Dor seu Silencio
Silêncio no Último Beijo
O nosso último beijo foi a pior despedida,
não houve adeus, só um suspiro preso no ar.
Teus lábios frios selaram a ferida
que o tempo insiste em não cicatrizar.
Ficou no espaço um gosto de ausência,
um toque sem alma, um fim sem final.
Teu olhar partiu com indiferença,
mas o meu ficou... preso no vendaval.
A rua era a mesma, mas tudo calava,
o mundo seguia — eu não. Eu parava.
Na esquina da dor, teu rastro sumia,
levando meu riso, minha melodia.
Eu beijei o adeus sem saber que era o fim,
imaginando retorno onde só havia fim.
E hoje entendo: o pior adeus
é aquele que vem...
com um beijo que não disse nada,
mas levou tudo.
Às vezes a vontade de se explicar é grande, mas a coragem falta, e o silêncio acaba falando mais do que as palavras poderiam dizer. E quando os olhares se encontram, dizem mais que mil palavras, porém ainda assim não é o bastante.
“Eu esperava que você me escolhesse”
Eu ficava em silêncio esperando você se decidir.
Esperando que enxergasse tudo o que eu era.
Tudo o que eu oferecia.
Eu só queria ser escolhida.
Com coragem. Com presença. Com verdade.
Mas você tinha medo.
E eu me afastei tentando não implorar.
Doeu.
Mas hoje eu entendo:
se eu preciso esperar ser escolhida,
é porque nunca fui prioridade.
Eu merecia alguém que soubesse que era eu e ponto.
"Amor em Camada de Valência"
No silêncio atômico do ser,
há um núcleo que só quer entender
por que falta algo no fim do dia,
como se a alma pedisse alquimia.
Sou ametal, um ser de atração,
não busco ouro, nem combustão.
O que me falta é só conexão,
um elétron que acalme meu coração.
Tua carga vem de longe, flutua,
como próton que à noite recua.
E eu, com fome de completar,
atraio o que tens pra doar.
Mas não é roubo, nem imposição —
é enlace, é química, é comunhão.
Compartilhamos elétrons com calma,
como quem entrelaça corpo e alma.
E se a vida é feita de ligações,
de forças fracas e paixões,
então que sejamos moléculas unidas,
pelo amor que dá sentido às vidas.
Aprenda com o céu: Deus honra os que permanecem fiéis mesmo no silêncio da cova, mesmo quando todos pensam que estão esquecidos. Mas o inferno, este promove os que sabem negociar cabeças.
Sou sozinho como cada estação, opto pelo silêncio porque as palavras só são boas quando escritas; mal sei falar, não sei pedir, só me desculpar. A imensidão do mundo estampa a pequenez contida na minha existência, de tudo o que existe sou o único a não expandir. Se a natureza não morre e se renova, a cada tentativa minha de renovo, morro um pouco mais. Sonho em ser tantas coisas e sou a pior delas, tão humano. Tão errante. Tão vulnerável e tão cheio de vícios de vivência. Não ocupo todos os espaços, mas sonho estar em todos os lugares. Às vezes sou meu pior inimigo e é para mim que perco todas as batalhas. Eu é quem ergo a espada e sou eu a limpar o sangue e recolher as cabeças. Canto de vitórias que não são minhas. Raramente me abraço. Me conforto com lembranças douradas de um tempo que ainda não vivi. Lembro de amores que não conheci e conheço histórias de um tempo onde o amor não existia. Tudo o que sei sobre o amor é o que me contaram. Tudo o que sei sobre saudade são as minhas perdas. E tudo o que sei sobre mim mesmo é tudo aquilo que ainda não descobri.
Um Dia Que Pensou
No silêncio da manhã que se anuncia,
brota a dúvida: o que faz o tempo valer?
Será o instante que passa e se esvazia,
ou o olhar que aprende a compreender?
O dia especial não grita nem exige
ele se insinua, sutil como o vento.
Está no gesto que jamais se finge,
na paz que nasce dentro do pensamento.
Cada segundo é um espelho suspenso:
reflete escolhas, acertos, enganos…
Viver não é seguir um plano imenso,
mas dançar com o acaso de mãos.
Ao fim da jornada, o que permanece
não é o que vimos, mas o que sentimos.
Porque o que torna um dia inesquecível
é o que mudamos em nós mesmos.
Velhice
Velhice é tempo que pesa no peito,
Silêncio que grita no fim do leito.
É pele que sente, é passo que falha,
É o tempo dizendo que a vida não para.
Fugimos do espelho, mudamos o rosto,
Omitimos a idade como se fosse desgosto.
Mas ela chega — e se não vem,
É porque partimos cedo, também.
Não é o cabelo branco que mais assusta,
É a visão que falha, a memória que custa.
É a dor de perder quem já se foi,
E saber que o tempo não volta, não dói?
Velhice é sorte cercada de amor,
De um neto que estende a mão com fervor,
De um filho que ajuda com o prato na mesa,
Num mundo que esquece a delicadeza.
Envelhecer é poema que poucos leem,
Mas é dádiva dos dias que ainda vêm.
É ver, devagar, quem amamos partir,
E sentir no peito o tempo a ruir.
Elaine Paula 14 julho 2025
desperdício de sentimentos
as nossas diferenças
cresceram em silêncio.
você se fechou pra mim,
como porta trancada
sem aviso.
e eu fiquei do lado de fora
cheio de sentimentos
sem destino.
no fim,
foi isso:
as nossas diferenças
foram o maior
desperdício de sentimentos.
— ✍️ (Alessandra 🪓 )
Eu escolhi o fim, mas quando ele se foi... por que pareceu tão errado? O vazio e o silêncio que ficaram após a partida dele me sufocam, e eu tento, de toda maneira, achá-lo. Disseram que isso ia passar, mas, depois de tanto tempo, ainda dói, e eu estou desesperada, porque o rosto dele já não é tão nítido assim... O perfume dele... qual era mesmo? Minha mente está apagando, mas meu coração já decidiu que vai guardá-lo para sempre. Porque é suportável amá-lo aqui, melhor do que perdê-lo novamente e para sempre.
Nem todo silêncio é indiferença. Meu traço tóxico? Quando estou mal, sumo. Me fecho. Me resolvo sozinho. E quando volto… ajo como se nada tivesse acontecido. Não é frieza. É só o jeito que aprendi a lidar com a dor: calado.
O silêncio é uma palavra não dita. O silêncio é um olhar desencontrado. O silêncio corta minha pele. O silêncio é a explicação que nunca veio. O silêncio é uma resposta sem palavras. O silêncio diz. O silêncio cala. Cala fundo em minha alma. Excesso de silêncio se chama vazio. E o vazio é uma vida sem sentido. Por isso corta minha pele, minhas veias e meu entendimento. Quando a linguagem se cala, pode ser um fim, ou uma pausa. O silêncio também é musica. Sem o silêncio tudo seria ruído. Um ruído estridente como uma multidão alvoroçados. O silêncio é solidão. O silêncio é a falta que você me faz. É me lembrar é nada mais. O silêncio que não alcançará o seu som. Como o ponto de uma reta. Incompleta. O silêncio fala alto em minha vida. Como uma sina. Espero palavras sonoras, como uma confidência dita a meio tom. Entre mim e o que espero há uma distância. Silenciosa. Como os minutos que nos ignoram.
Na Rota da Paz, cada passo ecoa o silêncio das armas e acende a esperança de um mundo onde o respeito e o diálogo travam o verdadeiro caminho da humanidade.
"Está acompanha de vozes, gente, multidões - Há um silêncio que grita dentro de mim - é desta solidão a qual eu me refiro.
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