Entenda como Quiser So Nao me Julgue
... um
paradoxo
assaz curioso: quanto
mais percebo e me aceito
como sou, tanto mais e melhor
revisto-me de forças
e motivos para
mudar!
... o que
devemos entender
como a 'Verdade', refere-se
a soma de doisexpressivos
e impermutáveis fundamentos:
o concebível e o inconcebível - todo
resto, meus amigos, trata-sede
entediante falatórioe
vistagrossa!
... como
demonstrou Jesus, o Cristo:
somente colocando nossas
'mãos na massa' do pleno viver, é
quepercebemos não somente a sua
consistência - mas, toda ciência e
autoestima que nos
propicia!
Receituário íntimo:
... como
um eficaz antídoto
a qualquer desilusão: doses
cavalares de autoestima!
Devolva-se ao prazer
de estar e viversob
a própria
pele!
... na luta
pelo aperfeiçoamento
como espíritos em acentuada
feitura, a dúvida - longe de ser
considerada como incômoda
deformidade - trata-se de um direito;
uma portaentreaberta
à grandiosidade
da vida!
... nossa
Constituição, outrora
reconhecida como fidedigna
tutora da ordem e equidade,foi
reduzida a mero objeto de uso
pessoalde quem, dizendo-se
igualitário, jurou
assegurá-la!
... perdoar,
como bem elucidou
Jesus, o Cristo, é contrariar
próprias gafes e imprudência;
ao desfazer amarras que dúbias,
inflexíveis, aprisionam nossa índole,
suscitando renovados e marcantes
espaços a nossa magnitude
e desenvoltura de
espírito!
... a consistência
que tanto buscamos
virá de toda a inconsistência
que - como linhas tortas, segundo
os antigos -nos desafiam;
tentando obstruir tão marcante
e libertadora solidez
de espírito!
... mesmo
uma breve estória
ecoará como expressiva
fração de uma estória maior,
em que, sempre chegamos no meio
e, dela uma vez mais sairmos;
e outra vez retornarmos,
sem que jamais
termine!
... a maioria
esmagadora daqueles ou
daquilo considerado como
'classe política', é composta de seres açucarados, conversadores - que
muito polemizam, contestam,
tudo prometem - no entanto,
dificilmente, entregam
o produto!
... ao deixar
o túmulo vazio, como
registram as sagradas escrituras,
na verdade, Jesus, o Cristo, não
venceu a morte - em vez disso,
nos revelou a confortante
e soberana imortalidade
do espírito!
... como
é fácil a vida, quando
mostra-se fácil - e quão difícil é,
quando nos dificulta, delimita...
Embora, a grande questão, consista
em diferenciar o que cada situação
possa oferecer como justa
melhoria aos nossos
espíritos!
... o espaço
reservado as nossas
mais secretas afeições e
interesses como espíritos, é
sempre restrito, limitado - visto que,
jamais abraçaremos o mundo - e
mesmo ele, o mundo, num gesto
improvável, somente a nós
privilegiará!
... de fato, muitos
ainda, aqueles quetratam a
eternidade do espírito como algo
improvável -embora, permitam-se a ver,
ouvir, tocar, provar, planejar - a intensamente
viver como se nadapudesse ter fim...
Seria essa uma contradiçãoou a feliz
constatação de um 'gene supremo' que
veladamente embutido em cada Ser
vivente, permite que a vida,tanto cá,
quanto lá, simplesmente aconteça:
aconteça o que
acontecer!
Aqui eu ouço os que assim como eu, já caminharam entre a dor e a fé.
Assim como eu, tiveram a infância roubada, mas que ainda à esperança e que persistem.
E a todos os que, mesmo em silêncio, continuam lutando para existir.
O cachorro come seus sapatos, porque ele tem medo de que você vá embora, assim como um cão ansioso agarra-se ao que tem para evitar abandono, percebo que minhas próprias angústias me fazem agarrar memórias dolorosas como forma de tentar controlar algo que nunca pude, entender esse
comportamento me ajuda a enxergar que a doença mental, às vezes, gera ações aparentemente irracionais motivadas pelo medo de ficar completamente só.
As pessoas são cruéis, elas têm medo de tudo que é diferente, porque a gente revela como elas são absurdamente iguais e entediantes, meu corpo marcado pelas sequelas e meu discurso melancólico mostram a quem me observa que a vida é dura, e isso assusta quem prefere ignorar qualquer desconforto.
Ao me ver diferenciado, projetam insegurança, ofendem-me até que eu me cale, e só depois percebem o quanto a uniformidade que tanto prezam aprisiona todos numa ilusão de normalidade.
As notas de Tchaikovsky tocam minha dor, como se conhecessem minhas cicatrizes. No caos da vida, sua música dá forma à angústia e por um instante, ela dança.
Sempre fui melancólico, como Chopin. Ele chorava em teclas, eu, em palavras. Sua dor virou partitura, a minha, tinta nos ossos.
Nesse espelho triste, reconheço a linhagem dos que sentem demais
e transformam a dor em arte.
Reconstruir-me foi o mais doloroso dos trabalhos. Após o AVC, era como montar um quebra-cabeça… sem saber se todas as peças ainda existiam. Cada palavra reaprendida, cada passo ensaiado, foi uma batalha contra a fratura da minha identidade. E essa reconstrução… não era só do corpo, mas da alma: repostar a autoimagem onde antes… só havia ruínas.
