Dizer Adeus com Vontade de Ficar

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Se não estás disposto a matar aquele a quem pretendes odiar, não digas que o odeias; estás a prostituir tal palavra.

Face aos grandes perigos, só a grandeza nos pode salvar.

Frequentemente tive a ocasião de observar que quando a beneficência não prejudica o benfeitor, mata o beneficiado.

É mais fácil cumprir certos deveres, que buscar razões para justificar-nos de o não ter feito.

A razão destrói nos homens as criações da sua própria imaginação.

A dor é sempre menos forte do que a lamentação.

A ignorância dócil é desculpável, a presumida e refratária é desprezível e intolerável.

Morte, que mistérios encerras?... Ninguém o sabe... Todos o podem saber... Basta ir ao teu encontro, corajosa, resolutamente, que nenhum mistério existirá já!

Há homens para nada, muitos para pouco, alguns para muito, nenhum para tudo.

Há tantos vícios com origem naquilo que não estimamos o suficiente em nós, como no que estimamos mais.

A imperfeição é a causa necessária da variedade nos indivíduos da mesma espécie. O perfeito é sempre idêntico e não admite diferenças por excesso ou por defeito.

A própria virtude precisa de limites.

O segredo da ordem social reside na paciência dos outros.

A vida tem uma só entrada: a saída é por cem portas.

Tudo é relativo, salvo o infinito.

Os homens geralmente preferem ser enganados com prazer a ser desenganados com dor e desgosto.

Sirvo-me de animais para ensinar o homem.

A razão é escrava quando a fé e autoridade são senhoras.

O melhor modo de venerar os santos é imitá-los.

Erasmo de Roterdã
"The "Adages" of Erasmus". London: Cambridge University Press, 1964.

Sonho Oriental

Sonho-me ás vezes rei, n'alguma ilha,
Muito longe, nos mares do Oriente,
Onde a noite é balsamica e fulgente
E a lua cheia sobre as aguas brilha...

O aroma da magnolia e da baunilha
Paira no ar diaphano e dormente...
Lambe a orla dos bosques, vagamente,
O mar com finas ondas de escumilha...

E emquanto eu na varanda de marfim
Me encosto, absorto n'um scismar sem fim,
Tu, meu amor, divagas ao luar,

Do profundo jardim pelas clareiras,
Ou descanças debaixo das palmeiras,
Tendo aos pés um leão familiar.

Antero de Quental
Os Sonetos Completos de Antero de Quental