Encontro entre Amigos
Alguns têm dificuldade para fazer a escolha certa entre o que quer, o que pode, o que deve e o que convém. Imaginem algo como, por exemplo, perdoar alguém, onde minha natureza pacífica me diz que quero, a distância entre mim e o outro mostra que posso, já a realidade me aconselha que não devo, e o bom-senso me confirma que não convém, a menos que me mostre disposto a conviver com o inaceitável.
Entre quem você é e quem pode ser, e ainda como as coisas são e como poderiam ser, só há uma coisa a fazer: mexa-se!
PALADAR DAS LÁGRIMAS
Provei o silêncio que escorria entre minhas falhas,
Um gosto antigo, ácido — quase memória primordial.
Cada lágrima carregava um nome que eu esqueci,
E ainda assim… elas sabiam exatamente quem eu era.
No reflexo fraturado da noite,
Bebi o que restou de mim —
E descobri que o amargo também é um tipo de luz.
Há um estudo secreto no modo como caímos:
O chão não é punição — é um espelho invertido.
Os erros, mestres sem rosto, me ensinaram a mastigar a dor
Como quem degusta a origem do próprio destino.
E quanto mais ruía, mais eu percebia…
Que ruínas têm um idioma que só o coração partido entende.
Deixei os joelhos encontrarem o pó da terra.
Deixei meu peito rachar sem piedade.
E no paladar das lágrimas, sorvi
Um perfume de verdade crua —
O gosto do que somos antes de fingirmos força.
A tempestade me tomou pela voz,
Mas devolveu-me um canto que nunca ousei cantar.
Aprendi que a chama mais pura
Nasce do que a água não conseguiu apagar.
Que o pranto, quando sincero,
É o batismo que escolhe o seu próprio sacerdote.
Ali, no fundo da dor que me molda,
Compreendi que cada renúncia era um portal,
E cada portal — um retorno ao meu nome original.
No fim, não chorei mais pelo que perdi,
Mas pelo que precisei destruir para enfim me ver.
E quando a última lágrima tocou a minha língua,
O universo inteiro tremeu em silêncio.
Não era despedida — era nascimento.
Porque somente quem conhece o sal da própria alma
É capaz de criar mundos onde antes só havia sombra.
Existe um abismo entre sentir o desejo e ajoelhar-se a ele. A maturidade não é a ausência da guerra interior, mas a vitória diária da disciplina sobre a vontade passageira. Não confundas a queda humana com a rendição voluntária. Domina a ti mesmo, sê firme, e darás frutos.
Se ajoelhar aos seus desejos é prender a si mesmo, criando o mais perigoso dos abismos entre o momentâneo e a responsabilidade, entre a infantilidade e a maturidade. Sejais maduros e disciplinados. Só assim serás árvore que dá frutos
Ela escolheu entre um prato caro e fino se alimentar da alma... entre caminhar em estradas de luxo e aplausos viajar nos mergulhos de seus braços... entre aprisionar pássaros abriu a gaiola de seu coração e permitiu o amor pousar.
Espinho da ilusão
O amor é feito clarim sem enredo
Luzir de rosas por entre alvoradas
Jamais deve ser confundido como brinquedo
Nem ser objeto de qualquer desejo
O amor não é feito asa vazante
Quando se deleita em qualquer horizonte
Inda que o amado(a) esteja distante
O coração fica ali por todo instante
Ai do amor sem a cor da primavera
Desconhece o êxtase do encanto
Morre sozinho no espinho da ilusão
Mal sabe o caminho da quimera
Sob pétalas de lágrimas de canto
Vegeta sobre as sombras... sobras da escuridão !
Homens que lutam sozinhos aprendem a diferença entre amor e apego.
— F.Fidelis - Psicanalista, Filósofo entusiasta e observador das relações humanas
Entre nós, não existe diferença entre lobos e ovelhas, todos são lobos, travestidos de ovelhas que ainda não possuem dentes.
A renúncia é ponte sutil entre a indulgência e a clemência, conduzindo a alma humana aos novos tempos, onde o aprendizado floresce em caminhos ainda não trilhados.
Meus pensamentos sussurram palavras tímidas, incompreendidas entre pessoas que não entoam a verdadeira realidade longe da felicidade.
É preciso equilíbrio para compreender cada situação. Não entre numa guerra que não seja sua, pois acabará carregando o peso do problema alheio. Lembre-se: a sua cruz jamais estará sobre os ombros do outro.
Todos têm dois lados: um bom e outro ruim. Porém, o equilíbrio entre eles deve estar alinhado para não provocar o choro do inocente.
Quando o problema te cercar, lembra que você não está só nessa empreitada. Entre você e o problema existe uma ponte — e essa ponte é você mesmo. Por isso, você tem a força e a capacidade para conduzir e resolver o seu problema.
Por que me perguntas para onde vou,
se eu mesmo não sei onde estou?
Perdido na mente entre caminhos divergentes,
sigo a vida — de frente, com o que vem pela frente.
Quem me conhece sabe: não me rendo. Entre dores e injustiças, sigo firme, porque minhas cicatrizes não definem a história que construí. O que me define é a dignidade, a honra, a justiça e a lealdade — valores que sustentam cada passo da minha jornada.
Entre portas que se fecham e caminhos que se ocultam, existem aquelas que permanecem abertas, oferecendo passagem e luz a quem busca a liberdade antes que a porta se fecha.
Não tenho nada a te dizer,
assim como nada há em ti que eu queira ouvir.
Entre nós, o silêncio pesa mais
do que qualquer palavra que ousou existir.
Não há afeto, nem ternura,
nem sequer o vestígio de uma paixão.
O que resta é um espaço deserto,
um quarto esquecido, onde a emoção
apagou a luz e deixou a porta entreaberta.
E nesse vão,
o que antes foi esperança virou pó,
e o que poderia ser carinho amor
transformou-se em distância,
cravada no peito como ausência.
Eu te dei a chave — a promessa do meu mundo,
Para entrar e ficar, viver entre sorrisos e abraços,
Ser feliz, ser amada, ser a morada mais doce. Mas você partiu — silêncio pesado,
Deixou a porta escancarada, sem palavra, sem motivo,
E eu cuidei de cada espaço onde tua ausência doía. Agora, a chave não tem retorno,
Nem o vento se atreve mais a segurar essa fresta,
Fechei a porta com o fogo da minha alma, firme e certa. Sem apego, sem arrependimento,
Que saibas: quem não valoriza o lar que ganha,
Perde a luz que poderia ter brilhado para sempre. A porta está fechada — não para trancar,
Mas para proteger o que ainda resta de mim,
Pronta para abrir só para quem queira entrar de verdade.
O riso nasce, tímido, entre as lágrimas quentes,
florescendo em solos de lembranças densas e vividas.
Cada suspiro é um eco do ontem,
onde a dor se veste de pétalas,
revelando que também é um campo fértil, um jardim.
Entre espinhos, brotam cores insistentes,
e o coração aprende que sofre para florir,
que o passado não é só sombra,
mas uma luz entre as dores,
um convite a sorrir mesmo na tristeza,
a cultivar beleza no silêncio das lembranças.
Sorrimos, então, jardins ambulantes,
onde a vida se refaz em cada lágrima que cai,
e a alma entende, enfim,
que até a dor pode ser flor, quando a vida.
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