Encontro entre Amigos
Naveguei por tuas ondas
Senti a brisa de teu suor
As fórmulas químicas emergiam entre nossas carícias
Sou tão tua, sempre fui.
Entre guerras constantes, corrupção institucionalizada, burocracias que esmagam vidas e a banalização da morte, descobre-se que um país só é respeitado pelo mal que ele pode causar.
Entre
o crime organizado ...
... ... ... ... ... ... ... ... ...
... ... ... ... ... ... ... ... ...
e o Estado organizadamente
desorganizado ...
Há muitas reticências
organizadamente organizadas
entre si...
✍©️@MiriamDaCosta
Quando o mundo inteiro
reconhecer o Estado da Palestina ...
Haverá somente os sionistas
entre os escombros
e os cadáveres dos palestinos.
✍©️@MiriamDaCosta
Nos terrenos áridos
desse mundo,
entre rochas,
cascalhos
e intempéries,
há flores que resistem...
✍©️@MiriamDaCosta
A vida se revela no intervalo sutil
entre o pouso da abelha
em uma flor e outra...
colhe de uma,
oferece à outra,
e nesse ciclo de polinização ...
a natureza nos ensina
que a beleza e a força da vida
estão em dar, em receber
e em compartilhar...
✍©️@MiriamDaCosta
Se há na terra, e entre todas as nulidades, algo a ser adorado, se há algo de sagrado, puro, sublime, algo que deva sustentar esse imenso desejo pelo infinito e vago que chamamos de alma, esse algo é a arte.
Esparjo os meus versos
entre lençóis bordados
com pétalas de lua
e folhas de estrelas..
e enquanto o olhar suspirante
do oceano captura a minh'alma
o céu boceja poesia...
✍©️@MiriamDaCosta
Entre vulgares provocações,
sarcasmos,
ironias e até desaforos…
eu escolho a classe e a elegância
do sábio silêncio....
Entre a vulgaridade
das provocações baratas,
dos sarcasmos ácidos,
das ironias afiadas
e dos desaforos rasgando o ar...
eu me ergo inteira,
vestida com a armadura
serena do silêncio....
nada fere quem tem a classe
e a elegância de não revidar...
Entre vozes que tentam ferir
com palavras sem flores,
eu escolho o silêncio,
(o jardim secreto onde repousa
a minha dignidade)...
Ali, a elegância d'alma
não precisa se explicar,
apenas floresce...
✍©️@MiriamDaCosta
Entre as palavras e o mundo
que as recebe
há sempre um abismo...
Um rio escuro, fundo, largo,
onde poucos ousam entrar,
e menos ainda conseguem nadar
sem se afogar nas próprias sombras...
Interpretar virou um esforço raro,
um músculo atrofiado
num tempo em que tudo
precisa ser rápido, raso e imediato...
Separar fato de opinião
tornou-se um labirinto estranho,
onde muitos tropeçam,
confundindo seus medos e traumas
com verdades
e suas certezas frágeis
com argumentos...
Há gatilhos emocionais pendurados
como armadilhas invisíveis
em cada palavra que se lê ou escuta...
Eles disparam antes do entendimento,
empurrando a razão para fora do caminho...
A polarização cavou trincheiras profundas,
pontos cegos viraram muralhas,
e qualquer nuance é assassinada
antes mesmo de nascer...
O TDAH coletivo,
fabricado pelo excesso de telas,
transformou mentes em páginas
que vivem sendo atualizadas
e nunca realmente lidas...
O viés narcisista ampliou seu império,
ou seja:
se não reflete o meu mundo,
se não confirma meu umbigo,
não serve, não presta, não existe...
A lógica perdeu espaço,
o pensamento analítico
virou peça de museu,
onde poucos o visitam...
E assim,
falar e escrever,
esse direito tão humano
e tão legítimo,
não garante mais compreensão...
Porque entre a boca e o ouvido,
entre a mão e os olhos,
há um rio imenso e profundo...
E nem todos sabem nadar.
Entre a fala e a escritura
há a audição e a leitura...
E nem todos sabem ouvir e ler.
✍©️ @MiriamDaCosta
Entre o Príncipe e o Cavalo Branco
Se aparecesse um príncipe
montado num cavalo branco ...
sem sombra de dúvida,
eu escolheria o segundo.
Diria ao príncipe que descesse
do exemplar equino,
montaria no cavalo
e sairia cavalgando 🐎
livre, leve e dona do meu galopar.
Não por desprezo ao conto,
mas por lucidez.
Não nasci para ser resgatada,
nasci para desbravar os desertos,
os mares e os montes
com as rédeas nas próprias mãos
e o vento reconhecendo meu âmago
nas galopadas
dos meus versos e poemas.
✍©️ @MiriamDaCosta
Lembranças da Infância 🌺 Hibisco-Colibri 🌺
Houve um tempo
em que entre uma brincadeira e outra,
pegávamos uma florzinha fechada
de hibisco
para sugar o mel dela.
Era um tempo
onde o mundo escondia doçuras
e a natureza era companheira generosa
nas descobertas.
Éramos pequenos colibris
aprendendo o sabor da vida
direto da flor, sem pressa,
sem medo e sem saber que aquilo
também era felicidade.
✍©️@MiriamDaCosta
Minhas palavras nascem do nada
e ao nada retornam.
No intervalo entre um silêncio e outro,
você lê os meus versos,
esse espaço nu,
onde, sem defesas,
tudo o que sou se revela.
Minhas palavras rasgam o nada
e sangram até o nada.
No meio do corte,
você lê meus versos,
sangue, suor,
lágrimas, vísceras,
âmago e silêncios
que eu não soube calar.
Ali estou,
eu inteira,
sem pele,
sem metáfora de defesa,
descrita não pelo que digo,
mas pelo que já não consigo esconder.
Minhas palavras não começam,
explodem do nada.
Não terminam,
implodem no nada.
Entre uma explosão e outra,
você lê meus versos
como quem abre um corpo vivo
sem anestesia.
Ali estão meus nervos expostos,
minha carne em estado de verdade,
meus silêncios suplicando forma.
Nada foi poupado,
nada foi simbólico.
Tudo sou eu,
visceral,
em hemorragia
de linguagem.
✍©️@MiriamDaCosta
O maior amor que existe é entre o sol e a lua: eles aguardam o eclipse final para se beijarem, de olhos fechados, em um jantar à luz de velas.
O Amor que Não Se Vai
Ele caminha entre rostos, entre vozes e sorrisos,
buscando nela, em outras, traços indecisos.
Olhares que brilham, gestos que encantam,
mas nenhum apaga o que os sonhos lhe cantam.
Já teve em seus braços belezas sem fim,
mas nenhuma tocou onde ela tocou em mim.
Beijou mil bocas, buscou mil abraços,
mas tudo é vazio, são frios os laços.
Cada tentativa, um espinho no peito,
nenhuma presença faz o mundo ter jeito.
A ausência dela, um grito calado,
um eco constante de um passado encantado.
Ele ri por fora, mas o riso é disfarce,
por dentro é tristeza que nunca se abate.
Porque amar alguém que já não está
é viver preso ao tempo que não voltará.
E assim ele segue, perdido, cansado,
tentando esquecer o que não foi apagado.
Mas o amor verdadeiro não aceita fingir,
ele dói, ele sangra… ele insiste em existir.
Não há perfume que apague o dela,
nem gesto que vença aquela aquarela
que pintaram os dois na memória do amor,
que hoje é saudade, tristeza e dor.
Entre flores e tempestades — Touro
Teimoso como raiz que não se solta da terra,
Firme como o tronco que encara o vento.
No teu peito mora a calma do campo,
Mas também a força bruta da enxurrada.
Tens o dom da paciência — regas os sonhos devagar,
Colhes frutos doces porque soubes-te esperar.
És leal, és chão, és porto seguro,
Abraço que aquece e não solta fácil.
Mas… oh, Touro, quando decides não ceder,
O mundo pode gritar — e tu, seguirás mudo.
A mesma força que constrói, pode prender;
A mesma vontade de proteger, sufoca.
Amas o belo — aromas, sabores, toques,
Vives a vida como banquete eterno.
Mas às vezes te perdes no excesso,
Guardando o que já não cabe nas mãos.
És terra fértil, mas não és pedra imóvel:
Dentro de ti, um jardim floresce e luta.
Virtude e defeito, tão juntos, tão teus,
E é nesse contraste que Touro é… Touro.
Entre o Prumo e o Vento — Libra
És balança que busca harmonia,
O olhar que encontra beleza no caos.
Tens a diplomacia como segunda pele,
E a gentileza como primeira palavra.
Teu charme é ponte entre mundos,
Tuas palavras, fios de seda que unem.
Sabes ouvir, sabes acolher,
E fazer do convívio uma dança leve.
Mas… oh, Libra, o peso das escolhas te prende.
Entre um sim e um não, constróis castelos de dúvida.
Teu desejo de agradar a todos
Às vezes apaga a tua própria voz.
És mestre em ver os dois lados,
Mas o excesso de espelhos te confunde.
E, na ânsia de evitar conflito,
Podes deixar verdades adormecidas demais.
És vento suave e ar rarefeito,
Equilíbrio e oscilação no mesmo passo.
Virtude e defeito, tão próximos,
Na eterna dança de ser Libra.
Entre a Régua e o Jardim — Virgem
És mão paciente que organiza o caos,
Olhar atento que vê o detalhe invisível.
Tens a lógica como bússola,
E o cuidado como linguagem secreta.
Teu trabalho é minucioso,
Tua palavra, medida com exatidão.
Sabes servir com humildade,
E tornar o mundo mais leve pela ordem.
Mas… oh, Virgem, o zelo que salva também sufoca.
A crítica que constrói
Às vezes se veste de exigência.
E o desejo de perfeição
Pode te prender no rascunho eterno.
Tuas listas e planos são faróis,
Mas podem virar correntes.
E, no medo de errar,
Podes esquecer de simplesmente viver.
És terra fértil que acolhe sementes,
E também campo que repele o improviso.
Virtude e defeito se encontram em ti,
No traço preciso de ser Virgem.
Entre o Céu e o Relâmpago — Aquário
És vento que anuncia mudança,
Olhos que veem além do horizonte.
Tens na mente um mapa de futuros,
E no coração, o desejo de libertar.
Tua originalidade é chama rara,
Teu pensamento, ponte sobre abismos.
Sabes unir pessoas em ideais,
E abrir portas onde só havia muros.
Mas… oh, Aquário, o voo alto também isola.
A liberdade que pregas
Às vezes é distância disfarçada.
Teu desapego liberta e fere,
E tua frieza corta como lâmina fina.
Tua rebeldia é motor e labirinto,
Pois nem sempre sabes contra o quê lutar.
E o desejo de ser único
Pode te afastar de quem só quer te entender.
És raio que ilumina a noite,
E também nuvem que some no mesmo instante.
Virtude e defeito dançam em ti,
No ar inquieto de ser Aquário.
