Dormir em seu Colo e Morrer em seus Bracos

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A razão que não conhece seus limites transforma hipótese em dogma e possibilidade em certeza.

O homem inventa absolutos para não suportar a vertigem de descobrir que muitos de seus valores possuem uma história

Toda sociedade estabelece seus interditos antes de compreender suas razões; depois chama de imoral quem ousa perguntar por elas.

O ser humano imagina possuir liberdade porque escolhe seus atos, mas raramente percebe que permanece prisioneiro daquilo que, dentro de si, o ensinou a desejar.

A angústia começa quando o mundo perde seus nomes habituais e o indivíduo se vê diante da nudez de sua própria existência.

A ciência oferece explicações; a filosofia examina seus pressupostos; o Direito estabelece limites para o poder exercido em nome delas.

Uma democracia intelectualmente madura não exige que seus cidadãos compartilhem a mesma metafísica, apenas que compartilhem regras de convivência.

A história muda seus cenários, seus impérios e suas bandeiras; o homem, entretanto, insiste em repetir os próprios abismos.

O ser humano criou tribunais para julgar seus semelhantes e filosofias para justificar aquilo que os tribunais não conseguem absolver.

A filosofia frequentemente compreende uma época quando seus acontecimentos já revelaram aquilo que, durante seu desenvolvimento, permanecia oculto.

O homem não é um império isolado dentro do universo; sua liberdade, seus desejos e seus conflitos obedecem às mesmas relações de causalidade que governam a natureza.

Uma sociedade realmente esclarecida não teme que seus princípios sejam questionados; teme nunca mais questioná-los.

Uma república não precisa eliminar o conflito entre seus grupos; precisa criar instituições capazes de impedir que o conflito destrua a própria liberdade.

A natureza não se deixa transformar pela arrogância humana; para compreender seus mecanismos e utilizá-los, primeiro é necessário obedecer às leis que a estruturam.

Os seres humanos frequentemente acreditam não naquilo que os fatos demonstram, mas naquilo que seus desejos tornam psicologicamente conveniente acreditar.

A ciência avança quando a razão interroga a natureza com método suficiente para descobrir seus padrões e humildade suficiente para corrigir as próprias conclusões.

Uma sociedade pode ser economicamente rica e, ainda assim, privar seus cidadãos de capacidades fundamentais reconhecidas pelo Direito.

A maneira como uma sociedade define normalidade também revela sua estrutura de poder e seus mecanismos de controle jurídico.

Toda estrutura contém tensões que podem revelar seus próprios limites normativos.

A liberdade ganha significado dentro de horizontes culturais, mas encontra no Direito seus limites de convivência.