Entrelinhas
Saberei que te esqueci
quando eu não mais
te aconchegar
nas entrelinhas do que falo
e nas cartas
que nunca te envio.
E leia a íntegra, com várias ironias deliciosas nas entrelinhas:
outro dia, andando pelo centro da cidade, eu resolvi me dar um presente: sonetos de Shakespeare.
parece uma atitude boa dar-se tais presentes, se eu não tivesse de ter gasto meus últimos tostões, meus últimos tostões, meus últimos, aqueles destinados ao aluguel da casa em troca dos sonetos de Shakespeare.
eu parei em frente a uma livraria e, como um cachorro que só sabe do tempo que anda com o olhar no frango que gira, como o cachorro que sabe da gravidade pela baba que desce da boca, fiquei horas seguidas ali babando sobre a vidraça, que não permitia que minhas mãos tocassem os sonetos de Shakespeare.
o comerciante de livros aproximou-se com um sorriso fosco, perguntei quanto custaria para que os sonetos fossem meus. ele então sorriu, menos fosco e mais vil, e disse-me: ‘custa tanto’. o tanto que ele disse era pouco, nem sabia, até porque ele vendia Shakespeare, pense, junto com culinária e magia. mas as minhas mãos queriam tocar os sonetos de Shakespeare
cavei o bolso e, cédula a cédula, moeda a moeda, deu justo pra pagar e voltar pra casa, nada mais.
esta noite eu sou um homem sem garantia de que amanhã eu terei casa porque eu não paguei o aluguel. quanto à minha alma, ela sobrevive a essa ameaça, tomada pela mais sublime graça em habitar os sonetos de Shakespeare.
"Com um espírito de Caio Fernando Abreu dentro de mim. Descrevo nessas entrelinhas, como me sinto bem em viver. Em levar a vida. Como ele diria ” Vou indo. Sem muita bagagem. Pesos desnecessários causam sempre dores desnecessárias.” Isso. Dessa forma creio que vou longe. Quebrando paradigmas. Destruindo barreiras. Ultrapassando obstáculos sem olhar pra trás. Reconhecendo minha humanidade. Reconhecendo minhas limitações. E pedindo sempre a Deus, força e coragem suficientes pra continuar vivendo. Sem medo."
Ela em Minhas Entrelinhas
Os momentos que vivi com ela me mostraram
que pequenos detalhes fazem toda a diferença.
A ela contei minha vida,
a ela desabafei minha alma.
O tempo foi curto, mas intenso.
Ainda guardo, como se fosse hoje,
o primeiro almoço que tivemos juntos —
uma lembrança gravada na minha memória,
porque essa também é a nossa história.
Com ela, não fui um príncipe…
mas ela me entendeu.
Soube me colocar em um lugar
onde ninguém jamais me colocou.
Até meu aniversário ela lembrou.
Não fui o homem que ela esperava,
mas acredito que fui o homem por quem ela se apaixonou,
aquele a quem dedicou o seu amor.
Com papel e caneta, traduzo meus sentimentos.
E falando em sentimentos…
talvez ela não perceba,
mas existe uma parte dela dentro de mim.
Falar de alguém com quem vivi tão pouco,
mas que, de certo modo, me dominou,
é admitir que ela me conquistou.
A ela revelei segredos
que poucos sabem sobre mim —
e vindo de mim, isso é raridade.
Quero que ela saiba, através deste poema,
que não é em vão que escrevo estas palavras.
São sinceras.
E vêm do fundo do meu coração.
Pasquali
Nas entrelinhas me ensinou, Que amor em ti jamais brotou. “Sou livre, faço o que quiser, Não fico presa a um qualquer.”
Baixei minhas armas por amor, Falei de mim, mostrei minha dor. Você sorriu, tão desprendida. Pensei que eras minha flor querida.
Para além dos escritos
Apenas Deus
e as crianças
leem
nas entrelinhas,
no universo
dos olhos,
nos contornos
do coração.
Tudo decifrado
por vibração
e sentimentos,
no olhar,
nos movimentos,
nos batimentos.
Lendo nas entrelinhas no livro de nossa natureza constatamos que o "conhecimento" não nos livra da morte mas nos poupa de muitos contratempos durante a vida.
“Hoje a felicidade voeja leve, como uma brisa repleta de luz, cantando sorrisos nas entrelinhas do dia.” ©JoaoCarreiraPoeta.
É que me perdi dentro do meu próprio ego. Nas entrelinhas de palavras repetidas, vi que já não havia mais nenhuma outra palavra que pudesse me fazer voltar ao que era. [...]
Eu te li nas entrelinhas, onde o silêncio fala mais do que as palavras.
E ali, no espaço vazio entre um gesto e outro, descobri verdades que você tentou esconder.
Nada era bonito.
O que parecia brilho era apenas verniz, o que soava doce tinha gosto de amargura.
A sutileza dos detalhes me mostrou que a beleza que eu via era só reflexo, e não essência.
Às vezes, o amor engana os olhos, mas nunca engana a alma.
E a minha, ao decifrar o não-dito, percebeu que a beleza que restava era só cansaço e desengano, e que o encanto se quebrou no silêncio que você deixou.
Espelhos de Outro Tom
Eu sempre fui de observar o que não é dito,
De buscar nas entrelinhas o que o mundo ignora.
Acredito que o crescimento é um rito,
Que se faz de dentro para fora.
Não me perco em conversas rasas ou vãs,
Prefiro o peso de um pensamento bem posto.
Sou feito de ideias, de manhãs sãs,
E de encontrar o novo no que já foi exposto.
Vejo no tempo esse mesmo chão compartilhado,
Um gosto pelo que é denso, real e profundo.
Como se o universo estivesse ligado,
Ao mesmo tom de vibração que eu busco no mundo.
Sou um eterno aprendiz da própria jornada,
E noto que o universo também traça esse caminho.
Pois a melhor companhia, nessa estrada,
É quem sabe ser inteiro, mesmo estando sozinho.
Nas entrelinhas do horizonte, onde o dia se faz prece,
A natureza se veste de gala, num eterno florescer.
Cada pétala que se abre é um verso que Deus escreve,
No compasso silencioso de tudo o que escolheu viver.
------- Eliana Angel Wolf
Quando resolvemos enxergar, observamos que a beleza da vida está nas entrelinhas ....Amo a vida...amo viver..
Fidelidade não é apenas honrar o que foi dito é, sobretudo, honrar o que está nas entrelinhas de um compromisso inaudito.
O bonito do poema ou da poesia é quando não se fala o óbvio, mas deixa nas entrelinhas aberto para o entendimento do leitor, isso que torna poético.
Poesia intimista
É para quem sabe ler nas entrelinhas
Para quem furiosamente
Busca por sinais não convencionais.
A vida nunca foi feita só dos grandes acontecimentos.
Ela se revela mesmo é nas entrelinhas:
no cheiro do café que abraça a manhã,
no sol atravessando a janela,
no olhar que acolhe sem dizer uma palavra.
É um “tô aqui” sussurrado no silêncio,
um bilhete esquecido sobre a mesa,
um carinho que chega sem alarde — e permanece.
A vida pulsa nos detalhes que quase passam despercebidos…
mas são eles que fazem tudo valer a pena.
— Edna de Andrade
@coisasqueeusei.edna
