Dor seu Silencio
"No silêncio onde a alma reside, a voz ergue-se como prece antiga; um sopro que atravessa o vazio e pesa no peito como lembrança de primaveras que não voltam."
CAPÍTULO III
A PEDRA E O SILÊNCIO.
O inverno descia sobre a Úmbria com a gravidade própria do século XI. As colinas próximas a Perugia tornavam-se densas sob a névoa, e o ar carregava o odor de lenha úmida e terra revolvida. Não havia pressa na estação fria. Havia espera. E na espera formava-se o caráter.
Cladissa contava aproximadamente 17 invernos quando o abade do mosteiro próximo, vinculado à Ordem de São Bento, permitiu que algumas jovens do vilarejo participassem da instrução elementar da leitura dos salmos. Não era privilégio comum. A alfabetização, ainda que rudimentar, concentrava-se nos claustros. Mas a região vivia um momento de reorganização disciplinar após as reformas impulsionadas por Gregório VII, e a formação espiritual das famílias tornara-se preocupação constante.
O mosteiro erguia-se em pedra clara, austera, quase severa. Nada ali convidava ao conforto. Tudo remetia à permanência. Ao atravessar o pátio interno pela primeira vez como aprendiz e não apenas como visitante, Cladissa sentiu algo que não soube nomear. Não era temor. Era reconhecimento. Como se a pedra falasse uma língua silenciosa que sua alma já conhecia.
O scriptorium situava-se no lado oriental do edifício, para receber melhor a luz da manhã. Ali, dois monges copiavam trechos da Vulgata sobre pergaminhos espessos. O odor de tinta ferrogálica misturava-se ao couro curtido das capas. O som dominante era o do raspador sobre o pergaminho, corrigindo imperfeições antes da escrita.
Cladissa observava. Não perguntava em excesso. Sua inteligência era contemplativa. Compreendia que naquele espaço o saber não era ornamento. Era responsabilidade. Cada letra traçada era um gesto de preservação do mundo antigo.
O irmão Martino, monge de meia-idade com mãos firmes e olhar fatigado, percebeu a atenção da jovem. Não a tratou com condescendência. Entregou-lhe um fragmento de salmo e indicou que repetisse a leitura em voz baixa. A pronúncia latina de Cladissa era hesitante, mas clara. Não buscava rapidez. Buscava exatidão.
Naquele instante, algo se deslocou em sua interioridade. Não era ambição de erudição. Era a percepção de que o conhecimento ordena a alma. A disciplina da leitura tornava-se disciplina do pensamento. E o pensamento disciplinado protege contra o caos.
Fora dos muros, entretanto, o mundo mantinha sua rudeza. Um conflito entre dois senhores locais, ligados a pequenas fortificações ao sul de Assis, ameaçava os camponeses com novas exações. A insegurança política era parte estrutural da época. O feudalismo não era sistema abstrato. Era cobrança concreta, era trigo confiscado, era inverno mais severo.
Cladissa escutava as conversas sussurradas no vilarejo. Não reagia com revolta impetuosa. Refletia. Percebia que a violência exterior revelava desordem interior. A ausência de governo justo era reflexo da ausência de autodomínio.
Certa tarde, ao regressar do mosteiro, encontrou a mãe sentada à porta da casa, fiando lã com movimentos ritmados. O silêncio entre ambas não era vazio. Era comunhão. A mãe não dominava a leitura, mas dominava a resistência. E essa forma de saber era igualmente necessária.
Cladissa compreendeu então que sua formação não poderia ser puramente claustral. A pedra ensinava firmeza. A terra ensinava humildade. O mosteiro preservava a palavra. O campo preservava a vida.
Na última vigília daquele inverno, permitiram-lhe permanecer na igreja durante o canto das horas noturnas. As vozes graves dos monges ecoavam sob a abóbada simples. Não havia ornamentos dourados. Havia reverência. A repetição dos salmos não era monotonia. Era lapidação da consciência.
Ali, sob a luz trêmula das velas, Cladissa tomou uma decisão silenciosa. Não se tratava de fugir do mundo. Tratava-se de compreender o mundo a partir de um eixo interior inabalável. Se o século era instável, ela deveria tornar-se estável. Se a política oscilava, ela deveria ordenar-se moralmente.
O inverno terminaria. Os conflitos talvez se agravassem. O poder mudaria de mãos como tantas vezes mudara. Mas a disciplina adquirida naquele claustro permaneceria como fundamento.
Cladissa não buscava glória. Buscava retidão.
E no silêncio das pedras antigas, começou a erguer-se não apenas uma mulher medieval, mas uma consciência capaz de atravessar seu tempo sem dissolver-se nele.
Deseja que o Capítulo IV avance para um evento histórico concreto, como a tensão feudal aberta em violência, ou prefere aprofundar a vocação espiritual nascente de Cladissa dentro do mosteiro.
CLADISSA.
CAPÍTULO IV
O SILÊNCIO DAS PEDRAS E A VONTADE DO SÉCULO.
A Úmbria do século XI não era apenas um território, mas um organismo espiritual submetido às tensões do poder imperial e às reformas eclesiásticas que se irradiavam desde Roma. As colinas que circundavam os mosteiros pareciam guardar, em suas entranhas calcárias, o eco das disputas entre o trono e o altar. A cristandade latina vivia o período que os historiadores designam como Reforma Gregoriana, cujo impulso maior se consolidaria sob o pontificado de Gregório VII, iniciado em 1073.
Cladissa, ainda jovem, percebia pouco das articulações políticas, mas sentia profundamente o peso do tempo. A investidura dos bispos tornara-se questão ardente entre o Império e a Sé Apostólica, conflito que culminaria no célebre episódio de Canossa em 1077, quando o imperador Henrique IV buscou reconciliação com o pontífice após excomunhão. Embora distante geograficamente, a reverberação desses acontecimentos alcançava os mosteiros úmbrios, onde a disciplina tornava se mais rígida e o estudo mais exigente.
No claustro onde Cladissa residia como oblata letrada, o scriptorium era o coração pulsante. Ali, sob a luz oblíqua das manhãs, monges copiavam manuscritos da Vulgata, consolidada séculos antes por Jerônimo no final do século IV. O latim ali empregado não era apenas língua, mas instrumento de coesão civilizatória. Copiar era preservar o mundo.
Cladissa, embora mulher, encontrara uma brecha rara naquele universo predominantemente masculino. Filha de pequena linhagem rural empobrecida por tributos e instabilidades feudais, fora entregue ao mosteiro não como penitente, mas como promessa de elevação intelectual. Sua instrução não era comum, mas também não era impossível. Algumas casas monásticas, especialmente influenciadas pela tradição beneditina, permitiam a presença feminina em alas separadas, sob rígida supervisão.
A Regra de São Bento, redigida no século VI, orientava não apenas o silêncio e a obediência, mas a ordem interior. Ora et labora. Rezar e trabalhar. O trabalho intelectual era considerado forma elevada de serviço a Deus. Cladissa compreendia que sua permanência ali dependia de discrição, disciplina e excelência. Não lhe bastava ser piedosa. Precisava ser irrepreensível.
Entretanto, sob a superfície da rotina litúrgica, agitavam se conflitos mais sutis. A espiritualidade medieval não era homogênea. Correntes de ascetismo rigoroso confrontavam práticas mais flexíveis. A preocupação com a simonia e com o celibato clerical intensificava se. A reforma exigia pureza. E pureza, naquele contexto, significava vigilância constante sobre desejos e ambições.
Cladissa sentia dentro de si uma tensão que não era carnal, mas intelectual. O desejo de compreender superava o de simplesmente obedecer. Ao copiar passagens do Evangelho de João, detinha se sobre a expressão Verbum caro factum est. O Verbo fez se carne. Perguntava se, silenciosamente, sobre o mistério da encarnação enquanto evento histórico e ontológico. Como o eterno pode submeter se ao tempo. Como o infinito pode caber na fragilidade.
Essas indagações não eram heresia, mas eram perigosas se mal formuladas. A linha entre contemplação e suspeita era tênue. A Europa do século XI ainda não conhecia a sistematização escolástica que floresceria nos séculos seguintes. O pensamento era teológico, porém ainda profundamente simbólico. Questionar exigia prudência.
Certa tarde, ao atravessar o pátio interno, Cladissa ouviu dois monges discutirem sobre as decisões romanas acerca das investiduras episcopais. A tensão política infiltrava se no vocabulário cotidiano. O mundo exterior não estava distante. O mosteiro era ilha, mas não era imune.
Ela compreendeu então que sua própria existência era atravessada pelo mesmo conflito estrutural que movia a cristandade. De um lado, a autoridade consolidada pelas tradições. De outro, a exigência de reforma moral e espiritual. Dentro dela, também havia tradição e reforma. Havia obediência e pensamento.
Naquela noite, recolheu se ao cubículo simples que lhe fora designado. A lamparina projetava sombras nas paredes de pedra. Tocou o pergaminho ainda inacabado e percebeu que cada letra traçada era um gesto de permanência. Em um mundo instável, escrever era resistir.
O século XI não lhe oferecia garantias. Oferecia provações. Contudo, no silêncio das pedras úmbrias, Cladissa começava a compreender que sua vocação não era apenas copiar palavras antigas, mas tornar se guardiã de uma chama interior que o próprio século, com todas as suas convulsões, não conseguiria extinguir.
E assim, entre o rigor da Regra e o tumulto do mundo, formava se lentamente uma consciência que aprenderia a sustentar se não pela força das armas, mas pela firmeza do espírito e pela lucidez da razão.
"A serenidade não nasce do silêncio exterior, nem da ausência de tempestades. Ela germina quando o ser humano reconhece que há, dentro de si, uma região mais vasta do que qualquer problema que o cerca."
"O bem praticado em silêncio é grandeza que não busca aplauso. Ele se parece como as estrelas que brilham sem saber que são contempladas."
" O silêncio do nosso adeus não foi ausência de palavras. Foi excesso de consciência. Quando dois espíritos compreendem que o caminho já não é o mesmo, o ruído torna-se indigno. Falar seria profanar aquilo que já estava consumado no íntimo. "
"COMO AMAR MAIS O QUE TU ÉS"
Às vezes, amar-te é aceitar que o teu silêncio pesa mais que todas as palavras que ouso dizer.
DIANTE DA OPORTUNIDADE.
A porta abriu-se em silêncio.
E o meu medo respirou primeiro.
Não era o abismo que me assustava.
Era a altura que eu poderia alcançar.
Tremi não pela queda.
Mas pela possibilidade de voo.
ENTRE A FRASE E O SILÊNCIO
Em português dizemos: (eu te amo) e parecem palavras simples que em qualquer boca se aprende e mas ninguém ensina o que acontece antes delas nascerem, antes de se tornar real
É porque comigo não começa assim
Sempre começa quando o dia muda de lugar, quando as constelações fazem te desenha, quando a noite vira dia e o dia vira noite sem sair do mesmo horário, quando uma conversa comum não fica comum, o que costumava ser não contante e vira permanência, quando eu não espero mensagem, mas reconheço você chegando mesmo sem chegar,( uma energia amaldiçoada
Ainda no inglês dizem: (I love you) e soa como quem atravessa a rua descalça
No alemão dizem: (Ich liebe dich) que soa como quem decide ficar antes mesmo de entender, a força que eu procurava
Eu…? fico no meio do caminho, no meio do fogo cruzado, mergulhando no mais fundo mar do seu amor( desejei tanto um amor assim)
Calma, não digo, também não nego que é estranho isso, esse sentimento sem nome, não podemos chamar de amor, e ainda se torna avassalador, é como atravessar um prédio em chamas prestes a desabar, é como H2SO4(Ácido Sulfúrico)
Você virou aquela parte do dia que não precisa acontecer, mas organiza tudo quando acontece, eu noto coisas pequenas demais pra serem lembradas e ainda assim lembro de cada pausa que você da antes de cada resposta, o jeito que você meche os dedos das mãos, o jeito que meche no cabelo, o jeito que me olha disfarçadamente ( querendo apenas uma brecha pra que eu ceda inteiramente), o jeito que olha de canto, o jeito que um silêncio não fica vazio, onde seu sorriso que não pediu permissão pra existir, admiro sem você olhar, admiro sem te tocar, e não foi escolha, foi acontecimento, foi como aprender um caminho novo e descobrir que o depois sempre pode voltar
Se fosse música não seria a letra, seria o que continua tocando depois do fim, seria a parte que gruda na mente e não consegue esquecer
Se fosse poesia não seria o verso, seria a vontade de reler sem motivo, tipo agora, não o ontem e sim o sempre e pra sempre
Tem gente que a gente conhece, tem gente que altera a posição do mundo sem mover nada
E você não ocupa pensamento de distração, você dá direção tomada sem planejamento
Não muda o dia, só tira ele do neutro
Inventaram a frase pra caber em conversa humana, sendo nós dois uma versão modificada, e eu fico aqui
nesse quase, quase toque, quase neurose traumática, quase erro fatal, sinto a necessidade de dizer que: eu te amo
porque algumas coisas quando são ditas, elas param
e eu não quero que pare
então eu não falo, e dessa vez não vou embora e nem irei deixar de ser de outra
Porque talvez você nunca tenha certeza se é só carinho, se é costume, se é escolha
ou se é aquilo que não precisa de nome, especificamente o nome que te dei está escrito na tabela periódica, não acredita ? 95 8 75
só sei que desde que você aconteceu o mundo não continua o mesmo, você mudou e nunca mais ficou igual, porque quando a gente chama e a coisas viram respostas é por que eu gosto do jeito que você ainda é pergunta, o engraçado que antes de você as pessoas passavam pelo meu dia.
Mas você permaneceu nele mesmo quando não está lá, é tipo cheiro de roupa limpa guardada no armário não aparece mas toma o quarto inteiro, e eu percebo você em mim, nos detalhes que não combinavam comigo antes
na calma que chega sem aviso, na pressa que some quando você chega
Não, não, não tem drama nisso, não é tempestade, é mais perigoso que isso, é continuidade, igual rio que ninguém vê andando mas quando olha já mudou toda a paisagem
E se eu te dissesse talvez diminuísse palavra às vezes fecha portas e eu gosto da nossa aberta, porque entre saber e sentir, eu prefiro que você sinta, então eu deixo assim, meio perto,meio guardado, meio evidente demais pra ser acaso.
Se algum dia você entender tudo isso que estou falando, não pergunte ok?
Só fica, me acolheu em seus braços e me deixa existir em seu mundo, porque tem coisas que quando finalmente recebem nome
deixam de crescer e eu ainda quero ver até onde isso vai
sem precisar caber em nenhuma frase
Eu não te escolhi, foi o mundo que parou exatamente onde você estava, conspirando para que você me encontrar-se
Entre todas as vidas possíveis se perdeu, já a minha aprendeu a acontecer na sua
E agora até o tempo sabe: qualquer forma no meu futuro começa em nós
Tentando não dar nome pra não acabar, você ficou mesmo sem eu chamar
Virou rotina do meu silêncio, lugar na minha ausência que repousa, todas as vezes que volta pra casa
Isso não é amor, é algo que inventaram antes da palavra existir
A casa é um templo de paredes mudas,
Onde o silêncio senta e faz morada.
Lá fora, os grilos — vozes agudas —
Regem o vácuo da noite calada.
Ouço o carro cortando a distância,
Um rastro de luz que na estrada se vai,
Perdendo o som, perdendo a instância,
Como a folha seca que do galho cai.
Um cachorro late, num aviso ao vento,
Cobra do mundo sua parte de atenção,
Enquanto eu sigo aqui, no recolhimento,
Medindo os compassos do meu coração.
Não há mais vozes, nem passos, nem pressa,
Apenas o grilo e o asfalto a rolar;
A noite é um livro que enfim começa,
No instante em que o mundo decide parar.
A casa emudece, o ar se condensa,
Onde o silêncio é quem dita o lugar.
A solidão se torna presença,
Nesta vontade de apenas escutar.
Lá fora, o grilo em nota constante,
Vigila a noite que não tem mais pressa.
O som de um carro, num brilho distante,
É o único elo que ainda resta.
O cachorro avisa que a rua está viva,
Num latido seco que o vento conduz.
Enquanto a minh'alma, de forma passiva,
Se perde no vácuo que a noite produz.
É um mundo lá fora, de asfalto e ruído,
Aqui dentro, a paz que o vazio traz.
Entre o que é visto e o que é ouvido,
Sou só o silêncio que o grilo refaz.
O silêncio da casa é um manto pesado,
Que me deixa a sós com o meu próprio ser.
Lá fora, o grilo está sempre acordado,
Fazendo a noite inteira tremer.
Um carro na estrada é um brilho fugaz,
Um cachorro que late pro escuro sem fim,
Fragmentos de um mundo que segue em paz,
Enquanto o vazio se instala em mim.
O tempo me ensinou que o silêncio é mais sábio que o orgulho. O silêncio guarda verdades que o orgulho apressa em disfarçar, ouvir é mais sábio que responder.
Fui machucado por palavras, e curado pelo silêncio. O poder das palavras ferem, o silêncio curador ensina a escutar e a colocar remédio no tempo.
Já caminhei em silêncio com Deus e Ele falou através do vento. O silêncio com Deus às vezes é mais eloquente que mil explicações, o vento traz a resposta que tanto necessito.
Ás vezes a alma não pede respostas, pede descanso, dar-se pausa é escolha de sabedoria, no silêncio a força volta a nascer, descansar é preparar-se para recomeçar.
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