Entrega
A poesia não se pega e não se entrega com facilidade, se conquista ou adquiri o Don de concedê-la não é só um jogo de palavras e sim o sentimento de um poeta que define a segurança de causar beleza ao coração amado.
O amor não conhece a dor
porque escolhe curar em vez de ferir.
Não se entrega ao desespero,
pois sabe que até a noite mais longa
se rende ao amanhecer.
A fúria furiosa não habita seu cronograma,
o amor não tem presa para machucar,
ele aprende o tempo do silêncio,
o valor da espera
e a coragem de permanecer.
O amor não abandona quem acolhe um abraço.
Ele fica quando tudo treme,
segura a mão cansada,
encosta o coração no outro
e diz, sem palavras: estou aqui.
Amar é resistir sem endurecer,
é ser abrigo em meio ao caos,
é escolher ficar inteiro
mesmo quando o mundo insiste
em partir as coisas ao meio.
O amor é verdadeiro
Sem mascara sem rótulo
A um propósito maior
O amor ama quando o amor chora.
Quem se entrega ao peso do amanhã, talvez ainda não tenha descoberto o tesouro escondido no agora; pois o presente é o único lugar onde a vida se desdobra em sua plenitude.
Deixe-me notar em seus
olhos seus desejos aflorados,
e a timidez esquecida...
Entrega-me teu corpo,
com o coração acelerado
e um sorriso safado,
Conceda-me teu desejo
com a mão na cintura
sussurrar ao teu ouvido
a arrepiar tua nuca...
Rendasse ao meu amor...
(Mário Luíz)
A entrega final não é desistência. É descanso consciente.
É confiar não porque tudo faz sentido, mas porque você já provou que lutar sozinho só te esgotou. Entregar-se a Cristo é permitir que Ele sustente o que você não consegue mais carregar
O universo nos entrega exatamente o que buscamos, mas somente quando já somos capazes de sustentar o peso do que sonhamos. Quem pede e não se prepara, frustra-se; quem se prepara, reconhece. Assim, antes de esperar que a vida mude, é preciso que mudemos o espaço interno onde a mudança irá morar. Cada conquista exige braços abertos, alma desperta e a coragem de não permitir que ninguém — nem mesmo nós — roube aquilo que nasceu como sonho e cresce como realidade.
Merecimento
Não existe esse papo de “o que é pra ser, vai ser”,
A vida não entrega nada sem você se mover.
É suor, é mudança, é ter peito pra lutar,
É pedir desculpa quando erra e se esforçar.
O mundo não gira só no seu querer,
As chances não esperam, podem se perder.
O tempo não volta, a maré não repete,
Ou você se faz digno, ou a vitória não se mete.
Quem cruza os braços vê o sonho morrer,
Quem age com coragem faz o destino nascer.
Não é sorte, não é acaso, é merecimento,
É plantar no silêncio e colher no momento.
"A coragem nasce no silêncio da oração, quando o coração se entrega ao Criador.
Não temo muralhas nem tempestades,
pois a luz divina me veste como armadura."
Confie em Deus e entrega-lhe suas preocupações e anseios por meio das mais sinceras orações. Tenha a certeza de que Ele ouvirá cada palavra e iluminará teu caminho com sua infinita sabedoria. Nesta noite, não há espaço para temores ou inseguranças, somente para fé e confiança na divina proteção que nos envolve...
- Edna Andrade
Hoje eu li um livro abstrato
Contava o que o amor foi para mim
Lembrei de minha entrega completa
De como eu acreditei no outro
E idealizei e sonhei
Com virtudes nobres
Amar era habitar um céu
Que eu criei com ilusões
Em um mundo injusto
O amor era redenção
Em algum lugas na terra
Pessoas se amam e são felizes
Eu precisava de céu,
Eu sonhava com o paraíso.
Mas no capítulo seguinte
O livro dizia
Pessoas nao são virtudes
Idealizadas
Pessoas são humanas
Com qualidades e defeitos
E podem te machucar profundamente
Eu perdi o céu
Eu perdi o paraíso
Eu perdi a ilusão
Que o amor me faria feliz
E não chorei
Apenas concordei
Com um silêncio profundo
O terceiro capítulo dizia
Você pode prescindir do amor
Você pode ser feliz
Admirando uma obra de arte
Sentir as flores desabrochar
E sentir uma paz inominável
Que talvez você não saiba nomear
Eu fechei o livro
E escrevi uma poesia
Falando que a felicidade
É simples e silenciosa
Como fazer carinho
Em um animal dormindo
O livro abstrato do amor
Tinha três capítulos
Mas minha biografia
Escreve tranquilamente
Mais de dez livros.
Eu não preciso do amor
Para ser feliz
Preciso da sombra de uma árvore
E da beleza de um livro
E refleti sobre os felinos
E vi que eu amo
Mais gatos
Do que pessoas
E sorri
Como quem
Realmente entende
Aos amores do passado
Um reverência respeitosa
E uma despedida
Que não olha para trás
Sinto-me plena e inteira
Amando a delicadeza
E beleza dos felinos
E assim termina
O livro abstrato do amor
Reverência e adeus
Por um grande momento
fui entrega...
no final,
descobri um grande engano!
Resolvi acalmar meu coração
e segui sem olhar
para trás...
eis que encontrei a paz!
A paz é uma estação toda divina, mas feita para todo homem e o homem todo.
Só Cristo entrega a perfeita paz.
O amor que nos completa é o mesmo que nos consome; viver com quem se ama é entrega, mas não poder viver sem é cativeiro.
Entrega Escrita
Com palavras corriqueiras, eternizo-me no teu agora.
Não faço sentido se não estiver escrito.
Lê-me, relê-me.
Lembra de mim quando pegares no papel.
Sou tua folha e tua tinta.
ENTREGACIONISMO × CONTROLE
O confronto entre a entrega e a dominação do existir
Há duas forças que atravessam silenciosamente a experiência humana: o impulso de se entregar e a necessidade de controlar. Nenhuma delas é neutra. Nenhuma é inocente. Ambas disputam o centro da existência.
O Entregacionismo nasce como reação. O controle nasce como medo. Entre esses dois polos, o sujeito tenta sobreviver.
I — O CONTROLE: A PROMESSA DE SEGURANÇA
O controle surge como resposta ao caos. Ele organiza, delimita, estrutura. É o esforço humano de transformar o imprevisível em algo administrável. Através dele surgem normas, sistemas, crenças, rotinas, morais.
Controlar é tentar garantir continuidade.
O problema não está em sua origem, mas em sua ambição.
Quando o controle deixa de ser ferramenta e passa a ser finalidade, ele se torna tirânico.
O controle promete:
* segurança
* estabilidade
* previsibilidade
* proteção contra o erro
Mas cobra um preço alto:
a renúncia à experiência viva.
Sob o domínio do controle, o sujeito passa a existir como projeto. Mede-se, compara-se, vigia-se. O erro vira falha moral. O desejo vira ameaça. A dúvida vira pecado.
O controle não suporta o imprevisível — e a vida é, por natureza, imprevisível.
II — O ENTREGACIONISMO: A RECUSA DA DOMINAÇÃO
O Entregacionismo nasce quando o sujeito percebe que o controle não o salvou.
Não é um grito de revolta, mas uma lucidez tardia. A constatação de que nenhuma estrutura conseguiu conter o caos interno, nenhuma promessa garantiu sentido, nenhuma disciplina impediu a perda.
Entregar-se, aqui, não é desistir.
É abandonar a ilusão de domínio.
O entregacionista não rejeita a responsabilidade, mas recusa a tirania do planejamento absoluto. Ele entende que a vida não se deixa capturar por esquemas.
A entrega é um ato de coragem porque exige aceitar:
• a incerteza
• a impermanência
• a fragilidade
• a ausência de garantias
Enquanto o controle tenta congelar o mundo, o Entregacionismo aceita o fluxo.
A vida não entrega manual, só sinais cifrados. Cada um decifra como pode, tropeçando, rindo, sangrando e celebrando. Quem entende essa dança torta descobre que o segredo nunca foi seguir o caminho certo, e sim trilhar o seu com tanta verdade que até o mundo precisa parar um instante para processar.
