Dor de um Homem
Eu e a minha dor
Eu, intensa, ela também.
Eu, temerosa, ela, tenebrosa.
Eu, pensativa, ela, ofensiva.
Ela é invisível, mas existe, e vem potente.
Ela é traiçoeira, não avisa, apenas surge e me derruba.
Sim, é uma dor minha, uma dor que eu não escolhi.
Se você me olha e me vê aparentemente feliz, não faz ideia de quanto dói aqui por dentro.
E mesmo que você se mostre solidário, jamais entenderá o que eu sinto.
Às vezes sou Frida: “A dor é parte da vida e pode se tornar a própria vida”, outras vezes sou Fiona: “À noite de um jeito, de dia de outro”.
Mas a vida segue e eu escolho ser feliz.
Nota:
Eu faço parte de 3% da população brasileira que é afetada pela fibromialgia, uma condição em que a dor é minha companhia.
No começo eu até pensava: “Tem gente que sente muita dor, pra mim é mais tranquilo.” Acontece que hoje eu passei a fazer parte daquele grupo também e isso me assusta.
É preciso viver um dia de cada vez, mas cada dia vem cheio de dor e angústia.
02/10/25
O dia ruim que fora concebido
milhares de noites antes
do primeiro sol nascer
precedendo a dor infinita que abre as portas timidamente,
e espera por outra Alma que ouse entrar
para com ela se abrir
Carregada por sua casca errante, ela caminha rumo ao seu destino
sua marcha silenciosa marcava pela areia passos hesitantes,
inconscientemente buscando proteger todas as formas,
para que não sucumbisse ali
O objetivo daquele dia era tornar real a semente de um dos desejos mais belos que já existiu
A casca nunca foi boa artesã, mas empenhou com todo o seu ser em transmitir o desejo
que infelizmente não era puro em sua forma,
e também ameaçava ruir
pois esperava por algo que nunca foi plantado em vida,
muito menos dito
o abraço apertado que encerraria tudo foi negado e incompreendido em sua forma original,
perfeitamente egoísta
que esperava compreender em nada
porque a espada da razão é mais cega que a soma de todos os mundos que já foram concebidos
e mais uma vez, o código foi lançado no tártaro e reescrito
para que a mensagem real nunca se apresentasse novamente à superfície
“O tempo é o mestre invisível que ensina a existir, molda com dor, corrige com o silêncio e, ao final, consome o próprio ensinamento para devolvê-lo à eternidade.”
M. Arawak.
Ser humano…
é sentir a dor do outro como quem escuta a própria alma.
A empatia… é o idioma que une os mundos, a tradução silenciosa entre o que somos… e o que poderíamos ser.
Nenhuma palavra cura mais… do que a escuta.
Porque ouvir… é tocar o invisível com o coração desperto.
A verdadeira humanidade começa… quando o eu se curva diante do nós, reconhecendo… que não existe plenitude sem partilha.
A compaixão é o gesto que transforma o sofrimento em elo, o abismo em ponte, a dor… em comunhão.
Quem se comove diante do outro… já está em oração.
Porque, nesse instante, a alma recorda… que toda vida…
é uma só respiração.
O QUE ACONTECE QUANDO A DOR FALA MAIS ALTO
Você guarda tudo isso porque o silêncio parecia mais seguro do que aceitar o fim.
E não é fraqueza, nem exagero.
É porque você acreditou na promessa do que poderia ser.
Desistir parecia destruir o futuro que você desenhou sozinho.
É por isso que você continua:
justificando o que não tem defesa
aceitando migalhas de afeto
recalculando rota para caber onde não há espaço
culpando a si mesmo pelo que deu errado
Tudo para não admitir que o barco já afundou.
Mas a verdade é simples e inevitável: você não chora pela falta que o outro faz.
Você chora pelo desperdício de tanto amor entregue a quem não soube segurar.
Quando essa ficha cai, a dor muda de lugar.
O DIA EM QUE A ESPERANÇA CANSA
Apesar de toda a resiliência, chega o dia em que o peito simplesmente… desiste.
E quando desiste, a esperança cessa.
Isso acontece quando você finalmente enxerga:
que a balança do afeto sempre esteve desregulada
que você mendigava a atenção que antes sobrava
que o seu melhor nunca foi o suficiente para quem só sabia receber
que continuar insistindo era uma forma lenta de se destruir
"A dor que sinto não expresso, apenas vivo. É nessa dor que encontro o único ponto que me conecta a você. Então, me aconchego e sinto o conforto; não tento lutar, apenas me afogo nesse mar que mata lentamente, submersa nesses pensamentos, recusando-me a nadar."
A Dor do Vazio
A jornada de quem escolhe acolher muitas vezes esbarra no espinho doloroso da ingratidão e do silêncio. Dói profundamente quando nos doamos por inteiro, esvaziamos as nossas próprias reservas de afeto para preencher o vazio alheio e, no fim, recebemos em troca a indiferença ou a traição. Essa quebra de expectativa gera um sentimento de abandono e nos faz questionar o valor de termos sido abrigo. No entanto, compreender que a resposta do outro diz respeito apenas à maturidade dele, e não ao valor do nosso gesto, é o que nos impede de fechar as portas do coração para o mundo.
Faz um milagre, Senhor. Tu sondas o meu coração e conheces cada dor oculta, cada angústia que insiste em me cercar. Só em Ti encontro descanso, pois és meu refúgio e minha esperança em meio às tempestades. Reconheço que os meus erros e pecados vêm de mim, mas a misericórdia e o socorro vêm somente de Ti."Elevo os meus olhos para os montes; de onde me virá o socorro? O meu socorro vem do Senhor, que fez o céu e a terra." (Salmos 121:1-2) Diante da Tua presença me prostro, Senhor. Não tenho forças em mim mesmo, mas confio no Teu amor que transforma pranto em riso, noite em amanhecer e silêncio em cântico de vitória.
A dor faz parecer que o tempo parou e que a tempestade nunca vai passar. Mas acalma o coração: nenhuma noite escura dura para sempre e o seu amanhecer já está a caminho.
Na décima despedida, não chorei mais como na primeira. A dor não diminuiu. Eu é que aprendi a carregá-la.
Nenhum amor vale o preço da sua dignidade.
Melhor enfrentar a dor de um fim do que permanecer onde o desrespeito se tornou rotina.
Saudade passa, coração cicatriza, mas se perder tentando não perder alguém é uma dor que custa caro demais.
O Sofrimento e a Dor do Desapego
O sofrimento que nasce da separação quase nunca é culpa do outro, mas sim da nossa resistência em aceitar que os ciclos terminam. Sentir dor quando um laço se afrouxa é humano, mas prolongar esse sofrimento é travar a nossa própria engrenagem de evolução. O afastamento dói porque rasga a rotina e nos obriga a olhar para o vazio da ausência. No entanto, é exatamente nessa ferida que o crescimento espiritual encontra espaço para brotar. Compreender que a dor da despedida é, na verdade, o parto de uma nova versão de nós mesmos nos dá a lucidez necessária para chorar o fim do ciclo sem nos tornarmos reféns do amargor.
A dor do afastamento não é um castigo; é o convite da vida para o seu próprio crescimento. Não segure quem precisa ir. Às vezes, o desapego é o remédio amargo que cura a alma.
Se o ambiente te limita, não se prive saia dele, um estante de DOR vale uma vida inteira de glória...
Tem a dor. Sente a dor.
A dor é de quem tem
Quem tem a dor é que sente.
Sente a dor e a falta do amor.
Tem a dor e sente o peso que ela traz na mente.
Sente na dor o nó permanente.
Sente a dor, mas segue em frente, valente.
Tem a dor e sente que o tempo cura o presente.
Tem a dor e sente
_ e chora,
Discretamente.
Mara Dutra
13/09/2026
(Um domingo qualquer)
"A maior dor não é morrer sem ter tudo; é perceber que tivemos tempo para viver, mas escolhemos sempre o amanhã."
