Dormir em seu Colo e Morrer em seus Bracos
ah, mas se eu sonhei demais
não foi só culpa minha
seu corpo fomentou a minha fantasia
e se eu quis ser feliz perdoa
nunca mais vou sonhar assim,
nunca mais vou querer ser feliz
nunca mais vou pensar
que a vida pode ser boa
BABY
Guarde seu olhar de compaixão,
Cale suas palavras doces,
Já me acostumei com o silencio
E a escuridão...
A solidão me chama de baby...
Baby, baby baby baby...
A lua nos espera na varanda
Onde os fantasmas do passado
Dançam seus boleros,
Onde eu espero o momento que não veio,
Onde eu degolo aquele ser austero
Que da noite só esperava a lua...
Baby... baby..baby...
A solidão me chama de “meu bem,”
As taças tilintam irritantes,
Ao som de ébrias gargalhadas,
Daqueles que profanam a noite...
A lua se insinua na varanda,
Anda pros meus braços,
Pra insanidade inocente dos santos,
Pra ternura piegas e débil dos loucos...
Quem disse que eu não sou Deus?
Se a névoa púrpura e plasmática
Bafeja este deserto de assombrações...
Quem disse que eu não sou Deus?
Se tenho um punhado de estrelas na minha destra
E na minha esquerda
Um coração que pulsa
Ao ritmo de tuas lágrimas e sorrisos...
Quem disse que eu não sou Deus?
Se a emoção que enrubesce sua face
Agita o sangue em suas veias
me faz manter suspensos e brilhantes os astros...
Quem disse que eu não sou Deus???
Meu cavalo de prata,
Minhas esporas de ouro
Fustigando o seu dorso
Nessa lua opala...
A gravidade engravida a vida,
A diva dessa insanidade:
Minha paixão...
O meu cavalo de ouro,
Minha espora de prata,
Mulata galopa no meu coração...
Eu quero entender o cavalgar
Na ilusão lunar da minha solidão...
Meu cavalo de bronze
Cavalga longe
E o amor se esconde ...
Meu cavalo de ouro
Domina o touro da minha ilusão...
AÇUCENA
Um dia eles se casariam,
Mas o rio levou seu corpo
E das rosas que ela colhia
Às margens do rio
Germinou açucena...
Ele ficou tão triste,
Que virou poeta
E quando morreu
Transformou-se em beija-flor
E sai as margens do rio
Beijando as flores,
Procurando Açucena.
MUNDO BONITO
Meu amor,
O mundo é tão bonito,
A natureza é sábia,
A sabiá declama seu encanto,
As estações têm suas cores singulares,
A lua tem seus loucos,
Seus lobos e suas fases
E o amor tem a beleza da vida,
Os mares têm suas ressacas
E os bêbados têm cirroses hepáticas
E as calçadas,
Têm angústias que embriagaram seus dias
Lembranças vadias a namorar nas praças
Em passados remotos
Quando não menos que tolos
E de paixão embevecidos
Achavam que o amor era belo
E o mundo bonito.
ROSA
Rosa está tão só no jardim
Que ouço seu soluçar
E bater seu coração
Como se a rosa no espinho
Arranhasse a solidão
Que arranha suas pétalas
E espetá-las assim
Com rima de verso e prosa,
Com a brisa do verão
Que acalanta a roseira
Lacrimeja no olhar
E faz de Rosa a rosa
Dos delírios a quimera,
Da estação primavera,
Das flores a mais formosa
VOCÊ SABE ONDE FICA O BERIMBAU DO GOZA?
Seu Iteovaldo tentou explicar
Mas aos 85 anos já não lembrava direito:
"_Era um lugar bonito, de riso e de grito e admiração..."
O adolescente esperava ansioso
Sem querer saber de toda aquela prosa:
"_Só queria saber onde fica o berimbau do goza..."
_"Tem borboletas e passarinhos...
Tem uns ninhos e outros bichos e tem dois montinhos..."
Era meio poético falar assim,
Mas seu Serafim, bem vivido e bem sucedido
Imaginou que seria melhor compreendido:
_"Você desce uma alameda e tem uns matinhos
Que metem medo, mais pelos segredos que pelos perigos;
Foi assim comigo, tinha um fogaréu, vinha um vendaval
Mas depois dali estaria o berimbau..."
_"Sei não, começou seu Rui, que tinha algo de Barbosa
Comigo foi fácil achar o berimbau do goza;
Fui com Serafina, que era cega,
Surda e muda, e tateava tudo
E perguntava o tempo
E desfrutava a brisa e o calor da manhã,
O barulho das águas e o cantar das aves...
E era tão lindo aquele caminho,
Que o tempo voou e chegou a noite,
Surgiu uma nave de brilhos bonitos,
Improvisei uma rima pra Serafina
Que luzia como um vagalume,
Falava e via e me escutava,
Num impulso catei meia dúzia de rosas
Naquela magia ela já levitava,
Gemia algo que eu não entendia,
Mas lhe deixava formosa
Acho que era ali o berimbau do goza...
EU VI
eu vi um homem que não era mais homem
e tinha um olhar que não era mais seu
e tinha a ausência de todos os fantasmas
e tinha a asma de todos os gatos
e tinha os mistérios dos cemitérios
a pele morta, sem vida,
dentes sem precedentes
um odor inconcebível;
não era mais um ser vivente,
por mais que parecesse gente,
não era um cachorro,
os cachorros são felizes e são gratos,
os gatos têm orgulho,
era maior que um rato em tamanho,
mas revirava o lixo
com a ânsia desse bicho
eu vi um homem que não era mais homem
ou vi um bicho que não era mais bicho
Só que a solidão é tão sozinha,
que o que dói, dói tão distante
e o seu sorrir voa no tempo
e sua face some assim,
assim consome
como se o descompor-se e a razão
fosse o mesmo pilar
a sustentar e a nos deixar ruir...
ELZA SOARES
Um Mané romântico de dribles insolentes
apareceu pra enfeitar seu canto e seu sorriso
a voz se fez mais forte e ecoou no mundo
como arte e como arma a todo preconceito...
quando a dor batia ela cantava os ossos que roía
ela ruía os obstáculos que se erguia
e tinha esperança de ter esperança um dia
O que é que está acontecendo comigo
o gato que eu era em cima do telhado
de repente soltou seu miado
e sardinha, a piranha que dormia na calha
se espreguiçara indiferente
o meu olhar quarenta e tres
só vale dez por cento dos dez por cento que valia
Aceb, o mulçumano,
não entendia eu te amo
como eu entendia Aceb e sua filosofia...
o que acontece comigo
não olho mais o por do sol como eu olhara um dia
não arquiteto o teto sob estrelas
e tê-la, somente tê-la é minha obsessão,
só resta-me uma vida, só uma vida, das sete que se presumira
a brisa que leva seu perfume, leva a minha existência
e o felino que habitava este coração
caminha silencioso sob o firmamento riscado por meteoros buscando entender o que acontece...
Lave sua dor em um banho quente
Deixe que as partículas do seu DNA escorram pelo ralo,
levando com elas toda a sua culpa.
Gota a gota.
Segundo a segundo.
Feche os olhos. Pense em tudo
não pense em nada.
Permita que os pensamentos se dissolvam na água,
água essa, que insiste em levar seu couro.
Arranca, com fúria mansa,
todos os seus sentimentos.
Purifique-se.
Já não há tempo, então não crie esperança se sabe que, em breve, nascerá uma decepção.
Os poemas são incógnitas, e a vida é como poemas.
Não a desvende, nem espie o final.
Apenas sinta.
Sinta cada palavra. Interprete-a naquele momento.
Não deixe nenhuma letra para trás.
Eu te odeio
Finjo normalidade diante do seu descaso,
em comparação com a energia que tínhamos antes.
Eu não te conheço completamente,
nem suas diversas versões.
E, sinceramente, não quero conhecer.
Porque, na medida em que você se revela,
eu me decepciono mais com quem você realmente é.
E me decepciono comigo
por sentir o que sinto por você,
mesmo você sendo assim.
Se um dia te admirei,
pois saiba: hoje te desprezo.
Tento me convencer
que você ainda irá amadurecer,
ou cair na real.
Mas já percebi
que a única coisa sua que vai pra frente
é a sua idade.
Espero que você se foda
pelas suas atitudes imaturas.
Eu odeio sentir emoções fortes,
e te odeio por despertar tantas em mim.
A raiva que transborda aos poucos
consome quem sou a cada segundo.
E é culpa sua —
eu espero que você sinta o peso
do dano que me causa a cada dia.
Eu te odeio com todas as minhas forças.
E te culpo pelo meu fracasso
e pela minha infelicidade.
Porque foi você que despertou isso
e agora sou obrigada a lidar com tudo sozinha.
Eu te odeio tanto
que me atreveria a dizer que eu te amo.
Te odeio por me fazer te amar.
Te odeio por não merecer o meu amor.
E me odeio
por amar alguém que me trate assim.
Me odeio por te culpar
e te odeio por ser culpado.
Me odeio por amar alguém que,
ao meu lado, ergue os braços para outra pessoa.
Me odeio mais ainda por amar alguém como você,
que me rebaixa ao abismo.
Me odeio por ainda te querer feliz,
mesmo não sendo comigo.
E me odeio por querer felicidade
para alguém que tirou a minha.
Me odeio por não me sentir suficiente.
Te odeio por me fazer sentir insuficiente.
Eu te odeio
por ter acabado comigo.
Eu te odeio
por me fazer me odiar.
E te odeio
por me fazer sentir ódio.
Eu te odiei
desde o dia 07/06/2025.
E te odiarei
até meu último suspiro.
A beleza física da mulher é como um delírio aos olhos do homem cansado, mas seu coração pode ser negro como um abismo, e tem o poder de matar até o varão mais astuto ou o guerreiro mais poderoso.
A mulher de coração negro é mais astuciosa e traiçoeira que um demônio. Seu beijo é mais venenoso que a naja, e nele os encantados perdem a razão.. Seu olhar é sedução, seu abraço é pura traição, seu corpo é perdição, seu prazer é condenação e seu cafuné é a morte.
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