Embora

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A dor é uma professora que não aceita faltas, e suas lições, embora amargas, são as únicas que se fixam na alma, e o processo de cicatrização não é linear, nem bonito, mas uma batalha suada e invisível contra a memória do trauma, e é preciso honrar cada passo lento, cada recuo que precede um avanço maior e mais significativo. Não se cobre a perfeição na arte de se reerguer, a beleza reside na coragem de ser imperfeito, de abraçar o processo caótico da cura e de entender que o seu valor não está na ausência de feridas, mas na audácia de continuar lutando mesmo com a alma marcada pelas batalhas passadas.

Embora estivesse imerso na minha própria dor, a verdade eu já conhecia no íntimo do meu ser, uma luz que teimava em brilhar através das nuvens da minha tristeza, o conhecimento salvífico de que Jesus morreu por mim um dia no madeiro, essa certeza da Sua entrega, do quanto sofrimento Ele suportou, era o único farol capaz de orientar meu barco em meio à tempestade, mostrando a magnitude de um amor incondicional.

Em partida, o amor não vai embora de uma vez, ele se despede devagar, deixando a casa cheia de ecos, porque algumas ausências continuam morando na gente muito depois do adeus.

Escrever é o meu jeito de dizer ao tempo que, embora ele esteja vencendo a batalha contra o meu corpo, minha voz ainda ecoa nos vãos das horas. Cada palavra é um prego que martelo na parede do esquecimento, tentando segurar o retrato de uma alegria que já não reconheço.

O amor é um hóspede barulhento que bagunça toda a casa da nossa alma e depois vai embora sem ajudar na limpeza, deixando apenas o cheiro de um perfume que odiamos lembrar. Mas, no fundo, a gente sabe que a casa vazia e limpa é muito mais triste do que o caos que ele causou.

Há pessoas que partem da nossa vida, outras permanecem para sempre, mesmo depois de irem embora, assombrando os cômodos vazios da memória.

O destino raramente nos tira pessoas, ele leva embora as versões de nós que só existiam quando elas estavam por perto.

O tempo não leva ninguém embora, apenas nos apresenta àquilo que sempre esteve escondido dentro de nós.

Rico não é quem acumula impérios, mas quem, ao ver a vida desabar e levar tudo embora, continua inteiro sobre as próprias ruínas.

As pessoas raramente vão embora de uma só vez. Preferem retirar-se aos poucos, como a maré que recua sem anunciar que deixará apenas pedras e lama. Um dia percebemos que já não existem conversas, depois percebemos que já não existem expectativas e, por fim, compreendemos que estamos dialogando apenas com uma lembrança. O fim quase nunca acontece em um instante; ele apodrece lentamente antes de receber um nome.


- Tiago Scheimann

⁠Nossas flores e nossos medos, sustentam um único desejo. Que o dia amanheça e o mau sonho vá embora. Enfim retornaremos a sonhar colorido outra vez. Colorir a vida, curar as feridas, perdoar tudo e buscar integro o nosso feliz amanhã.

ESTÃO INDO EMBORA


Estão indo embora aos poucos,
Sem fazer grande alarde não,
Como o sol que se despede
No final da tarde, então.
Deixam marcas pelos caminhos,
Saudades em nossos ninhos,
E amor no coração.


São os avós de cabelos brancos,
Bibliotecas do viver,
Que ensinaram com exemplos
O valor de agradecer.
Cada ruga é uma história,
Cada lembrança, uma memória
Que o tempo não vai vencer.


Estão indo embora os pais,
Sentinelas da existência,
Que enfrentaram tempestades
Com coragem e resistência.
Construíram nosso abrigo,
Foram força e foram amigo,
Fonte viva de experiência.


Também partem nossos tios,
Companheiros da jornada,
Que enchiam as reuniões
Com risadas na calçada.
Contadores de causos bons,
De conselhos e lições,
Na família respeitada.


A cadeira fica vazia,
Mas não fica sem valor,
Pois quem viveu com virtude
Nunca morre por completo, senhor.
Permanece na lembrança,
Na fé, na perseverança,
E nas sementes do amor.


O relógio segue andando,
Sem parar sua missão,
Mostrando que nesta vida
Tudo tem sua estação.
Quem hoje é filho e neto,
Amanhã segue o trajeto
Da divina criação.


Mas não devemos chorar
Somente pela partida,
Pois quem plantou bons exemplos
Continua dando vida.
Na palavra ensinada,
Na família edificada,
Sua presença é sentida.


Quando o vento sopra manso
E a noite cobre o terreiro,
Parece ouvir a voz antiga
De um avô conselheiro.
Ou de uma mãe carinhosa,
Ou de uma tia bondosa,
Num abraço verdadeiro.


Estão indo embora, é certo,
Como manda a natureza,
Mas deixam em cada filho
Sua maior riqueza.
Honra, caráter e fé,
Para quem segue de pé
Com amor e com firmeza.


Por isso ergamos os olhos
Ao Deus da eternidade,
Agradecendo o legado
Que venceu a brevidade.
Pois quem vive para o bem,
Mesmo partindo, mantém
Sua luz na humanidade.


Estão indo embora os corpos,
Mas o exemplo permanece.
Quem semeou amor na Terra,
No coração nunca falece.

E quando o vento da história sopra,
Levando embora folhas e vaidades,
Fica de pé apenas o que foi plantado
Nas raízes profundas da verdade.

Esperar é descobrir que o tempo, embora implacável, também sabe tocar sem ferir.

Embora divididos, somos todos patriotas: uns sacrificam a própria cabeça pelo país, outros sacrificam o país pela própria cabeça.

⁠Embora a morte que deixa quase todos impactados seja só a morte física — muitos depressivos vivem à exaustão, de tanto morrer a prestação.

⁠Embora a morte que deixa quase todos impactados seja só a morte física — muitas pessoas depressivas vivem à exaustão…


De tanto morrer a prestação.


Vitimando corpos que seguem em movimento enquanto o espírito já se despede em parcelas invisíveis, abatidos por uma dor que o mundo insiste em não querer contabilizar.


A depressão é, talvez, a forma mais lenta, silenciosa e medonha de luto: o indivíduo se despede de si mesmo gradualmente, sem flores, sem velório, sem alardes…


E o mais triste é que, ao contrário da morte física, essa não desperta o mínimo de compaixão — desperta julgamentos.


Às vezes, é muito mais fácil ver só fraqueza e frescura onde só há cansaço mental, e desleixo onde só há desespero, do que praticar a empatia.


Talvez um dia, quando entendermos que o sofrimento do outro também tem voz, ouçamos os que morrem devagar, antes que seja tarde demais.

⁠Embora a Morte que deixa quase todos impactados seja só a Morte Física — muitos Depressivos vivem à exaustão,
de tanto Morrer à Prestação.


Há mortes que não têm velório, não recebem flores, não provocam abraços demorados nem interrompem a rotina de ninguém.


São mortes silenciosas, íntimas, que acontecem enquanto a pessoa continua levantando da cama, respondendo mensagens, trabalhando, sorrindo para fotografias e dizendo, quase por reflexo: “está tudo bem”.


A depressão, muitas vezes, não chega fazendo barulho.


Ela vai retirando, aos poucos, aquilo que dava sentido aos dias: a vontade, a esperança, o entusiasmo, a capacidade de imaginar um amanhã diferente.


E talvez uma das suas maiores crueldades seja essa: fazer alguém continuar existindo quando, por dentro, a existência já parece ter perdido o significado.


Morrer à prestação é acordar sem ter descansado, cumprir obrigações sem sentir presença, conversar sem conseguir dizer o que realmente dói.


É assistir à própria vida de algum lugar distante, como quem permanece no teatro depois de perder o interesse pela peça, mas não encontra forças para ir embora.


E o mundo, quase sempre, percebe apenas a morte definitiva.


Chora-se por quem partiu, mas raramente se pergunta quantas pessoas estão desaparecendo lentamente diante dos nossos olhos.


Talvez precisemos reaprender a prestar atenção às ausências dos que ainda caminham.


Ao amigo que deixou de procurar.


À pessoa que antes vibrava e agora apenas cumpre horários.


Ao sorriso que ficou automático.


Ao “não é nada” repetido tantas vezes que já virou um pedido silencioso de socorro.


Nem toda dor pede soluções imediatas.


Algumas pedem apenas presença.


Um ouvido que não julgue.


Uma pergunta sincera.


Um “eu estou aqui” que não seja apenas uma frase, mas uma permanência.


Porque há pessoas que não precisam que alguém as salve da morte; precisam, antes, que alguém as ajude a reencontrar motivos para continuar escolhendo a vida.


E talvez seja essa uma das formas mais profundas de humanidade: perceber que, enquanto lamentamos os mortos, também precisamos cuidar dos vivos — sobretudo daqueles que estão desaparecendo pouco a pouco, sem que ninguém perceba.

COLA EM MIM!
Cola em mim agora
Que preciso nessa hora
Não, não vá embora
Cola em mim agora
Nesse momento repente
Seu coração e sua mente
Sustenta a minha vida
Que anda já esquecida
A alma assim tão ferida
Das escolhas que outrora
Sangra o peito e chora
Esse agora que implora
Nos laços que se enrola
Por isso nessa hora
Peço que sem demora
Cola em mim agora!
João Batista Barbosa

O amor não tira a vida, mas quando vai embora, tira o porquê de viver. E isso dói mais do que qualquer fim. 💔