Dor de um Homem
Em tempos de pandemia, isolamento social e medo, a dor é uma sensação metafísica cuja manifestação se torna coletiva na medida em que o medo é coletivo, o desencarne ocorre de modo coletivo e a luta pela vida é uma incógnita coletiva.
O tempo é de consciência coletiva para melhoramento e amparo do espírito. A dor que lateja é um aviso e convite para melhoramento. A lágrima que cai individualizada convida a chuva a mostrar o sal da Terra.
Quando me reerguer a dor terá me ensinado a ser muito mais forte. E essa força que vem da dor tira da gente qualquer medo.
A culpa, sobre algo que tenha feito, é, quase sempre, prova de empatia. Sem culpa, sem dor, sem consciência.
A dor é uma experiência de desequilíbrio ao mesmo tempo que uma manifestação do universo mostrando a fragilidade humana. Todas as pessoas chegam à vida, quando por meio de parto natural, por um ato de dor. A mãe que espreme seu filho, que abre seu útero, que dilata sua genitália, trás ao mundo uma nova esperança de humanidade. O parto, sem interferência farmacológica, é um ato de dor cujo amor se revela pelo desavio de suportá-la. O parto é um ato de fragilidade.
Compreenda a dor, aquela escondida no peito por anos provinda de experiências vividas, que se manifesta nas palavras. Só haverá dor, onde houver vida!
Nascemos por meio do gemido de dor de uma mulher sendo esse som o substrato do rebento. Entretanto, a de se compreender que a dor do parto é anúncio, com raras exceções, de felicidade e realização.
O sistema da dor é simples, ela aflige para que se possa repensar o seu motivo. A dor é sempre, do ponto de vista da espiritualidade, pedagógica.
A dor do poeta não é a dor do poema
a dor do poema e dele mesmo
a dor do poeta se confunde entre letras e lágrimas que escorrem sobre a face/folha de papel do poeta em dor
INSPIRAÇÃO E POETA
Sendo poeta
(um sonhador),
não choro versos
sem conhecer
tristeza e dor...
Também decanto
em riso farto,
se for de parto
bem natural;
só se meu canto
não for postiço...
Para ter carro,
tenha-se casa;
quero ter asas,
mas antes vou
compor meu céu...
Sentir se a poça
é funda ou rasa
dirá, com calma,
se vale a pena
pescar a lua;
lançar minh´alma...
