Ela
"Todo sonho nasce com a inspiração espiritual e divina. Ela se dá pela pulsão de nosso DNA espiritual e viaja por meio de nosso Orí até a dimensão psíquica de nosso Elegbara Mental.
A força magnética de nossas escolhas e decisões se dá pela condição do livre arbítrio. Essência e instinto primários dividem a lacuna entre a densidade e a sutilidade do ser.
O resultado?
São apenas os passos no exercício de encontrar a si mesmo no processo de decodificação evolutiva no colo do paciencioso sincronismo do Tempo Orixá".
E a fera olhou a face da bela,
e ela ficou em suas mãos,
e a parti desse dia, a fera estava condenada à morte.
A menina e o mundo
Era uma vez uma menina que virou mulher. Ela morava em um mundo. E um mundo morava nela. Tinha mais fases que a própria lua. E não brilhava tanto como o sol. Seus sonhos eram muitos, assim como estrelas. Ela queria fazer o bem, queria ser feliz e bonita. Muito bonita. Mais que bonita. Perfeita. Mas também queria ser feliz. E fazer o bem. Queria tudo ao mesmo tempo. Às vezes, quando sentia-se só, ouvia demais, pensava demais e enjoava. Enjoava disso tudo. Enjoava-se do mundo e seu mundo enjoava dela. Ambos insatisfeitos.
Ela era diferente, mas não única. Seu maior problema era falta de atenção. Não compreendia e logo sentia inveja: a lua era menos complicada e o sol era um astro. Ela nunca chegaria a seus pés, mas talvez pudesse acostumar-se com a ideia. Não queria nadar em dólares, mas queria estar rodeada de pessoas. Pessoas intensas e interessantes. Muitas pessoas. Em uma só. Muitas vezes, chateava-se, pensando o quão vazia seria, ou o quão vazia a viam. Ela então, abandonou seus calçados e foi andar descalça pelo mundo, para sentir as energias que o chão do mundo transmite. Novamente, pegou-se com inveja. Desta vez do mundo. Ela que se importa com o que ele transmite, gostaria também que fosse assim consigo. Que aparecesse alguém, de preferência um estranho, que se interessasse sobre as energias que ela transmite, com um toque ou um olhar.
Continuou a andar e deu-se conta de que segurava uma florzinha entre seus dedos. E que também tinha beijado suas delicadas e frágeis pétalas. De novo, inveja. Era um de seus sonhos, ser encontrada e beijada com tanta ternura. Sentir amor, mesmo de um estranho. Que na verdade, não seria um estranho. Seria de alguém que ama. E quem ama, nunca é estranho. A menina que andava descalça pelo mundo para achar respostas, finalmente as encontrou. A lua que era linda e bem menos complicada que ela, por mais admirada que fosse, morava longe. O sol, o tão incrível astro que muitos idolatram, também vivia longe. Foi então que percebeu, que mesmo não sendo tão amada e tão famosa, ela era livre e podia ficar perto de quem quisesse. E que talvez um dia, fosse minimamente conhecida. Por ser a estranha que ama as coisas, que enxerga as almas e que toca o coração. A estranha que livra-se de seus calçados e colore o mundo com o toque de seus pés. Que conversa com o tempo e chama o vento para que espalhe o amor por aí...
Nunca deixes que a chama que arde no teu coração se apague. Com ela aquece o vazio frio e ilumina o vazio escuro.
Sabe a vida? Ela continua!
Sabe as pessoas? Elas decepcionam!
Sabe as palavras? Elas machucam!
Sabe você?
Então, você nunca pode desistir, pois a cada dia, temos uma chance para recomeçar!
A tristeza também é uma virtude, sem ela a alegria não teria descanso, o protesto não teria impacto, a consciência não faria protesto...
Se você obtiver a Paz do Ser, ela brotará sem qualquer esforço da sua parte. Quando não se é pacífico em si mesmo, como é que é possível partilhar a paz no mundo?
Mãe, quem disse que quando ela vai embora o AMOR vai junto? Ele fica, ele aumenta ou talvez só se faz entender como é de verdade por causa da falta, da saudade e da necessidade que temos dela...
Mãe: fica o amor porque tudo o que recebi das tuas mãos e da tua boca vieram carregados dele, sempre.
Mãe fica também a vontade de poder ter te mostrado esse amor assim em intensidade, mesmo sabendo que você soube, que você soube decifrá-lo em cada olhar inocente de criança contente de ter a melhor mãe do mundo;
Você e tudo o que fez sempre será o pilar de sustentação de tudo que sou e serei;
Você plantou Deus dentro de mim e assim deu tudo o que eu precisava para superar a dor sem fim que é viver sem você
Te amo, mãe, onde estiver... e se eu for metade do que você foi, eu serei contente. Um dia Deus enxugará cada lágrima nossa e seremos felizes para eternidade, então apenas espero pacientemente nosso reencontro, embora o meu amor por ti ainda seja urgente.
Até breve, minha mãe.
Ela mantinha a cabeça longe para não se iludir. Desejava poder tocar as estrelas e não se apegar muito ao passado; já que o futuro lhe assustava. Tinha medo de se apaixonar, é claro, mas quem disse que seu coração compreendia esse seu tal medo? Repetia inúmeras vezes a si mesmo: “O que é seu, logo chegará.” - mas seu cérebro negava-se a entender o que essa frase significava (…)
- Engraçado - disse ela, após um riso irônico.
- O quê?
- Nunca achei que o vazio pudesse ocupar tanto espaço…
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