E Sempre assim toda a Noite a Saudade Aperta
A ONÇA DENTRO DE NÓS
Por: Marco Arawak
Há em cada ser humano uma região que não se revela inteiramente à própria consciência. É uma zona anterior às palavras, onde permanecem impressões que não sabemos quando adquirimos, medos que não lembramos ter aprendido, desejos cuja origem confundimos com liberdade e respostas que surgem em nós antes mesmo que tenhamos tempo de perguntar por quê.
Passamos a vida habitando esse território e, paradoxalmente, podemos permanecer estrangeiros dentro de nós mesmos.
Talvez uma das maiores ilusões humanas seja imaginar que nos conhecemos simplesmente porque carregamos conosco, desde sempre, o próprio nome, a própria história e a própria memória. Saber quem somos não é o mesmo que saber de onde vieram as forças que nos constituíram. Há uma diferença profunda entre ser e ter aprendido a ser. Entre aquilo que verdadeiramente escolhemos e aquilo que incorporamos para sobreviver, pertencer, agradar, proteger-nos ou simplesmente continuar caminhando.
A autoanamnese começa quando essa diferença deixa de ser uma abstração e transforma-se em pergunta.
Quem sou eu por trás daquilo que aprendi a ser?
Que parte das minhas convicções nasceu de uma escolha consciente e que parte delas foi herdada, absorvida, imposta ou construída como defesa? Quantas das minhas certezas resistiriam se eu tivesse coragem de investigar sua origem? E quantas das minhas reações pertencem realmente ao presente, quando talvez sejam apenas ecos de acontecimentos que o tempo levou, mas que a consciência ainda não elaborou?
É nesse ponto que entramos no território mais delicado da existência: o encontro entre aquilo que sentimos e aquilo que pensamos.
Antes de existir uma ideia, muitas vezes existe uma sensação. Antes de formularmos um julgamento, alguma coisa em nós já se aproximou ou recuou. O corpo percebe, a memória associa, o instinto responde. Só depois a razão chega, procurando compreender o acontecimento e, não raro, construir uma explicação para algo que já começou a nos mover.
O instinto possui uma inteligência própria. Ele não argumenta; reconhece. Não constrói teorias; responde a sinais. É a herança silenciosa de incontáveis experiências acumuladas no corpo e na memória, uma forma de percepção que frequentemente alcança o perigo, a oportunidade ou a mudança antes que a linguagem consiga traduzi-los.
É nesse sentido que a imagem da onça encontra sua força.
Ela não representa simplesmente a ferocidade que carregamos, tampouco uma natureza selvagem que precisaria ser vencida pela civilização. Representa uma dimensão primordial da existência: aquilo que percebe antes de explicar, que reage antes de justificar, que conhece determinados caminhos sem precisar transformá-los imediatamente em conceitos.
Mas justamente por possuir essa força, o instinto não pode ser confundido com verdade.
Aquilo que sentimos com intensidade não se torna verdadeiro apenas porque foi intenso. O medo pode ser um excelente guardião e, em determinadas circunstâncias, um péssimo intérprete. Uma experiência passada pode ensinar prudência, mas também pode deformar nossa percepção do presente. Uma ferida antiga pode continuar reagindo a acontecimentos que já não possuem a mesma natureza.
É nesse instante que a razão se torna necessária.
Não para destruir o instinto, mas para conversar com ele.
A verdadeira razão talvez não seja aquela que procura calar tudo aquilo que não consegue explicar, mas aquela que possui coragem suficiente para perguntar ao próprio impulso o que ele está tentando dizer. De onde veio esse medo? O que exatamente estou tentando proteger? Por que essa situação me ameaça tanto? Estou respondendo ao que está diante de mim ou ao que alguma experiência anterior me ensinou a esperar?
A pergunta inaugura uma distância.
E nessa distância começa a consciência.
Existe uma diferença decisiva entre sentir medo e ser governado pelo medo; entre sentir raiva e tornar-se instrumento dela; entre desejar alguma coisa e acreditar que todo desejo precisa transformar-se em ação. O impulso pode surgir sem nossa autorização. A escolha, porém, pode nascer justamente daquilo que fazemos depois de reconhecê-lo.
Talvez a liberdade humana resida nesse intervalo quase imperceptível entre o estímulo e a resposta.
É um espaço pequeno, mas nele cabe uma existência inteira.
Ali podemos interromper a automatização da própria vida. Podemos observar aquilo que se levanta dentro de nós sem imediatamente obedecer. Podemos reconhecer o impulso sem confundi-lo com destino. E, sobretudo, podemos descobrir que consciência não significa ausência de forças interiores, mas capacidade de estabelecer uma relação lúcida com elas.
Por isso, a maturidade não consiste em fazer com que a razão esteja sempre à frente do instinto. Seria uma pretensão impossível. Existem momentos em que o corpo saberá antes da mente; existem percepções que chegam sem pedir licença; existem respostas que pertencem a uma camada tão profunda da experiência que nenhum raciocínio poderia substituí-las inteiramente.
A maturidade está em aprender a voltar ao impulso.
Olhar novamente.
Interrogá-lo.
Compreendê-lo.
E então decidir.
A razão, quando verdadeiramente amadurece, deixa de ser uma tirana que pretende governar todos os movimentos interiores e passa a ser uma consciência de direção. Ela não elimina a espontaneidade; oferece-lhe contexto. Não destrói o desejo; investiga sua origem. Não nega o medo; procura distinguir proteção de aprisionamento.
Porque também a razão pode servir àquilo que deseja combater.
Podemos construir argumentos brilhantes para justificar escolhas que já havíamos decidido fazer. Podemos transformar orgulho em princípio, ressentimento em justiça, medo em prudência e conveniência em convicção. O pensamento, quando utilizado apenas para justificar aquilo que já queremos acreditar, deixa de ser instrumento de compreensão e torna-se advogado de nossas próprias ilusões.
Pensar muito não significa compreender profundamente.
Às vezes, pensar é apenas encontrar palavras sofisticadas para não olhar aquilo que nos incomoda.
A autoanamnese interrompe esse mecanismo porque nos obriga a retornar à origem. Ao revisitarmos nossa própria história, percebemos que quase nenhuma reação é absolutamente isolada. Há uma genealogia dos nossos medos, dos nossos desejos, das nossas recusas e até das nossas certezas. Aquilo que chamávamos simplesmente de personalidade pode conter antigas estratégias de proteção. Aquilo que interpretávamos como intuição pode carregar experiências mal elaboradas. Aquilo que acreditávamos ser uma escolha pode ter sido, em algum momento, apenas a alternativa que encontramos para continuar pertencendo.
Conhecer-se, então, não é acrescentar definições ao próprio nome.
É retirar camadas.
É distinguir a voz da experiência da voz do condicionamento. É reconhecer aquilo que herdamos sem necessariamente precisar perpetuá-lo. É compreender que algumas respostas foram úteis para quem fomos, mas talvez já não sejam necessárias para quem estamos nos tornando.
O passado não pode ser refeito.
Mas pode ser compreendido.
E existe uma diferença extraordinária entre essas duas coisas.
Compreender o passado não significa absolvê-lo de tudo nem transformar nossas escolhas anteriores em algo justificável. Significa devolvê-las ao contexto em que aconteceram. A pessoa que fomos possuía os conhecimentos, os medos, os recursos e as limitações daquele momento. Julgá-la exclusivamente com a consciência que adquirimos depois pode produzir culpa onde deveria existir aprendizado.
A memória, quando examinada com honestidade, deixa de ser apenas arquivo e transforma-se em matéria-prima para a consciência.
É assim que o instinto começa a mudar de estatuto dentro de nós.
Ele deixa de ser uma ordem.
Torna-se informação.
Essa talvez seja uma das maiores transformações produzidas pelo autoconhecimento. Não precisamos deixar de sentir; precisamos compreender o que sentimos. Não precisamos eliminar o impulso; precisamos impedir que ele permaneça invisível. Não precisamos expulsar a onça de dentro de nós; precisamos conhecê-la suficientemente para compreender quando sua força está protegendo nossa existência e quando está apenas repetindo uma ameaça que já não existe.
A razão, nesse encontro, não reina sobre o instinto como um soberano sobre um súdito. Ambos participam de uma realidade mais ampla.
O instinto nos ancora no presente imediato. A razão introduz distância. O instinto reconhece sinais; a razão compara possibilidades. O instinto percebe urgências; a razão considera consequências. Um nos aproxima da realidade concreta do momento; o outro nos permite imaginar aquilo que ainda não aconteceu.
Entre os dois nasce o discernimento.
E discernir talvez seja uma das formas mais elevadas de liberdade.
Nem todo medo merece obediência. Nem todo desejo exige satisfação. Nem toda provocação necessita de resposta. Nem toda oportunidade precisa ser perseguida. Nem toda certeza merece permanecer intacta.
A verdadeira força talvez não esteja em reagir com maior intensidade, mas em possuir liberdade suficiente para escolher quando reagir e quando não fazê-lo.
É por isso que dominar a si mesmo não deveria significar dominar a própria natureza. Uma natureza reprimida não se torna necessariamente uma natureza integrada; muitas vezes apenas aprende a esconder-se. Aquilo que negamos não desaparece. Pode mudar de forma, encontrar outras saídas, reaparecer em comportamentos que já não reconhecemos como seus.
A integração é mais difícil do que a repressão porque exige conhecimento.
Exige olhar para dentro sem transformar cada descoberta em condenação.
Exige reconhecer nossa agressividade sem glorificá-la; nossa fragilidade sem envergonhar-nos dela; nossos desejos sem transformá-los automaticamente em direitos; nossos medos sem permitir que eles decidam por nós.
Talvez seja esse o verdadeiro significado da onça dentro de nós.
Não um monstro a ser derrotado.
Não uma força a ser adorada.
Mas uma dimensão da própria natureza humana que precisa ser reconhecida, compreendida e integrada.
A onça não pergunta quem somos. Ela simplesmente existe.
Nós é que precisamos perguntar o que fazemos com aquilo que existe em nós.
E essa pergunta nos devolve à autoanamnese.
Porque investigar a própria história é perceber que somos feitos de camadas: memória e esquecimento, herança e ruptura, instinto e reflexão, necessidade e escolha. Somos consequência de acontecimentos que não escolhemos, mas também somos responsáveis pela maneira como continuamos a interpretá-los.
Não somos autores de tudo aquilo que nos aconteceu.
Mas podemos tornar-nos autores daquilo que fazemos com o que nos aconteceu.
Talvez essa seja a fronteira mais profunda entre condicionamento e liberdade.
Não escolhemos todos os impulsos que surgem.
Não escolhemos todas as marcas que recebemos.
Não escolhemos o primeiro movimento da consciência.
Mas podemos, pouco a pouco, aprender a escolher o segundo.
E talvez seja justamente nesse segundo movimento que comece a verdadeira autoria de uma vida.
Entre a sensação e o significado.
Entre o impulso e a decisão.
Entre aquilo que fomos ensinados a temer e aquilo que finalmente compreendemos.
Entre a onça que reage e o ser humano que observa sua própria reação.
É nesse intervalo que a existência deixa de ser apenas acontecimento e começa a tornar-se consciência.
Talvez conhecer a si mesmo nunca signifique chegar a uma resposta definitiva. Somos seres inacabados, atravessados continuamente por experiências que reorganizam nossa percepção, deslocam nossas certezas e revelam aspectos de nós que antes permaneciam ocultos. A identidade não é uma estátua concluída; é uma construção em movimento.
Por isso, a pergunta mais profunda talvez não seja apenas “quem sou?”, mas:
“O que, dentro de mim, está participando da construção de quem estou me tornando?”
Essa pergunta exige coragem porque retira de nós a comodidade de sermos apenas espectadores da própria história.
Ela nos devolve responsabilidade.
E, com a responsabilidade, a possibilidade de transformação.
A onça continuará dentro de nós. O instinto continuará surgindo antes de muitas explicações. A razão continuará tentando compreender aquilo que a experiência apresenta. O passado continuará deixando rastros. Nada disso precisa ser eliminado.
O que pode mudar é a relação que estabelecemos com tudo isso.
Quando aprendemos a reconhecer o impulso sem nos tornarmos seu instrumento, a memória sem sermos prisioneiros dela, a razão sem transformá-la em máscara e a própria natureza sem precisar negá-la, alguma coisa essencial se modifica.
Já não somos apenas aquilo que nos atravessou.
Começamos a participar conscientemente daquilo que nos tornamos.
E talvez seja essa a forma mais profunda de liberdade: não a liberdade de deixar de possuir uma natureza, mas a liberdade de conhecê-la; não a liberdade de nunca sentir medo, desejo ou raiva, mas a liberdade de não entregar automaticamente a eles o governo de nossa existência.
A onça permanece.
Mas agora sabemos que ela está dentro de nós.
E saber disso muda a maneira como caminhamos pela floresta.
Marco Arawak
Ode ao Vinho Eu Ofereço
Ó vinho, sangue da terra e do sol,
líquido rubi que dança no copo,
filho da videira que o tempo moldou
e a mão do homem elevou a ouro.
Nasce no silêncio das colinas,
amadurece sob o olhar do céu,
guarda no seio o fogo das estações
e o sussurro dos ventos antigos.
Quando te abro, o mundo se dilata:
o tinto queima como paixão antiga,
o branco canta leve como brisa,
o rosé sorri entre o dia e a noite.
Tu és memória e esquecimento juntos:
trazes à mesa os amigos distantes,
apagás as feridas do dia cansado
e acendes no peito a chama da festa.
Ó vinho, companheiro dos poetas,
aliado dos amantes e dos sábios,
tu que fazes o tímido falar
e o solitário sentir-se povoado.
Levanto o cálice e te saúdo:
saúde à terra que te deu a seiva,
saúde às mãos que te cultivaram,
saúde a quem te bebe com respeito.
Que cada gole seja uma oração
à vida que passa e ao prazer que fica.
Viva o vinho,
viva quem o ama,
viva a mesa onde ele reina.
Reza do Cativo
Pela Sobrevivência e Liberdade
Saravá, meu Pai…
Que o sinhô lá do céu escute nóis que sofre cá embaixo,
Que dê nóis o de cumê na cuia de barro,
A água boa, mesmo que no pote quebrado,
E um chão batido pra deitá o corpo cansado.
Saravá!
Que o chicote num levante quando a mão tá fraca,
Que o ferro quente num queime a pele quando a esperança quer nascê.
Que as mão de roça num seja cortada,
Que os pé de trilha num seja amarrado,
Que a pele num seja arrancada com ódio,
E que o sangue derramado faça brotá liberdade.
Saravá!
Protege os fio que foi vendido na feira, junto com gado e galinha,
Carregado em carroça, amarrado em fileira,
Sem nome, sem fala, só conto-de-reis na boca do feitor.
Ampara as irmã que geme baixinho na senzala, buchadas pelos homê do mal
Que cala por medo, mas chora lágrima que corre como rio escondido.
Guarda os corpo que tombô no porão do navio,
Com corrente no pescoço e sal na ferida,
Os que morreu no escuro, sem vela e sem canto,
Os espírito que ainda geme no tronco,
E os canto que foi calado com mordaça.
Saravá!
Que a memória dos mais velho num se perca:
Dos que contava história de África nas noite de lua,
Dos que batia tambor escondido no mato,
Dos que ensinava reza baixinho, de ouvido em ouvido,
Dos que passava segredo de erva na palma da mão.
Que o tambor nunca pare de batê,
Mesmo quando o sinhô proíbe,
Mesmo quando a chibata quer calar o couro.
Que o cheiro da arruda, do alecrim e da guiné limpe os caminho,
E que a fé dos que rezava escondido no fundo do quintal fique viva dentro de nóis.
Saravá!
Que a luz da candeia num deixe o corpo no escuro,
Que clareie a senzala,
Que guie os pé de quem foge na mata,
E que esquente nóis nas noite de frio,
Quando só o abraço da coragem faz companhia.
Que a candeia da esperança num se apague,
Mesmo quando a noite é comprida,
Mesmo quando o sinhô fecha a porta e leva a chave.
Saravá!
Que os pé de quem fugia deixe rastro de coragem na terra molhada,
Que os olho de quem viu a dor também veja liberdade,
E que o coração de quem sofreu saiba ainda amar.
Que os braço que empunhava enxada e foice ache descanso,
Que as costa que carregou fardo ache alívio,
E que a lágrima caída na terra seca faça nascê água de fonte.
Saravá!
Livra nóis das cobra que rasteja no mato,
Do capitão-do-mato que ronda com cachorro,
Do escorpião escondido no chão quente,
Da abelha que ferroa sem aviso, da ferida que num tem remédio,
E do cansaço que pesa mais que o sol de meio-dia queimando a pele.
Saravá!
Abençoa nóis na travessia da Kalunga Grande,
No gemido do tumbeiro que ainda ecoa,
Na senzala que guarda silêncio de morte,
No quilombo que guarda sonho de vida.
Dá força a quem correu com corrente no pé,
Dá voz a quem rezava escondido no mato,
Dá chão a quem fugiu pela picada da mata,
Dá descanso a quem tombou sem cruz, sem nome, sem reza.
Abençoa os fio e os neto que vem depois,
As família que vai carregá de nóis a força e a esperança,
Que ache na vida a liberdade verdadeira,
Que o coração deles seja forte, o pensamento sábio,
E os pé guiado pelos caminho de justiça e coragem.
Saravá!
Que cada gota de suor derramado vire canto de vitória,
Que cada lágrima caída no chão se transforme em rio de lembrança,
Que cada corpo caído na senzala se levante no quilombo da eternidade.
Coloca nos peito de cada um de nóis a certeza:
Que a liberdade é reza que nunca morre,
É tambor que nunca cala,
É chama que nunca apaga.
Saravá!
E que os fio de hoje e os fio de amanhã
num precisem mais chorá cadeia nem senzala,
que a liberdade chegue na vida deles como pão na mesa,
como água fresca no pote,
como canto que nunca se cala.
Saravá!
Que os neto e bisneto de nóis cresçam forte,
que a lembrança da dor se faça só memória,
mas que a força da coragem seja sangue correndo nas veia.
Que eles andem de cabeça erguida,
que tenham nome, voz e destino,
que ache no mundo o respeito e a paz que nóis sonhava.
Saravá!
E nóis jura, diante de Deus e dos mais velho,
que essa reza num morre,
que essa chama num apaga,
que essa palavra é tambor batendo no peito,
é vento levando esperança,
é juramento vivo de liberdade.
Saravá, axé!
Autoria:
Marco Arawak. antigo:
Quando se Tornam Palavras
Alma, em estrofes.
Sentimentos, em versos.
Pensamentos, em palavras.
Há emoções que não cabem na voz,
silêncios que amadurecem por dentro
e lembranças que insistem em permanecer.
Então a alma procura abrigo na escrita,
o sentimento encontra ritmo,
e o pensamento aprende a existir
fora de quem o concebeu.
Escrever é isso:
dar forma ao que era invisível,
preservar o que o tempo tenta levar
e transformar ausência em permanência.
Porque algumas coisas passam.
Outras ficam.
E há aquelas
que só sobrevivem
quando se tornam palavras.
Para que não esqueçamos
daquilo que nos libertou
e nos cativou.
Marco Arawak
Nossas Mãos
O tempo passa a correr e nos obriga a ver que a armadura pesada deixou de valer. O que nos resta — e o que nos basta — é continuar a apertar firme aquela mesma mão que nos susteve no topo do sol e no fundo da tempestade que afasta. Chegamos à maturidade plena da alma, onde a defesa cede à calma e o controle do destino nos dissolve numa cumplicidade. É um amor que despiu todos os medos, cruzou as eras sem segredos e transformou a calmaria do outro na nossa única, inegociável e definitiva morada, sem espaço para outro enredo. Porque tentar respirar e viver longe de tudo isto é, no limite mais cru do instante, caminhar infinitamente sem direção.
Marco Arawak
A dor não é o destino, é matéria-prima!
A alquimia é o processo que nos tira da ruína e transforma-nos em força maior do que aquilo que quase nos destruiu.
É preciso crer , ainda que a realidade diga que não, porque há coisas acontecendo além dos limites dos nossos olhos e das nossas mãos. Coisas que somente a fé pode alcançar e que apenas o coração consegue enxergar.
Desnaturalizamos as dificuldades do processo de transformação, talvez porque tenhamos aprendido a enxergar a transformação apenas quando ela já terminou. Não sabemos reconhecer a beleza da transformação enquanto ainda estamos no meio dela, por ela se dar por meio de processos dolorosos.
Quantos “eu te amo” ficaram presos na garganta, quantos se perderam pela falta de coragem, quantos chegaram tarde demais. Quantos amores foram quase, quantos quase foram tudo, e quantos outros passaram pela nossa vida sem jamais alcançar a profundidade de uma palavra que, quando verdadeira, parecia conter um mundo inteiro. Talvez eu não sinta falta apenas de ouvir “eu te amo”; sinto falta do tempo em que essas três palavras ainda significavam permanência, entrega e verdade, antes que tantos quases e tantos outros nos ensinassem que nem todo amor que começa encontra coragem para permanecer.
Marco Arawak
Quantas últimas vezes aconteceram sem que soubéssemos que eram as últimas; quantos abraços terminaram sem que apertássemos um pouco mais, quantas vozes ouvimos acreditando que haveria outra manhã, quantas portas atravessamos certos de que voltaríamos. E quantas metas traçamos como se o futuro tivesse alguma obrigação de se parecer com os nossos planos; quantos caminhos terminaram em quase, quantos quase chamamos de fracasso apenas porque não chegaram ao destino que havíamos imaginado. Talvez haja nisso uma das contradições mais profundas da existência: precisamos acreditar no amanhã para continuar, mas é justamente essa crença que nos faz atravessar o presente como se ele fosse apenas passagem. Enquanto esperamos chegar, pessoas se tornam lembrança, desejos mudam de nome, caminhos se desviam e versões inteiras de nós desaparecem sem cerimônia. Talvez a vida não doa somente pelo que perdemos ou pelo que não conseguimos alcançar, mas por aquilo que só compreendemos quando já não podemos voltar: quase tudo o que um dia chamamos de futuro estava, silenciosamente, acontecendo diante de nós.
Marco Arawak
Entre seres iguais, não há superioridade a reivindicar nem inferioridade a aceitar. Há o reconhecimento radical de que nenhuma existência é medida pela régua da outra. Iguais não porque sejam semelhantes, mas porque possuem o mesmo direito de ocupar o mundo com inteireza, voz, liberdade e dignidade. E quando esse reconhecimento se transforma em carinho, o afeto deixa de ser poder: torna-se presença, reciprocidade e encontro.
Desacreditado
Há um momento em que alguém deixa de ser apenas questionado e passa a ser desacreditado.
A diferença parece pequena. Não é.
Questionar ainda deixa alguma coisa em aberto. Ainda existe espaço para resposta, para dúvida, para surpresa. Desacreditar é diferente. Muitas vezes, a conclusão chega antes da pessoa.
Ela fala, mas a escuta já começa a se fechar. Tenta explicar, mas a explicação parece vir tarde demais. Tenta de novo e encontra aquela suspeita silenciosa de quem pensa, antes mesmo de ouvir: “eu já sei onde isso vai dar”.
É assim que um erro, pouco a pouco, deixa de ser apenas um erro.
Ele cresce. Ocupa espaço. Ganha memória.
E, sem que ninguém perceba exatamente quando isso aconteceu, passa a representar a pessoa inteira.
Há uma diferença enorme entre dizer que alguém falhou e dizer que alguém é um fracasso. A primeira frase fala de um acontecimento. A segunda transforma o acontecimento numa definição.
Talvez esse seja um dos pesos mais difíceis de carregar quando se é desacreditado: não apenas perder a confiança dos outros, mas perceber que, para alguns, já não existe sequer o direito de ser diferente daquilo que um dia se mostrou ser.
No começo, isso vem de fora.
De um olhar. De uma palavra. De uma comparação. De uma lembrança que alguém insiste em trazer de volta. Vem daquela sensação estranha de que uma versão antiga de nós entrou no ambiente antes da nossa chegada.
Depois, com o tempo, alguma coisa muda de lugar.
A voz que vinha de fora começa a aparecer por dentro.
“Ninguém acredita em mim” pode, quase sem ruído, transformar-se em “talvez eu também não deva acreditar”.
E aí o descrédito se torna mais perigoso.
Porque já não precisa de plateia.
A pessoa recua antes que a rejeitem. Evita tentar para não confirmar aquilo que teme. Cala algumas coisas antes mesmo de descobrir se seriam ouvidas.
Não porque tenha necessariamente perdido sua capacidade, mas porque começou a perder algo mais delicado: a imagem de si mesma como alguém capaz.
Nem todos reagem da mesma maneira.
Alguns se recolhem. Passam a esperar menos de si, dos outros, da vida. Outros fazem o contrário: tentam provar demais, transformam cada gesto numa defesa, cada erro numa ameaça, cada dúvida alheia numa nova acusação. Há ainda quem escolha o desapego como proteção: se eu não esperar nada, pensa, nada poderá me frustrar.
São caminhos diferentes, mas podem nascer da mesma ferida.
O descrédito repetido reduz expectativas. Expectativas menores podem reduzir tentativas. E menos tentativas podem produzir, com o tempo, justamente aquilo que no início era apenas um julgamento dos outros.
A pessoa deixa de arriscar.
Deixa de insistir.
Deixa de imaginar alguns caminhos.
E, anos depois, talvez olhe para aquilo que não aconteceu como se nunca tivesse sido possível.
É aí que a frustração se torna mais difícil de compreender.
Porque ela não nasce apenas do que se perdeu.
Nasce também do que deixou de ser tentado.
Dos caminhos abandonados antes do primeiro passo. Das escolhas recusadas por medo. Das possibilidades que morreram não porque fossem impossíveis, mas porque a própria pessoa passou a acreditar cedo demais que não conseguiria alcançá-las.
Talvez, então, alguns dos frustrados de amanhã sejam os desacreditados de ontem que, pouco a pouco, aprenderam a esperar menos.
Não todos.
Não necessariamente.
Mas alguns.
Sobretudo aqueles que passaram a carregar por dentro o julgamento que antes vinha de fora.
Ainda assim, é preciso cuidado.
Desconfiar também protege.
Nem toda pessoa merece crédito. Nem toda promessa deve ser acolhida. Nem toda segunda chance precisa ser dada apenas porque foi pedida.
Há pessoas que repetem.
Há arrependimentos que funcionam muito bem nas palavras e muito mal nos atos.
Há mudanças anunciadas tantas vezes que acabam se tornando apenas outra maneira de ganhar tempo.
Por isso, desconfiar nem sempre é dureza.
Às vezes, é memória.
Às vezes, prudência.
Às vezes, é a forma que encontramos de não cair novamente no mesmo lugar.
Mas existe uma fronteira. E talvez ela seja mais importante do que parece.
A dúvida pergunta: “será?”
A desconfiança pergunta: “que razões tenho para acreditar?”
O descrédito absoluto já decidiu: “nada será suficiente”.
Um ainda observa.
O outro procura apenas aquilo que confirma o que já pensava.
Um admite a possibilidade de rever.
O outro transforma um episódio em destino.
Talvez seja por isso que desacreditar alguém possa significar mais do que retirar confiança.
Pode significar retirar movimento.
Deixar de admitir que uma pessoa possa reparar, amadurecer, aprender tarde — mas aprender. Recusar a hipótese de que possa fazer diferente, surpreender, escapar da imagem na qual foi aprisionada.
Isso não significa esquecer.
Nem fingir que nada aconteceu.
Nem devolver confiança apenas porque o tempo passou.
O tempo, sozinho, não melhora ninguém.
Há coisas que precisam ser demonstradas. Mudanças que exigem constância. Palavras que só recuperam algum peso quando, finalmente, começam a aparecer nos gestos.
Mas existe um perigo também do outro lado.
O perigo de decidir cedo demais que nada jamais será suficiente.
Porque chega uma hora em que já não estamos apenas tentando nos proteger de uma nova decepção.
Estamos tentando proteger nossa própria certeza de qualquer coisa que possa contrariá-la.
E isso também aprisiona.
O descrédito pode começar como defesa e, devagar, virar prisão para os dois lados: para aquele que perdeu o crédito e para aquele que já não consegue rever o julgamento que fez.
Quanto tempo deve durar um erro?
É difícil responder.
Quanto de alguém deve permanecer preso ao pior que fez?
Não sei se existe uma medida justa.
Quando uma lembrança necessária deixa de ser memória e passa a funcionar como sentença?
Em que momento uma mudança deixa de ser apenas uma fala bonita e começa, de fato, a merecer consideração?
Talvez essas perguntas não tenham respostas fáceis — e talvez não devessem ter.
Há uma tensão que não desaparece: responsabilizar sem congelar, desconfiar sem transformar a suspeita numa identidade, reconhecer mudança sem inventá-la, admitir reparação sem apagar aquilo que aconteceu.
Talvez maturidade tenha menos a ver com saber exatamente quando acreditar e mais com continuar capaz de perceber quando a realidade já não cabe na ideia que fizemos dela.
Porque o descrédito também seduz.
Há nele uma estranha promessa de segurança.
Quem não espera nada imagina que não poderá se frustrar.
Quem não acredita em ninguém pensa estar protegido do engano.
Quem já decidiu que alguém nunca mudará não precisa enfrentar o desconforto de admitir, um dia, que talvez tenha mudado.
Só que toda certeza cobra alguma coisa.
E, às vezes, cobra justamente a capacidade de enxergar aquilo que veio depois.
Ser desacreditado talvez seja uma forma de exílio.
Não exatamente de um lugar.
De um lugar possível.
É entrar numa conversa e sentir que aquilo que você fez anos atrás chegou antes. É perceber que o erro ocupa tanto espaço que quase não sobra lugar para todo o resto. É ser ouvido por meio de uma versão antiga de si mesmo.
E isso cansa.
Cansa ter de explicar.
Cansa ter de provar.
Cansa perceber que, para algumas pessoas, qualquer gesto novo continuará sendo lido por uma lente velha.
Talvez uma parte da reconstrução comece quando entendemos que não controlamos o momento em que os outros voltarão — se algum dia voltarem — a nos enxergar de outra maneira.
Algumas confianças não serão recuperadas.
Algumas portas não se abrirão novamente.
Algumas pessoas preferirão guardar para sempre a versão de nós que conheceram num momento ruim.
E há pouco que possamos fazer sobre isso.
Mas existe uma parte que não deveria ser entregue.
A própria identidade.
Porque perder o crédito de alguém não é a mesma coisa que perder a si mesmo.
Talvez a última resistência do desacreditado seja justamente essa: não passar o resto da vida tentando provar alguma coisa para todos; não transformar cada gesto numa defesa; não viver permanentemente diante de um tribunal imaginário, esperando uma absolvição que talvez nunca venha.
Talvez seja apenas continuar.
Com mais consciência.
Com menos ilusões.
Talvez com algumas cicatrizes.
Mas continuar.
E conservar dentro de si a chance de ainda se tornar alguém que nem o próprio passado conseguiu prever.
Porque ninguém deveria ser obrigado a coincidir para sempre com o pior momento da própria história.
Talvez exista uma liberdade pequena, quase silenciosa, nisso.
Seguir em frente sem exigir que todos voltem a acreditar.
Sem implorar que esqueçam.
Sem negar aquilo que aconteceu.
Mas também sem permitir que o descrédito dos outros tenha autoridade para escrever a última frase sobre quem ainda podemos ser.
O INVENTÁRIO DE NÓS
Por Marco Arawak
Há períodos da vida em que parece que alguém entrou em nossa casa enquanto dormíamos e mudou algumas coisas de lugar. Tudo continua reconhecível, mas já não encontramos facilmente aquilo que procuramos. Uma lembrança surge onde não deveria estar. Uma ausência ocupa um espaço antes insignificante. Uma antiga certeza perde a posição que tinha dentro de nós.
Talvez o desencanto comece assim: não como uma ruptura, mas como a percepção de que aquilo que sustentava nossa maneira de compreender o mundo já não permanece intacto.
A casa continua de pé.
Somos nós que já não sabemos exatamente como habitá-la.
Carregamos conversas, escolhas, desilusões, expectativas frustradas e vínculos que mudaram de forma. Nem sempre sabemos imediatamente o que fazer com tudo isso. Algumas lembranças permanecem próximas; outras tentamos esconder. Mas aquilo que não nomeamos continua participando de nós, às vezes de maneiras que só percebemos muito tempo depois.
A memória também tem seus quartos sem luz.
Por isso, chega um momento em que precisamos examinar o que carregamos. Não para transformar cada experiência em ensinamento, nem para encontrar uma explicação para tudo, mas para distinguir o que ainda nos pertence daquilo que mantemos apenas porque nunca paramos para escolher.
Há coisas que permanecem conosco sem jamais terem sido escolhidas.
Aceitar que certas relações se afastaram, que alguns projetos terminaram e que nem tudo pode ser corrigido pela nossa vontade não significa considerar justo o que aconteceu. Significa reconhecer os limites do nosso controle e começar a fazer as pazes com aquilo que não podemos modificar.
Nem toda ausência pede preenchimento.
Algumas pedem apenas reconhecimento.
Talvez escrever seja uma maneira de realizar esse inventário. A palavra aproxima o que estava confuso, dá contorno ao que permanecia sem nome e nos permite olhar para uma experiência sem aumentá-la nem diminuí-la. Escrever não muda o que aconteceu. Muda, às vezes, o lugar de onde conseguimos olhar para o que aconteceu.
E há coisas que só se tornam compreensíveis quando encontram linguagem.
Reorganizar não é apagar. É escolher o que merece permanecer perto, o que pode ser guardado mais longe e o que já não precisa ocupar nossa atenção.
Algumas lembranças permanecem.
Outras perdem a centralidade.
Não porque tenham deixado de existir, mas porque deixaram de governar.
Há sentimentos que precisam ser compreendidos antes de serem deixados para trás. Há vínculos que encontram outra forma de existir. Há portas que, depois de algum tempo, já não precisamos manter abertas.
Nem tudo o que se fecha precisa ser lamentado como perda.
Às vezes, fechar também é uma forma de cuidado.
Maturidade talvez tenha menos relação com esquecer do que com aprender a distribuir o peso do que vivemos. O desencanto pode permanecer na história sem determinar quem somos. Uma ausência pode ser reconhecida sem transformar-se em vazio permanente. O passado pode continuar verdadeiro sem ocupar sozinho o presente.
O que aconteceu não precisa desaparecer para deixar de ocupar o centro.
Também precisamos, às vezes, do silêncio. Não necessariamente para encontrar respostas, mas para escutar aquilo que o ruído costuma encobrir. Quando diminuímos a pressa de corresponder às expectativas alheias, algumas perguntas começam a aparecer.
É curioso como, quando tudo silencia, certas verdades fazem menos barulho e dizem mais.
O que ainda faz sentido?
O que mantenho apenas por receio de perder?
O que realmente pertence à minha história?
Nem sempre encontramos respostas. Algumas perguntas permanecem conosco durante anos, mudando de significado à medida que nós também mudamos. Mas perguntar já altera alguma coisa. Devolve à consciência aquilo que o hábito havia decidido por nós.
Há perguntas que não querem uma resposta imediata.
Querem tempo.
Talvez coragem seja justamente isso: não viver sem receio, mas não permitir que ele escolha sozinho o que permanece.
O receio pode bater à porta.
Não precisa receber as chaves.
Não somos obrigados a transformar toda despedida em explicação, nem todo encerramento em começo. Algumas coisas simplesmente terminam. E talvez precisemos apenas reconhecer que existiram.
Nem todo fim precisa de uma última palavra.
Às vezes, o silêncio é a única forma honesta de encerrá-lo.
No fim, continuar não significa reconstruir quem éramos antes. Há experiências que mudam nossa maneira de olhar, de escolher, de permanecer e de partir. Depois delas, a antiga disposição das coisas já não volta exatamente ao lugar.
Então aprendemos a viver de outra maneira.
Não necessariamente mais fácil.
Apenas mais nossa.
Talvez seja essa a parte mais silenciosa do amadurecimento: compreender que também somos feitos das escolhas que fazemos diante do que nos aconteceu.
O passado nos oferece matéria.
Mas não deveria escrever sozinho o que somos.
Esse é o verdadeiro inventário de nós: o que recebemos, o que nos atravessou, o que deixamos partir e o que, conscientemente, decidimos conservar.
Nem tudo merece permanecer.
Nem tudo precisa ser esquecido.
Há uma diferença entre carregar uma lembrança e continuar vivendo dentro dela.
No fim, não somos apenas o conjunto do que nos aconteceu. Somos também a maneira como damos destino ao que aconteceu.
E talvez seja justamente aí que alguma coisa se abre.
Não uma resposta.
Não uma promessa.
Apenas a possibilidade de continuar, levando conosco aquilo que ainda reconhecemos como nosso e deixando para trás, sem culpa, aquilo que já cumpriu o seu tempo.
Porque, às vezes, amadurecer não é acrescentar mais alguma coisa àquilo que somos.
É finalmente saber o que podemos deixar de carregar.
" É preciso perder para aprender a ganhar. Aqueles que somente ganham - ou somente ganhando querem viver - não sabertrão como portar-se nem como suportar-se, tempouco como encontrar suporte para os cortes que as perdas fazem acontecer".
" Quando buscamos adaptar o mundo e as pessoas aos nossos padrões pessoais de realidade e verdade, sem estarmos alinhados com uma postura humilde, corremos o risco de cometer grandes equívocos. (...) As diferenças são um recurso divino, capazes de enriquecer a experiência do ser espiritual em direção à plenitude."
A forma perfeita, de desvendar um mistério ou algo oculto. É arriscar sua própria pele, mas assegure-se de sempre estar com uma opção de fuga.
Mas o homem é como certas aves domésticas, que podem estar presas em galinheiro ou viveiros enormes, mas forçam sempre as portas e, encontrando saída, mesmo para um mundo menor e absolutamente ignoto, tem por desejo único fugir, escapar.
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