Entenda como Quiser So Nao me Julgue

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Nasci com um cansaço atávico, como se minha alma carregasse o peso de séculos e a esperança estivesse permanentemente em débito.

Guardo um grito educado que pede licença para ecoar. Como ninguém responde, ele fez do meu peito sua morada definitiva.

Há dias em que a existência se manifesta como dor física, cada respiração é um lembrete de que ainda estou na arena.

Meus pensamentos são como pássaros de chumbo que tentam voar em direção ao sol, mas acabam sempre caindo no quintal da melancolia, com as asas feridas pela gravidade. Eu os recolho um a um, cuido de suas penas e espero o dia em que o peso se transformará em fôlego.

Minhas frases são como cartas colocadas em garrafas e jogadas no oceano da internet, sem saber se chegarão a alguma praia ou se afundarão no esquecimento. Se você está lendo isso, saiba que não está sozinho no seu naufrágio pessoal, eu também estou à deriva aqui.

Gostaria de saber transformar minha dor em lucro, como fazem os palestrantes de palco, mas minha melancolia é um artigo de luxo que não está à venda. Ela é o que me mantém humano em um mundo que quer nos transformar em algoritmos de consumo e produtividade.

Há dias em que a única coisa que me mantém de pé é a curiosidade de saber como será a próxima frase que a minha dor vai ditar para a minha mão. Sou o primeiro leitor da minha própria tragédia, assistindo ao espetáculo com a fascinação de quem não sabe o final.

Minhas cicatrizes criaram relevos na minha pele que funcionam como o Braille da minha história, permitindo que eu me leia no escuro quando perco a visão do futuro. Cada marca é um capítulo, cada mancha é um erro que eu não trocaria por perfeição nenhuma.

A depressão é como um nevoeiro que entra pela janela aberta e apaga as cores do jardim, deixando tudo com um tom de cinza-hospitalar que nos tira o apetite de viver. A gente aprende a tatear os móveis e a caminhar no escuro, esperando que o sol decida voltar das suas férias eternas.

Chopin tocava o piano como quem acaricia uma ferida aberta, buscando a nota exata que fizesse a dor se transformar em beleza sonora. Eu tento fazer o mesmo com as letras, buscando a palavra que faça o meu peito parar de arder por alguns segundos de leitura silenciosa.

Há uma tristeza que é hereditária, que vem no sangue como uma herança maldita de antepassados que também não souberam o que fazer com a própria vida. Eu tento quebrar essa corrente usando a poesia como um alicate, cortando os elos de amargura que tentam me prender ao passado.

Sigo pela vida como quem atravessa campos desconhecidos, guiado mais pelo instinto do que pela certeza, aprendendo que nem toda busca termina em conquista. Há batalhas que travamos em silêncio, onde o verdadeiro troféu não é vencer, mas suportar o peso de continuar mesmo quando tudo parece perdido.
Carrego nos ombros as marcas de cada tentativa, não como derrota, mas como prova de que resisti quando o mundo esperava minha queda. E entre erros e acertos, compreendi que a vitória nem sempre está no resultado, mas na coragem de permanecer de pé diante do inevitável. Porque no fim, a verdadeira caçada é contra nós mesmos e sobreviver já é, por si só, a mais difícil e silenciosa das vitórias.


- Tiago Scheimann

No fim, sobrará apenas esse amontoado de letras que eu deixei espalhadas pelo caminho, como migalhas de pão que não serviram para eu voltar para casa, mas que talvez alimentem a alma de algum outro pássaro ferido que passar por aqui. Se a minha dor serviu de consolo para a sua, então valeu a pena cada gota de tinta.


- Tiago Scheimann

Às vezes, meus passos ecoam no vazio da minha alma, como se cada movimento fosse um sussurro de quem insiste em existir mesmo quando tudo grita o oposto.

A tristeza vem como uma estação implacável, sem aviso, sem pausa e nos deixa com as mãos frias, tocando lembranças que nunca se foram.

Eu me tornei alguém que observa mais do que vive, como se estivesse sempre um passo atrás da própria existência, avaliando cada emoção antes de permitir que ela me atravesse, mas sempre algo escapa… e talvez seja isso que ainda me mantém humano.

Eu aprendi a sorrir como quem esconde evidências, arquivando sentimentos em lugares que nunca deveriam ser revisitados, porque algumas verdades não libertam, elas desmontam, e ainda assim, algo em mim insiste em reconstruir.

Se o sentido precisa ser criado, então ele nasce frágil, vulnerável a qualquer ruptura, como algo sustentado por certezas que nunca foram sólidas, e talvez seja isso que torna tudo tão instável e humano.

Eu me tornei um observador da própria dor, como se houvesse uma distância entre quem sente e quem entende, e talvez seja isso que me mantém funcional, porque sentir tudo diretamente seria insuportável.

A tristeza me ensinou padrões que a felicidade nunca revelou, como se cada queda deixasse um registro interno, e cada erro fosse analisado em silêncio, mas ainda assim, algo permanece imprevisível: a esperança.