Enquanto o Sol Brilhar
Tapioca
Com suas mãos sofridas e negras,
A goma molhada é esfarelada
Enquanto me fala da vida...
E nela algo me diz,
Que a áfrica é Vó de todos os brasileiros,
A fécula repousa,
O descanso que os negros não tiveram,
Mas minha Vó tem o sorriso,
Tem o prazer pela vida,
Que correntes, troncos e rebenques não lhe tiraram...
O leite de coco, feito com esmero
Corre entre seus dedos,
Ralado e esmagados por mãos potentes;
Enquanto a tapioca é assada,
Ela me fala com certa nostalgia,
De um amor do passado,
Nesse momento os olhos
De vovó são como o lago,
Mas nenhum guerreiro mostra o seu lado fraco
E quando a tapioca cheira, ela pega a frigideira
E no movimento rápido vira a tapioca,
Então me olha com carinho, neste rico país
Que ela ajudou a construir;
Morando sob uma humilde casinha de taipa,
De piso morto, ela ainda é feliz...
TADEU G. MEMÓRIA
ENQUANTO O CIRCO PEGA FOGO
Já fui palhaço em algum carnaval
E aprendi a sorrir quando o circo pegava fogo,
Descobri que os palhaços não são felizes,
Descobri que os palhaços não são engraçados,
Descobri que são solitários
E se escondem atrás de um sorriso,
Descobri que se arrependem
Do que dizem e do que deixam de dizer,
Descobri que se arrependem,
Do que fazem e do que deixam de fazer
Descobri que também já fui palhaço...
CRIANÇA
Enquanto eu não escrevo o verso
eu não me reinvento,
Porque ao contrario do que penso,
Eu sou sistemático e perverso,
Enquanto eu não escrevo
o poema eu não aconteço
Porque o silêncio e uma granada
Assim como a própria terra
espera o seu tempo pra explodir
Por isso antes de mais nada
me da teu seio
Como se eu fosse uma criança
Me da a esperança
De acreditar e prosseguir
Isso completa a minha estrofe
Depois eu ateio fogo em Roma
E ponho a culpa em Nero...
OUTROS SONHOS
Enquanto a aranha tece sua teia
No porão, eu penso a caminhar
Sobre as campinas,
Passando por cima da minha emoção,
Voltando ao passado,
Derrubando edíficios,
Que agora cercam a minha visão,
Operários bem equipados,
Bem aparelhados,
Erguem torres e coberturas,
Improvisam um elevador,
E a igrejinha do meu casamento,
Onde com tanto srntimento,
Jurei meu amor,
Sua única torre ameaçada por um guindaste,
Enquadrada por andaimes,
Badala seu sino,
Agora abafado por tantas paredes,
E nos campos, onde floresciam meus sonhos,
E eram verdes como as campinas,
Embalados por passarinhos,
Que emigraram para outros campos,
Para compor outros sonhos...
ENQUANTO HOUVER SONHOS
Ontem ela virou a esquina como se fosse dona do mundo, levou a lua e a estrelas com seu magnetismo, e eu fiquei ali com um copo e os meus fantasmas; éramos anjos do mesmo éden, ela seguiu com a luz e eu fiquei comigo mesmo e a noite; falavam de corrupção, insegurança, criminalidade; todas essas coisas que a gente vê diariamente na mídia, e particularmente eu tinha solução paratudo isso. para combater o tráfico e a fragilidade do sistema carcerário; estávamos todos ali diante de um jogo de dama e um dominó; de vez em quando uma o outra piada sobre as preferencias clubísticas de um ou de outro, sobre deslizes e infidelidades de alguma esposa e brincávamos com coisas seriíssimas, como se fossem banalidades; como se aquilo não abalasse nossas estruturas emocionais.
Tomei mais algumas doses e cantarolei alguns boleros, como se assim, ninguém percebesse como me abalou a sua altivez, a sua aura, sua indiferença. Ela passou como um cometa, como se fosse parte integrante do sistema planetário; como se sua presença fosse parte indispensável à harmonia etérea . fiquei ali doendo a minha insignificância, tolerando sorrisos fáceis e palavras levianas; um falatório gratuito sobre a essência corrupta e indolente do nosso povo; sem o idealismo nato por honra e dignidade; afinal era o que me restava; mudo fiquei com minha mágoa, jamais falaria dessa paixão, e então a vida continuaria insignificante... não, não; jamais a vida seria insignificante enquanto houvesse sonhos e paixões; mesmo aqueles estavam ali, ébrios e desesperados, amuados com suas crises e seus vícios; desesperançados, mas se houvesse sonhos e paixões... se houver sonho provavelmente há paixões. O sonho faz orvalhar em qualquer deserto; paixão e sonho frutifica em qualquer solo. Ontem ela virou a esquina como se fosse um sonho; orvalhou sobre a minha paixão... parecia indiferente, mas era só dissimulação, era um jogo; o jogo jogo que me trazia aquela ansiedade, o jogo irresistível e fascinante do amor.
E quando a madrugada está fria? Quando o mundo está em silêncio? Enquanto as pessoas descansam e você se perde na sua mente, existe calma?
O mundo inventado é tão difícil...
Talvez as madrugadas sejam a única parte real de viver. Eu estou viva? Por isso perco o sono?
O que te acalma?
0:00 (meia noite).
Não consigo dormir, acho que perdi a noção do que é real e do que eu inventei.
O que me acalma?...
Não vou dormir, não quero morrer!
Maryhn, se acalma.
Estimular o bom humor, sorriso, alegria, harmonia, amor e a esperança nos outros, enquanto você, o estimulador, está exatamente na contramão do que estimula, é ser um grande ator, digno de um Oscar e de pontos com o Criador pela nobreza de espírito.
Enquanto governantes e Estados estiverem negociando economicamente o elixir da vida – a vacina – o vírus continuará se alterando, desenvolvendo outras cepas, fragilizando o conhecimento humano. Enquanto o ser humano se preocupar com seu status de ter por meio da dor alheia, ele mesmo será derrotado pelos ensinamentos do universo até que compreenda a sua pequenez humana.
Nada Vale mais a pena do que compreender o sentido da vida enquanto estamos ao lado de quem amamos.
Cuida da tua mina vacilão, enquanto tu ta ai machucando pode ter outro cuidando dela e fazendo ela se sentir feliz, da maneira que você não faz!
Enquanto o mundo tecnológico evolui a terabytes, eu totalmente conectada ao mais significativo dos sistemas.... pés descalços, colhendo seriguela e me deliciando; bisbilhotando a vida dos novos inquilinos do imóvel na planta....isso é que é sonho de consumo que me satisfaz...
ENQUANTO ESPERO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Há um beijo guardado em minha boca,
uma roupa largada no meu corpo,
para quando minh´alma o tiver nu
junto ao seu; à nudez de suas formas...
Entre pela janela dos meus olhos
e me assalte, o controle é todo seu,
para irmos ao céu das sensações
que só tenho comigo, enquanto espero...
Os meus poros reservam salsa e sal
que temperam a minha solidão
nesta nau ancorada em suas águas...
Tem um triste gemido este prazer
de sonhar e saber que só é sonho;
que me ponho pra mim em seu lugar...
MINICRÔNICA DA BIRRA HUMANA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
No momento não queres. Por enquanto. É que agora não tem mais graça, porque dá. E dando, é aquele caso... a velha máxima do dá e passa.
Até há pouco, era grande o querer. Querias muito; com força e tino. Entretanto, era destino inatingível. Dos mais distantes. Muito além da mão que se alongava para um rumo abstrato.
Certamente o seu não seria sim, se o mundo inteiro; se a própria vida... se tudo ainda dissesse não.
MINICRÔNICA DA BIRRA HUMANA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
No momento não queres. Por enquanto. É que agora não tem mais graça, porque dá. E dando, é aquele caso... a velha máxima do dá e passa.
Até há pouco, era grande o querer. Querias muito; com força e tino. Entretanto, era destino inatingível. Dos mais distantes. Muito além da mão que se alongava para um rumo abstrato.
Certamente o seu não seria sim, se o mundo inteiro; se a própria vida... se tudo ainda dissesse não.
ENQUANTO POETA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Quem julgar que me sabe por meus textos,
meu estilo, a conduta literária,
minha mente operária da palavra
que abarrota cadernos; vão pro mundo...
Saberá quase nada sobre mim;
quando muito, que sou alguém sensível,
mas no fim da certeza de quem sou
nada mais achará que me anuncie...
Um poeta está muito e pouco é,
dura o tempo fugaz de cada verso
no qual sente o que sente pra compor...
Seu amor vira mágoa, mágoa riso,
sua meta se atinge pra não ser
e não ser se compõe no ser poeta...
ESPONTÂNEO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Sou entrega
enquanto sinto acolhimento...
nunca fui arrombamento.
