Dormir em seu Colo e Morrer em seus Bracos
O que fazer quando bate aquela saudade de quem mora perto, mas você não pode ir até lá, para acabar com o sofrimento, simplesmente por que aquela pessoa não faz mas parte da sua vida?
"Eu não te devo nada. E você não é nada para mim.
Obrigado por me curar da minha ridícula obsessão pelo amor."
Talvez aquilo que me disse faz sentido, que o meu corpo já não é mais teu abrigo. Não tenho culpa por você não me querer, é uma desculpa pra tentar me convencer que acabou.
Qual é o teu segredo, do que você tem medo? Não sou nenhum brinquedo que pode se quebrar. Me dê algum motivo, por não estar contigo. Quero saber se você tem um novo amigo que ama você como eu amei. E que também vai te proteger, e te dar o que eu não te dei.
O amor-próprio é uma
forma de se encontrar,
de se conectar,
de se concentrar
e de se reconhecer
consigo mesmo.
O amor-próprio
permite à pessoa
se valorizar
como ser humano.
Assim, amando-se
e permitindo-se ser,
realizado, feliz
e próspero
no caminhar da vida.
"Bonedog"
Voltar pra casa é terrível, quer os cães lambam o seu rosto ou não.
Se você tem uma esposa ou apenas solidão em forma de esposa esperando você, voltar para casa é terrivelmente solitário.
De tal modo que você pensará na opressora pressão barométrica lá de onde acabou de voltar com afeição, pois tudo é pior após chegar em casa.
Você pensa nas pragas grudadas nos talos da grama, longas horas na estrada, assistência rodoviária e sorvetes e as formas peculiares de certas nuvens e silêncios com nostalgia, porque você nem queria voltar.
Voltar para casa é... simplesmente horrível.
E os silêncios caseiros e nuvens não ajudam em nada, além do mal-estar geral.
Nuvens, do jeito que elas são, são de fato suspeitas e feitas de um material diferente, do que daquelas que você deixou para trás.
Você mesmo foi cortado de um outro pano nublado, devolvido, remanescente, malfadado pelo luar, infeliz por estar de volta, esgarçado em todos os pontos errados, um terno desfiado, maltrapilho, surrado.
Volta pra casa, aterrissado da lua, forasteiro. A força gravitacional da terra, um esforço agora redobrado, desamarrando seus cadarços e os seus ombros, entalhando mais fundo a estrofe de suas preocupações em sua testa.
Você volta para casa afundado, um poço ressecado ligado ao amanhã por um frágil fio de... Enfim.
Você suspira no massacre de dias idênticos, que é melhor aceitar, de uma vez.
Bem... enfim, você voltou.
O sol sobe e desce como uma puta cansada. O clima imóvel como um membro quebrado, enquanto você não para de envelhecer.
Nada se move, além das marés de sal no seu corpo. Sua visão embaça, você carrega o seu clima com você, a grande baleia azul, uma escuridão esquelética.
Você retorna, com uma visão de raio x, seus olhos se tornaram famintos. Você volta pra casa, com seus dons mutantes, para uma casa óssea.
Tudo o que você vê agora, é tudo... osso.
(Poema Bonedog, de Eva H.D.)
Até ideias falsas e ruins de filmes querem viver. Como se crescessem no seu cérebro, substituindo ideias reais. É o que as torna perigosas.
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