Dor seu Silencio

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Escombros de mim


Vivo em silêncio, no escuro de mim,
como quem perdeu o último trem da esperança.
O mundo me passa, veloz e sem fim,
enquanto eu paro, cansado da dança.


Nunca pedi que me vissem como vítima,
nem busquei compaixão disfarçada.
Mas fui julgado por olhos que não me leem,
acusado por bocas que nada sabiam.


Amei com a alma, com tudo que sou,
entreguei meu melhor, meu gesto mais puro.
E ainda assim, virei sombra, virei dor,
abandono vestiu meu futuro.


Hoje, caminho entre os escombros de mim,
em calabouços que ninguém visita.
Tranquei meu coração — e joguei a chave
nos pesadelos onde a luz hesita.


Não quero outro alguém, não por maldade,
mas porque meu peito não quer ferir.
Sou nau sem porto, sem vontade,
um grito mudo, a não mais sorrir.


Mas há, lá longe, um sopro que insiste,
um eco dizendo que posso voltar.
Talvez, um dia, eu me permita,
sair de mim… e me resgatar

Meu coração é educado,
ama em silêncio,
não atrapalha.
Ele te vê com outra pessoa
e finge maturidade,
mas sangra escondido
no bolso da minha calça.

Não esquecer bela:
No silêncio das folhas, ancorar nossa paz sem alardes.

No silêncio do coração, a alma encontra sua própria melodia, é nesse compasso que o amor próprio floresce, sem pressa de ser ouvido.

“O silêncio diante do erro não é prudência; é cumplicidade.”

Nem todo silêncio é paz; às vezes é apenas o medo de dizer o que precisa ser dito.”

Passei por um longo ano de silêncio e introspecção. Hoje percebi que fui calada por tantos anos, a ponto de, nos últimos tempos, ter estado apagada. Mas a reflexão explosiva que reside em mim voltou; talvez ela seja eu. E isso é bom. A potência, a verdade e a inquietude circulam em meus vasos para que eu floresça onde a vida me plantar, pois, por dentro, sou perfume no bailado livre do meu próprio respirar. Pulso entre o barulho da metrópole e o canto dos passarinhos, nas árvores guerreiras que sobrevivem, muitas vezes solitárias (e invisíveis), enquanto tantos correm de um lado para o outro, robotizados pela automatização da selva de pedra. Agradeço por ver as árvores, ouvir os passarinhos e, por vezes, parar em frente ao espelho, respirar fundo e olhar para mim.

Gente vazia precisa de barulho.
Gente em paz aprecia o silêncio.

Ode a um sete


No silêncio deste velho pedestal, corroído pelas infindas águas da realidade, sinto-me como caneta sem tinta. Passei a me solidarizar com Fernando Pessoa, pois, agora que um sete está em tudo: nos lugares que passo, onde penso, existo e até mesmo ouso descansar. É estranho, mas acho que compreendo, ao menos de forma minimamente correta.
O menor dos problemas não é deixar para trás, e sim a lacuna entre a falsa perseverança, simultânea ao vazio que na mente se abre, restando-me apenas a certeza da dúvida se conseguirei recuperar aquilo que nem sei ao certo se realmente perdi. Ela me domina, esgueirando-se por minhas fibras junto a um sete que, ao longe, me perseguia e hoje, dentro de mim se ergue.
Conforme o maldito se consolida, me questiono por que as tortuosas linhas do destino me apresentaram a esse tal Proust, sem nenhum aviso prévio ou formidável preparo necessário, apenas atirando-o à mim, assim como um sete, de forma tão tardia, agitando as águas salgadas da angústia. Agora, com um mínimo de aprendizado, passo a entender que memórias não doem apenas por serem memórias, mas por serem vagarosas, lentas, tornando-se, em alguns casos, “pequenas” demais para tal estrago, ridiculamente desproporcionais às correntes que me prendem à eternidade que parece habitar neste museu, mantendo-o vivo.
Diante deste ninho moldado por traços desolados, guerreando com um sete, sinto-me culpado, uma alma insignificante, vagando em busca de perdão. Oro ao pequenino Léo, que, aos trancos e barrancos da própria ingenuidade, inteligência e bondade petulante, sem nunca pestanejar, ergueu-se sozinho. Queria dizer-lhe o quão orgulhoso sou por sua bravura altruísta, por seu poder de encontrar felicidade e conhecimento no simples, isso te levou longe, garoto. Jamais se esqueça, nem aceite cair na penumbra das mágoas ao seu pai, muito menos que se volte contra sua mãe. Peço apenas que, com sabedoria, aprenda que a vida não é só perdoar a todos, cuidar, salvar. Olhe para si.
Admiro muito você por conseguir seguir mesmo estando estilhaçado pelas flechas amarguradas da injustiça que costumamos chamar de vida, outrora direcionadas ao pobre Paulo. Pobre garoto, assustado e confuso, tendo menos que Romeu a perder, agarrando-se ao mínimo que pudesse de uma Julieta que sequer lhe jurou seu amor. E, diante da terrível praga, sem contato com o verdadeiro mundo, sem o paradeiro daqueles que davam cor ao seu, guardou sozinho todo medo e dor, retraindo-se para dentro da massa pensante, desconectando-se do próprio eu.
Compadeço-me de ti: a fantasia pode ser tortuosa de tão linda, mas, apesar de tudo, vivo você esteve, e vivo sempre estará, deixando seu legado que, mesmo escondido, soterrado pelas poeiras neurais, ainda carrega essência e sonho.
E a você, Gael, escondido sob a manta da amargura, vestido com uma falácia de máscula armadura, viverá para sempre vagando pelos imundos espectros daquilo que um dia denominou-se como Maria. Mas olhe para si, garoto, não vê o quão vitorioso és? Não te deixes levar pela afiada e gélida linha que deveria atuar apenas em uma ponta. Você é ouro, garoto. Graças a ti, e somente a ti, todos terão o descanso merecido, basta que se encontrem com o verdadeiro eu.
Tua bravura jamais será esquecida. Saúdem o grande dragão guerreiro que, com sua fúria, forjou a katana do ser, unindo os espectros que, outrora meros cadeados do trauma, agora se fundem e, juntos, derretem novamente, dando vida ao sujo, obscuro e fragmentado etanol. Puro produto da decomposição, prestes a evaporar, ir embora a qualquer instante, ocupando espaço sem pertencer, entorpecendo a realidade por onde passa. É o vazio deprimido em sua forma mais pura.

O silêncio não é vazio.
É quando a alma
para de negociar consigo mesma.

esperamos
em silêncio


o cotidiano
não escuta

"Ter intimidade com Deus é entender que o silêncio d'Ele não é ausência de sua presença...
É apenas um convite para nos aproximarmos o suficiente e ouvir-mos a sua voz calmamente em nosso coração.. ."

Meu silêncio não é distância,
é recolhimento.
Enquanto o mundo pede resposta,
eu me refaço.

Meu silêncio é pausa de cura,
não indiferença.

Meu silêncio é o lugar
onde a cura começa.

Em meio ao barulho do mundo, o silêncio é a bússola que te guia para o caminho certo.

Cada momento de silêncio é uma respiração para a alma — onde o caos se transforma em clareza.

O silêncio não é vazio – é onde as verdadeiras mensagens se revelam. Saber calar é aprender a ouvir o que realmente importa. Você se permite ficar em silêncio para ouvir?"

Saber ouvir não é esperar a vez de falar – é se abrir para entender. O silêncio é a ponte que conecta corações e mentes diferentes.

Muitos conflitos começam porque não ouvimos, só falamos. O silêncio nos dá tempo de refletir e entender antes de agir.