Elogios dos Olhos
Não preciso de muito para ser feliz se, diante dos meus olhos, seu perfume, mesmo no orvalho do dia, eu puder viver, ter e sentir.
Eu sou o complexo da existência que seus olhos podem ver, e você só vê a poeira do meu rastro, precisamente porque eu sou o hidroavião, o raio e o trovão que nivelou exclusivamente sobre o rio primitivo onde você é meu suave espelho trêmulo.
Hoje hei de navegar pela maré com a lebre lunar de olhos cor de âmbar correndo pelas ondas iluminadas pela lua e meu corpo naquele mar estelar.
Voluptuosos são os meus olhos que ardem em chamas à meia-luz, o teu corpo nu contraluz pelas silhuetas que me seduzem.
Quando fechamos os olhos, vemos sua cor em nossas mentes e somos atraídos pela gravidade que reina sobre ela. No centro entre as mãos que preservam a flor e a essência da luz, abrindo e criando uma arte moldada pela alma de um mágico artesão. Quanto mais alto o fluxo da essência em sua mão se evapora, do menor para o maior ponto, da flor mais velha para a mais jovem, a luz se torna visível em todo o equilíbrio de um universo cósmico.
Pensamentos sobre um retrato
A essência do amor é um perfume invisível aos olhos, e sua fragrância exala o perfume da paixão. O desejo é sentir toda a maciez da sua pele e das suas silhuetas, o deleite de ser seu eterno jardineiro.
As Cores São Lembranças
E Até Promessas.
Se teus olhos não encontram
se quer uma partícula de esperança.
Veja as Coisas por um Prisma Diferente.
Porque os Acontecimentos
dependem mais do Observador
ao Invés do Observado.
Vanglória
A vaidade é pura soberba
Quando para outros olhos é impelida
Não existirá clemência
Para tamanha arrogância destemida.
A que destino levará tamanha ostentação?
Aos desejos e não para as necessidades
Ao submundo negando a autenticidade
Sem critérios profundos
Perdendo a liberdade.
Ilusão da beleza
Teus olhos claros
irradiam o brilho da tanzanita
de enlouquecedora beleza
enquanto, matem-se vestida
enrolada no tecido negro
nessa burca bendita
acolhedora dos defeitos.
És mais feia que uma nuvem carregada
na maturidade à trovoada.
Essa sua crença deve ser mantida
num mando que a proteja
capaz de submeter ao desejo
quem gosta do seu azul cortejo
ludibriado em segredo.
Prostração
Os teus olhos estão vermelhos.
E por que choras?
Perdeste o teu amor?
Já refletiste porque perdeste?
Achou que tiveste dado tudo de ti
Mas não foi o suficiente?
Agarraste no inútil pensamento
Que o concebido
Já era teu?
Agora achas que ao trocar as fotografias dos porta-retratos
Trará as forças para esquecer?
Olhará para ele
O quê verás?
Não será a nova foto que irá entrar pelas retinas de teus olhos
É a que já está registrada nos teus neurônios.
E todo o enxoval que te acompanha
Terás de queimar ou quebrar?
Faça todas as tuas cenas por agora
Destroçando tudo o que é material.
Estás a te sentir mais leve?
Mas não imaginas que em breve
Tudo que colocares na tona
Irás desaparecer nos rios de Goa
Levados ao mar.
Com o tempo e o oceano revolto
Devolverá os pertences
Devastados nas areias das praias.
Em todas elas encontrarás os pedaços
E toda a fantasia recomeçará.
Não, não é bem assim que te livrarás.
Acho que perdeste o senso
Não poderás reduzir a cinzas as memórias
De tudo o que te fez sonhar.
Toque
Um hangout ao alcance de um clique
Um contato na lista que os olhos não piscam
Uma vontade de falar que desequilibra
Um medo generalizado de dar o grito
E assim se sacrifica
Enche o raio do saco e
Desliga.
