Dor de um Homem
Eu sou o otário perfeito para aqueles que se acham espertos. A dor do julgamento deles é o combustível da minha expansão.
Vi uma mente que descrevia a consciência como uma patologia, uma dor incurável. Ela falava com a beleza de um entorpecente e a precisão de um cirurgião. Mas enquanto o mundo se viciava no seu ópio, eu reconheci nela o antídoto: a consciência só é uma doença para quem não sabe o que fazer com a verdade. Para mim, ela é o solo onde o 'além do homem' começa a caminhar.
Enquanto o mundo terceiriza a alma, eu sigo reprogramando o jogo: prefiro a dor de ser, à paz de não existir.
Nos afastamos sem querer daquilo que amamos. É a alma se defendendo de uma dor que ainda não sabe nomear.
O violino é o instrumento que não canta, chora!
Suas lágrimas em turvo de dor, desespero e melancolia transcorrem entre notas e melodias que emocionam quem o toca e mais ainda quem escuta tal pranto, do suave e feroz violino..
“Cedo ou tarde, todo cristão será provado.” no deserto da traição,na dor do abandono e no gelo da rejeição.
Diante da dor, que parece insuportável, muitos perguntam como irão prosseguir?
E o Pai responde que a fé é a luz que irá cicatrizar todas as feridas e nos mostrar um novo caminho.
Diante do desafio que destrói muitos sonhos, muitos perguntam como resistir à tentação de abandonar a jornada?
E o Pai responde que a prece é o remédio que sempre renova nossas forças nos momentos de maior provação.
Diante da tristeza, muito perguntam como reencontrar o prazer de viver?
E o Pai responde que a alegria é uma semente que está dentro de cada um de nós e só quando cuidarmos do nosso terreno íntimo, ela poderá germinar.
Diante da queda, muitos perguntam como irão se reerguer e continuar?
E o Pai responde que a perseverança e a confiança são as ferramentas que nos ajudarão a atravessar qualquer tempestade.
Diante dos espinhos, muitos perguntam como suportar o sofrimento?
E o Pai responde que o mesmo espinho que hoje nos fere, amanhã será a flor a perfumar nossa vida.
Diante do erro, muitos perguntam como não se entregar ao desespero?
E o Pai responde que somos Espíritos eternos, em constante evolução e que a cada dia progredimos rumo ao Alto e com fé, lá chegaremos, independente dos desatinos já cometidos.
Diante da perda, muitos perguntam como não temer a morte?
E o Pai responde que a morte é apenas a porta para um novo caminho, que o fim não existe e sim a chance de um novo recomeço.
Por isso, sigamos nosso caminho, vencendo nossos melindres, perseverantes em nossa reforma íntima, acreditando em nós e na Providência Divina e continuando a perguntar, porque o Pai jamais nos deixará sem resposta...
Às vezes, quem tem pouco
é quem mais entende a dor do outro.
Não oferece o que sobra,
oferece o que tem.
Divide o pão, o tempo, o afeto,
e ainda encontra espaço no coração
para acolher quem precisa.
Porque há riquezas que não cabem nas mãos
nem se medem em dinheiro.
Quem compartilha mesmo tendo pouco
possui aquilo que o dinheiro jamais compra:
um coração verdadeiramente rico.
DOADORAS DE EMOÇÕES
Só nós mulheres permitimos que a dor se instale no momento em que ela é única. Só nós mulheres enfrentamos e combatemos esta dor, sem deixar nosso carisma de lado. Só nós mulheres carregamos dentro de nós um ser tão especial que quando nos separamos dele, sorrimos. Só nós e mais ninguém deixamos uma parte se desprender e seguir seu caminho, mesmo que este caminho seja um rasgar de intensidade.
Somos esculpidas por um Deus que teve a ideia e a sensibilidade de saber que dentro de cada uma, haveria amor o suficiente para doarmos para toda a humanidade. Somos elementos de um quebra-cabeça que quando unidos nos tornamos tão fortes, mas, tão fortes que nem uma tempestade devastadora conseguiria nos derrubar.
Se há em algum canto do nosso universo feminino elementos que nos deixam sensíveis, esses elementos são os nossos desejos de ser além de mulher. Nascemos e morremos várias vezes e não deixamos que ninguém perceba. Somos sensíveis o suficiente para deixar que a fortaleza seja nossa aliada. Dilaceramos nossos sentimentos quando eles acabam interferindo no nosso momento, que é único.
Perseveramos nos nossos ideais e jamais deixamos que a dor interfira nas nossas lutas. Somos fortes e a dor física jamais nos aflige se estivermos fortes o suficientes para seguirmos em frente. Nossa dor é muito mais além da carne, por isso sabemos que ela é necessária.
Plantamos dentro de nós sementes prósperas e no inicio de cada primavera elas nutrirão nossos olhos e o nosso espírito. É o momento de renascer, o momento de desabrochar mais uma vez para a vida e se preciso for, passar novamente por todas aquelas dores.
Contornamos todos os obstáculos, serpenteamos nos íngremes e tortuosos caminhos, suportamos as bruscas quedas e saímos ilesas. Somos a própria semente. Damos a luz a mais linda flor que possa existir. Flor esta que desabrocha dentro e fora de nós. Somos extremamente a bela e exuberante natureza, que nos dá todos os dias o nascimento de mais um dia.
Somos eternas porque somos doadoras de emoções e de vidas...
Sempre vou me reerguer depois de uma derrota. Sempre vou superar qualquer dor. Fui feita para ser feliz. Por isso nada me deterá. Nada me derrotará.
Ser Poeta é transformar a dor em arte. Em cada verso as palavras encontram abrigo e ganham asas para a imaginação. O Varal literário é um livro aberto ao vento.
Somos todos filósofos quando a dor não nos pertence.
Somos todos guerreiros quando a ferida rasga o outro.
É fácil dizer “aguenta” quando não somos nós a sangrar.
É fácil sussurrar “segue em frente” quando não são os nossos pés a arrastar a alma pelo chão.
É assim que sobrevivemos: erguendo a distância como um escudo.
Tratamos o sofrimento como um conceito distante, uma teoria fria,
um problema matemático que se tenta resolver com meia dúzia de palavras ocas:
“O tempo cura tudo.”
“Vai passar.”
Mas ninguém quer saber do tempo quando o peito aperta,
quando a angústia sufoca em silêncio,
quando a noite chega e não traz descanso, só memórias.
O mais perverso é que, tantas vezes, sobrevivemos porque os outros fingem que a dor é domável.
Porque alguém, na sua doce ilusão, nos promete que ainda há um amanhã.
Nós não acreditamos; mas a mentira do amor e da consolação pode salvar.
E, quem sabe, num dia distante, essa dor finalmente comece a doer um pouco menos.
Deve ser isso a esperança:
a beleza trágica de insistir em viver.
Quando a Dor Pede Passagem
Uma história foi contada, e a pergunta veio ligeira,
como se já estivesse pronta para atacar.
Da boca de alguém que carregava a igreja no peito
e falava de Deus de boca cheia.
Perguntou-me, sem receio:
— E por que não com você?
— E... por que não comigo?
Foi tão inesperado que fiquei sem palavras.
Porque a resposta era simples e óbvia:
Nada daquilo deveria acontecer com ninguém.
Nem todas as minhas dores são minhas,
mas são pesadas demais para serem ignoradas.
Antes, eu achava que apenas fingia sentir a dor do outro,
como se fosse algo encenado dentro de mim,
algo que, aos poucos, mesmo no silêncio, ganhava forma.
Hoje, sei que não.
Não preciso encenar, porque essas dores realmente se tornam minhas.
Mesmo sem entender como, elas me alcançam.
Ultrapassam a realidade, ultrapassam a física...
e eu as sinto.
E, depois disso, torna-se impossível não fazer nada.
Impossível fingir ausência.
Porque a dor permanece aqui dentro, crescendo,
grande e intensa demais para que eu me faça invisível.
Então, eu vou.
Sem pensar muito, eu me entrego.
Coloco-me no lugar do outro.
Vou para a frente, para defender,
para que a justiça seja feita.
Existem situações que ninguém deveria viver.
E algumas pessoas passam pela vida apenas olhando.
Eu não consigo.
Quando a dor me encontra,
ela me pede passagem.
E, de alguma forma,
acaba me levando junto.
Edineurai SaMarSi
