Entrega
Por um grande momento
fui entrega...
no final,
descobri um grande engano!
Resolvi acalmar meu coração
e segui sem olhar
para trás...
eis que encontrei a paz!
A paz é uma estação toda divina, mas feita para todo homem e o homem todo.
Só Cristo entrega a perfeita paz.
O amor que nos completa é o mesmo que nos consome; viver com quem se ama é entrega, mas não poder viver sem é cativeiro.
Entrega Escrita
Com palavras corriqueiras, eternizo-me no teu agora.
Não faço sentido se não estiver escrito.
Lê-me, relê-me.
Lembra de mim quando pegares no papel.
Sou tua folha e tua tinta.
ENTREGACIONISMO × CONTROLE
O confronto entre a entrega e a dominação do existir
Há duas forças que atravessam silenciosamente a experiência humana: o impulso de se entregar e a necessidade de controlar. Nenhuma delas é neutra. Nenhuma é inocente. Ambas disputam o centro da existência.
O Entregacionismo nasce como reação. O controle nasce como medo. Entre esses dois polos, o sujeito tenta sobreviver.
I — O CONTROLE: A PROMESSA DE SEGURANÇA
O controle surge como resposta ao caos. Ele organiza, delimita, estrutura. É o esforço humano de transformar o imprevisível em algo administrável. Através dele surgem normas, sistemas, crenças, rotinas, morais.
Controlar é tentar garantir continuidade.
O problema não está em sua origem, mas em sua ambição.
Quando o controle deixa de ser ferramenta e passa a ser finalidade, ele se torna tirânico.
O controle promete:
* segurança
* estabilidade
* previsibilidade
* proteção contra o erro
Mas cobra um preço alto:
a renúncia à experiência viva.
Sob o domínio do controle, o sujeito passa a existir como projeto. Mede-se, compara-se, vigia-se. O erro vira falha moral. O desejo vira ameaça. A dúvida vira pecado.
O controle não suporta o imprevisível — e a vida é, por natureza, imprevisível.
II — O ENTREGACIONISMO: A RECUSA DA DOMINAÇÃO
O Entregacionismo nasce quando o sujeito percebe que o controle não o salvou.
Não é um grito de revolta, mas uma lucidez tardia. A constatação de que nenhuma estrutura conseguiu conter o caos interno, nenhuma promessa garantiu sentido, nenhuma disciplina impediu a perda.
Entregar-se, aqui, não é desistir.
É abandonar a ilusão de domínio.
O entregacionista não rejeita a responsabilidade, mas recusa a tirania do planejamento absoluto. Ele entende que a vida não se deixa capturar por esquemas.
A entrega é um ato de coragem porque exige aceitar:
• a incerteza
• a impermanência
• a fragilidade
• a ausência de garantias
Enquanto o controle tenta congelar o mundo, o Entregacionismo aceita o fluxo.
A vida não entrega manual, só sinais cifrados. Cada um decifra como pode, tropeçando, rindo, sangrando e celebrando. Quem entende essa dança torta descobre que o segredo nunca foi seguir o caminho certo, e sim trilhar o seu com tanta verdade que até o mundo precisa parar um instante para processar.
Mãe
Ela é pão na mesa e o teto no temporal. Há quem chame de cansaço, ela chama de entrega.
Sua armadura é feita de preces e paciência.
Mãe: é um exército de um só coração.
Um beijo bom é certeiro, mesmo que escolha ser devagar. É generoso, úmido, uma entrega sem medo. É sem pressa, que ignora o tempo e se perde no escuro, já que os olhos estão fechados. É aquele que você não consegue parar. É o que prende a sua mente, sem deixá-la voar para outro lugar. E, no fim, é o beijo na pessoa que você ama de verdade.
Beijo ruim existe: sem sentimento, muito polido, cheio de cuidado, rápido, seco. Mas uma coisa é certa: são sempre duas pessoas que o deixam frio ou quente. Todo mundo pode beijar bem — é só encontrar a boca certa.
"Compreendendo que tudo vem de Deus, a posse perde a razão e a entrega é exaltada " .
Márcos Frèitas
A vida não nos dá apenas experiências; ela nos entrega lições, porque tudo o que se vive, se aprende, e tudo o que se aprende, nos transforma.
"Estamos saindo da era da entrega de informação para a arquitetura de diálogos inteligentes"
(PERRONE FILHO, 2023).
"O projeto de design instrucional moderno deve prever não apenas a entrega de conteúdo, mas o aprimoramento das competências tecnológicas do educador. Não basta transpor a aula física para o vídeo; é necessário redesenhar a experiência pedagógica focando na usabilidade, na acessibilidade e na interatividade que as novas mídias permitem."
(PERRONE FILHO, 2019)
Não é pressa,
é necessidade.
Não é entrega,
é instinto.
Quando te chegas,
meu corpo se curva em silêncio,
porque deseja ser lido devagar,
linha por linha,
até que o desejo transborde
e não reste nada além de nós.
O bom empregado se reconhece pelas soluções que entrega à empresa, não pelas fofocas que leva ao patrão.
Rico e pobre.
A diferença vem na morte,
Que qualquer hora pode chegar.
E entrega a própria sorte,
Qualquer um que ela venha buscar.
Sabedoria que não se entrega, se atrofia.
Quem teme compartilhar por perda de controle destrói a personalidade de quem perde a oportunidade de aprender.
O cérebro evolui a cada dilema racionalmente resolvido.
Uma sociedade bem resolvida pratica o bem comum. Qual mundo o egoísta deixa para seus filhos? Vai confiar neles para o futuro dos seus filhos?
Bilionários não estão planejando seu futuro, estão criando estratégias de controle.
Quem não se responsabiliza pelo futuro da sociedade através da atitude altruísta de um líder, é um traidor.
"Amei com a fúria de quem entrega as chaves e esquece de ficar com uma cópia.
No zelo de ser cais para o outro,
naufraguei em mim, deixando minha própria margem ao relento.
Odeio o rastro que os fins deixam:
esse eco de portas batendo em casas que ajudei a construir,
mas onde nunca fui o dono.
O medo, esse velho cúmplice, sorri no canto da sala,
lembrando-me de que, entre tantos 'adeus' que dei aos outros,
o mais doído foi o que sussurrei para o espelho."
