem gente que luta só no trabalho,
Outros ousam e, além do trampo, estudam no busão lotado.
Por isso eu te pergunto: até quando essa violência vai acontecer?
Quero um lugar melhor pro povo viver!