Engano de Amor
No descanso de uma rede
diante de uma bonita vista
o coração canta o meu nome
com amor e toda a maior folia.
Na Ilha Bacolet entre nós
o quê impera é o encanto
e a música que nos traz
balanço é a que vem do mar.
A cada dia é um dia para não
pensar outra coisa na vida
a não ser amar ou amar.
Não temos mais o quê se
preocupar a busca mítica
nunca mais vai nos ocupar.
Ir pelo Arquipélago das Granadinas,
permitir que o Mar do Caribe
me leve descobrir se amor existe
e não deixar que nada me domine.
Próxima da Mushroom Island
em Granada estar pronta
para um novo embarque que
me leve ser a sua tripulante.
Para juntos navegar no mar
do nosso amor e deixar que
o mundo lá fora nos deixem amar.
O quê importa é só quê fica,
e preservar o melhor é o quê importa
para quando chega a nossa hora.
Deslizando do mar do destino
embarcação feita para dois
e vivendo nosso amor bonito
rumo sereno à ilha perdida.
Em La Blanquilla sem querer
mais nada desta vida,
no paraíso desabitado
nos tornar parte da poesia.
O quê realmente importa
sempre chega na hora,
e sem nenhum impedimento.
O amor como oceano cabe
na embarcação leve do peito,
e com ele sempre tem um jeito.
Meus passos de Maracatu
são filhos de Cambinda,
Assim como o meu amor
que nasceu do teu olhar
me seguindo com folia,
Não preciso aos Santos
consultar e nem fazer magia.
O sentimento de desembarque
de um romance que tudo foi feito
para que o amor sobrevivesse
não conhece mais o regresso.
Agora só cabe é deixar-se levar
pelas correntes do Mar do Caribe
e na Ilha de Fraile Grande aportar
e nem mais para o relógio olhar.
Quem escolheu desdenhar
ficou lá para trás e no seu
devido lugar nunca irá mudar.
O quê realmente importa é estar
onde de fato há um amor que verdadeiramente se permita amar.
No alto do Pelô eu vou
encontrar o teu amor,
como se encontram
os blocos que fazem
a gente dançar sem parar,
com você é que eu vou
pirar sem me preocupar.
O quê fez o Samba Reggae
nascer parece até com
tudo o quê fez o meu
amor por você só crescer
como quem vira a noite
só para ver o sol nascer.
Isso tem tudo a ver com Axé
com muito suingue para lá,
e tem tudo a ver com Axé
com muita emoção para cá;
e se você me pedir para ficar,
eu fico sem pensar em voltar.
Com o ritmo do mar,
com o samba de roda
fazendo a gente requebrar,
seduzir e nos amar
com o doce merengue,
o tempero da salsa
e a bênção do candomblé,
foi assim que
o Samba Reggae surgiu,
e fez eu aprender no teu amor a ter fé.
Do samba o pagode nasceu
deste sangue africano
que no Brasil aqui floresceu,
E a paz e o amor nas rodas
fez a gente se encontrar,
O meu coração não
para nenhum minuto
de pagodear em busca do teu,
Meu truque lindo do destino
que ainda haverá de ser meu.
Embalo as auroras
do amor no peito,
soberana do meu
próprio silêncio.
Enheduanna está
em mim mais
viva do que nunca
sob a divina Lua.
Vestida de poesia,
por ela sou regida,
pela Via Láctea
e seus sons de lira.
O Sol que rege
o seu destino
na minha direção
de mim se aproxima.
As caravanas passam,
as horas seguem,
os rebanhos rumam
e o amor se ergue.
O Universo traça
o trajeto no oculto,
não há nada mais
que adie o quê é absoluto.
Como um Araticum
buscar florescer e frutificar
na beirinha do riacho
tranquilo do teu amor,
E multiplicar o desejo,
me render ao abraço sedutor,
expandir o fascínio,
a mútua conquista celebrar
e em ti escrever poemas sobre amar.
Buscar Cajás frescos
para te seduzir,
Te beijar com
poesia para o teu
amor encontrar,
E quem sabe um
dia a gente se casar.
O Camboatá-Branco doa
a sombra poética e inspira,
Te quero com amor
e sempre com toda energia,
De longe já percebo
que me deseja como companhia
não só para um momento,
e sim para toda a nossa vida.
Causar ciúmes
estraga o amor,
Prefiro ser
a poetisa dos seus dias,
Florescer de alegria
como a Cina-Cina
e para que você
não pense por nenhum
segundo me perder.
Se for correr atrás
do amor que seja
ao redor de uma
Pitangueira cheia
de pitangas doces,
E no final ganhar
muitos beijos
como recompensa
O seu amor tem sabor
de Grumixama Amarela,
Foi ele quem me fez poeta
e nunca mais consegui
colocar os meus pés na terra.
Garopaba
No lugar abençoado
onde vivia o Índio Carijó,
o amor da tua gente não me deixa só.
Na terra de praias tão belas
onde guarani era a tribo,
nas areias escrevi o meu destino
e resolvi permanecer contigo.
Em pleno Descobrimento do Brasil
viraste abrigo para fugir do temporal
e enseada de barcos
em pleno paraíso austral
da gloriosa Pindorama Nacional.
Com a vinda da maioria
dos açorianos oriundos da terceira
ilha tu encantaste com toda
a maravilha e se tornou
Armação de São Joaquim de Garopaba
e depois a freguesia que virou vila.
Garopaba, minha cidade linda,
que antes era uma armação baleeira
e virou santuário da baleia franca,
um sopro magnífico de esperança
no coração de quem crê
na força da vida com o mesmo
olhar puro de uma criança.
Garopaba, minha enseada poética,
a tua gente a minh'alma abraça
e com gentileza o meu coração leva;
a tua História, os teus sabores
e tua Natureza preenchem
com toda a beleza e dão sentido
para a minha própria existência
sem pesares e todos os amores.
Aguardando o ideal
tempo romântico
para te aconchegar
no divino refúgio
do meu amor divino,
Colhi uma Gila madura
para fazer doce poético
para mimar o paladar
porque temos um
ao outro para se aninhar,
Embora o amor
viva de emergência,
também faz escola ao esperar.
Morrendo de amores
pelo teu amor,
Sem nos preocupar
com nada,
Uma cesta com
sabores da terra
sob uma toalha
quadriculada debaixo
de um Pau-Ferro,
É neste mundo
o quê mais eu quero.
Dançam as flores
da Espinheira-Santa,
Ser como o vento
que tudo balança,
Ser o poema de amor
que te alcança,
Assim se sagra
a bonita esperança.
