Dor seu Silencio
O Avesso da Dor
Cansei de ser raiz.
Quero ser a árvore frondosa
que dá sombra e frutos
aos meus algozes.
Eles adubaram a terra árida
onde germinou a vida
que agora, plena,
habita em mim.
Lu Lena
ALMA NA JANELA
A cada suspiro, o sangue respinga no abismo de dor onde se encarcerou, tinge de flores rubras a cortina, lúgubre saudade na própria sina. Ouve risos vãos de vultos, por estar só, que rodopiam em zumbidos, formando um nó. Debruça-se à janela, escura como breu, até que o anjo surja e a leve para o céu.
Lu Lena
Temos que dar valor às pessoas que ficam, quando a dor leva a presença física de quem nos ensinou a amar.
Lu Lena / 2026
A prova de que a comunicação alternativa é eficaz e importante é o incômodo e a dor de cabeça que ela causa aos donos do poder. Quando o povo começa a se comunicar, a dizer sua palavra, a fazer escutar sua voz, os donos do capital e dos meios oficiais tentam silenciá-los de toda maneira. A censura que foi exercida e ainda é de outràs formas, no fundo, exprime o medo de que o povo exerça seu direito humano à comunicação.
"Reflexão Psicanalítica"
"A cura começa quando deixamos de ser refém da dor e rompemos com as algemas
da culpa."
@Suédnaa_Santos.
A dor nunca é universal, ela é sempre íntima.
Quando não habita em nós, torna-se invisível, e o invisível costuma ser julgado com leveza.
Por isso o ser humano erra quando mede a dor do outro com a própria régua: cada alma carrega um peso que só ela conhece.
A filosofia nos lembra que o outro não é extensão de mim, mas um mistério.
A psicanálise revela que muitas violências nascem da incapacidade de reconhecer a dor alheia — projetamos, negamos, minimizamos aquilo que não suportamos sentir em nós.
E a Bíblia nos adverte, com simplicidade e profundidade, que amar o próximo como a si mesmo não é sentimento, é responsabilidade.
Ferir o outro é, muitas vezes, ignorar que ele também sangra por dentro.
Quem carrega a dor sabe o seu tamanho; quem observa de fora só vê o silêncio.
Por isso, antes de agir, é preciso lembrar: o que faço ao outro pode se tornar a cruz que ele terá de carregar sozinho.
Em certos momentos da vida, aprendemos que nem toda dor pode ser dita.
Algumas precisam ser guardadas, e algumas renúncias, aceitas.
A diferença entre o homem comum e o pastor não está na ausência de dor, mas na fidelidade ao chamado apesar dela.
A dor que não curei
A minha dor, que eu não curei, me fez machucar muita gente, até a mim.
A minha dor, a dor que eu não curei, me matou, e eu matei.
Não usei armas. Usei a dor que não tinha sido curada como espada e como faca.
Não matei literalmente; matei sem usar a força, só com a dor que eu ainda não tinha curado.
A minha dor, que eu ainda não curei, vez por outra grita, mas não ando mais por aí destilando o que dói em mim; sigo buscando a cura o tempo todo, até o fim.
Nildinha Freitas
Sombras do passado
Apagam o brilho do presente,
Dilaceram o futuro.
Marcas de uma dor cruel,
Traumas que clamam por superação
Na mente inquieta
Que implora por socorro.
Vejo a maldade no olhar,
e, com profunda dor,
sei que derramar amor
não vai adiantar.
O ódio toma conta,
corações se perdem
no caos do viver,
sem esperança
de um novo amanhecer.
Há Muita Dor, Mas Há Mais Amor
Sorrateiramente, memórias da infância me invadem e me fazem romper com o cotidiano.
Na lembrança, apresenta-se uma figura aterrorizante, um clichê de tirano.
Do meu quarto, sinto o odor do cachimbo, enquanto o desprezo em seus olhos exala ódio.
Mas ainda posso ouvir, da janela, apesar da tarde taciturna, as vozes das outras crianças brincando.
Do terceiro andar, fantasio-me brincando com elas no térreo, pois nem concebo a ideia de descer.
Por instinto, aguardo o déspota adormecer ou sair de casa, para que eu possa me divertir.
De repente, o interfone toca. Ele atende e, após alguns berros, sai depressa pelas escadas, entra no carro e me liberta.
Faço meus afazeres escolares; minhas irmãs dormem, minha mãe está no trabalho — e agora desobedecer é o mesmo que viver.
Viver é muito melhor que sonhar, e entrego-me de corpo e alma às brincadeiras, com minha pipa e meu pião.
Já estou sujo de terra como os amigos; ganhei pipas, perdi o pião, e acendi a chama do meu coração.
Minha alma é invadida pela alegria de ser criança — sinto que venci o mal.
Porém, subitamente, escuto a cavalaria do inferno através do escape velho e barulhento.
Corro mais rápido que no pega-pega, subo as escadas para que não perceba que estive brincando.
Entro direto no banheiro, tomo banho e começo a chorar, pois sei o que está por vir.
Você entra, espera que eu termine o banho e me surra com a mangueira que usou para lavar o automóvel.
E sofro mais uma das infinitas violências daquele a quem um dia chamei de pai.
Por esses episódios, passei a vida acreditando que não deveria ser pai, pois às vezes me via reagindo de forma igualmente inclemente.
Entre tantas escolhas, esse pensamento sempre permaneceu, por temer que um dia eu me tornasse como ele.
Arrependo-me profundamente, porque as decisões que tomei castigaram minha alma e me amaldiçoaram até recentemente.
Ainda que tardiamente, ser pai foi a melhor ventura que me aconteceu.
A importância de sê-lo é reconhecer a mudança e lançar esperança ao futuro.
Mas o mais especial para mim foi descobrir que, apesar de toda a dor que carrego, ainda sou capaz de dar e receber amor.
DRAL
A Morte é um mistério
Deixa Dor na despedida
O Corpo é do cemitério
E o Espírito, a Luz da Vida.
Gélson Pessoa
Santo Antônio do Salto da Onça RN
04/01/2026
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