Dizer eu te Amo e coisa seria
Sonhei com você essa noite, te contei? Então, eu estava chorando e nas minhas mãos uma foto nossa, na foto você estava me segurando lá no alto, você estava sorrindo, sorrindo de verdade, dava pra ver cada um de seus dentes, você estava com as mãos na minha cintura me segurando firme, minha expressão era uma mistura de adrenalina com felicidade, eu estava realmente feliz. E foi então que entendi o motivo de minhas lágrimas, você ja tinha ido embora, seu avião decolado, o abraço desfeito, os lábios separados e as lembranças ficaram. Eu chorava porque eu tinha experimentado a felicidade e dela fiquei dependente, chorei porque teria que lavar minha roupa que ainda cheirava a você, chorei porque assim como você eu voltaria pra casa sozinha. E quando finalmente me levantei, eu sussurrei pra você, mesmo sabendo que você não podia me ouvir: “Da próxima vez, deixa eu ir com você? ”
Eu sei que somos complicados, explosivos, orgulhosos e complicados novamente. Eu sei que vamos brigar muito ainda, sei que você vai dizer coisas que me farão chorar, assim como eu sei que também vou te deixar triste. Eu sei que as vezes vamos achar que não tem jeito, que é melhor jogar tudo pro ar, bater a porta e ir embora. Ninguém disse que seria fácil, mas você disse que ama, e eu disse que amo você. Quando tudo parecer impossível, devemos nos lembrar apenas disso.
As vezes eu tenho vontade de te matar, você sabe como me irritar e não hesita em fazer isso, sabe como me deixar sem resposta o que me deixa mais irritada ainda. E ao mesmo tempo você me faz rir, de nervoso, mas ainda sim é uma boa gargalhada, daquelas que eu suspiro e digo: como eu amo esse cara.
Eu peguei na sua mão desde o primeiro dia sabia? Timidamente eu coloquei sua mão na minha e prometi a mim mesma que nunca soltaria. Pra onde você fosse eu estaria lá te apoiando, te protegendo. E desde então, nossas mãos ficaram trêmulas, nervosas, suadas, apertadas e folgadas, até que elas quase escorregaram. A distância faz isso, o ciúmes, a indiferença, o medo. Tudo isso esfria, derrete, assombra. Mas nosso amor é quente, é apertado num laço, entrelaçado. E quando enfim eu te encontrar, minha mão saberá o caminho em que seu par estará.
(…) E quando ele disse pra eu fazer um pedido, não pensei em outra coisa…
Olhei para o céu em busca da estrela mais brilhante e mentalizei: Quero você!
Eu sempre espero alguma coisa nova de mim, eu sou um frisson de espera – algo está sempre vindo de mim ou de fora de mim.
Eu escrevo para ser entendido;
Se fosse para as pessoas entenderem outra coisa
além daquilo que eu escrevi,
eu não me daria ao trabalho
de escrever absolutamente nada;
Comigo não existe essa história
de eu ser responsável pelo que eu escrevo,
não pelo que você entende;
Sou responsável pelo que eu escrevo sim,
e co-responsável pelo o que você entende, também!
Então se eu escrever cachorro
querendo que isto signifique cachorro,
o mamífero de quatro patas,
não vá você entender cavalo;
Se você entender cavalo
quando eu quiser dizer cachorro,
ou eu devo emendar-me e escrever de modo mais claro,
ou você deve procurar aprender a ler e interpretar direito
= senão, as duas coisas!
A função da comunicação é fazer-se entender,
embora existam muitas pessoas
que prefiram se desentender.
Desamparada, eu te entrego tudo – para que faças disso uma coisa alegre. Por te falar eu te assustarei e te perderei? mas se eu não falar eu me perderei, e por me perder eu te perderia.
Eu, que antes vivera de palavras de caridade ou orgulho ou de qualquer coisa. Mas que abismo entre a palavra e o que ela tentava, que abismo entre a palavra amor e o amor que não tem sequer sentido humano – porque – porque amor é a matéria viva.
Hoje eu estava assim: mais lento, mais verdadeiro, mais bonito até. Hoje eu diria qualquer coisa se você telefonasse. Por dentro também eu estava preparado para dizer, um pouco porque eu não agüento mais ficar esperando toda hora você telefonar ou aparecer, e quando você telefona ou aparece com aquelas maçãs eu preciso me cuidar para não assustar você e quando você me pergunta como estou, mordo devagar uma das maçãs que você me traz e cuido meus olhos para não me traírem e não te assustarem e não ficarem querendo entrar demais dentro dos teus olhos, então eu cuido devagar tudo o que digo e todo movimento, porque eu quero que você venha outras vezes (...)
Então eu disse a ele - e foi a única coisa dita: se isso acabar agora, vai ter valido a minha vida (...) Eu vou atrás dele. Desse homem que nunca conheci de fato, mas que existe de outra forma, que existe com outro rosto e outro nome, que existe no meu futuro, se o futuro eu permitir que aconteça. Não quero mais o presente, não quero mais a paralisia, o pra sempre. Alguém espera por mim. Alguém não vê a hora de eu chegar. Eu não vejo essa hora. Daqui, não alcanço esse sonho. Eu me vou. (...) Me reconheça ímpar. Impaciente. Só. Muito antes de louca. Muito antes e muito mais. Louca é pouco. (...) As perdas serão calculadas, as malas serão fechadas, as crianças serão preservadas e as vidas seguidas. E eu, então, irei atrás do meu instante.
E só eu sei o quanto doeu ver a melhor coisa do mundo indo embora. Doeu um, dois dias. No terceiro, a melhor coisa do mundo virou a melhorzinha. Que virou a décima melhor. Que virou nada, vai ser assim, sempre é.
Perdi alguma coisa que me era essencial, que já não me é mais. Não me é necessária, assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então me impossibilitava de andar, mas que fazia de mim um tripé estável.
"(...)A gente não fez tanta coisa. Mas o que dói mesmo é esse finalzinho de dia. A hora que eu validava a minha existência com a sua atenção. A hora que eu representava o mundo para a única platéia que me interessa."
