Distância
Será o tempo tão cruel a ponto de adiar cada vez mais o encontro de nossos olhares?
Será ele capaz de distanciar sua voz da minha?
Travesso, talvez, sorrindo por dificultar o encontro de nossos perfumes, impossibilitando que se tornem apenas um?
Tenha piedade! Óh tempo, ouça minhas súplicas.
Vem com pressa, vem com anseio, com fogo, venha sem medo, vem cheio de vontade.
Seria abuso de sua bondade se eu pedisse para transformar quilômetros em centímetros?
Sou dessas pessoas que troca noites de sono por noites com você. "Iiiih, mas de novo esse assunto?"
É que ainda nem falei da nossa química.
E se pudesse sentir, a distância deixaria de existir.
Eu vou te contar e quase não vai dar pra acreditar, mas a gente divide a mesma cama toda noite e conjugamos o verbo amar.
De nossos olhares saiu faísca quando nos encaramos pela primeira vez, foi difícil controlar.
É como se você fosse o fogo e eu fosse uma palha fácil de queimar.
Como se você fosse aquela palavra que faltava pra completar a minha frase.
A nota musical da minha composição.
Aquela melodia que faz a letra ter sentido, faz a música mais bonita.
Faz meu texto, poesia.
Como o cantor e o violão.
Como o poeta e a madrugada.
Ontem, a noite me contou que um sem o outro não é nada, pode até ser, mas numa versão que falta.
Falta açucar no café.
Falta gelo na bebida.
Falta no sorriso, alegria.
E no sonho falta a fé.
Falta a lógica na história toda.
E cada noite é uma química a mais, de um futuro que já vem.
VALENTINA
Esses milênios todos que vivi tentando corrigir imperfeições, foram tempos preciosos que perdi; só fiz por merecer mais provações. Encarnei rico e vi na caridade o meio de exibir a minha riqueza. Depois, vim pobre, e por sagacidade, tirei um bom proveito da pobreza. Alma fechada, oposta à evolução, visando a carne, indiferente à morte, jamais cuidei da minha salvação. O hedonismo sempre foi meu norte. Fui cego, surdo, mudo e mutilado. Também já vim com a forma de Narciso; matei por vício, e após fui trucidado. Sofrendo o talião tão justo e preciso porém nesses milênios que passei atravessando a terra ou atravessando espaços uma coisa eu conservei, qual chama viva a iluminar meus passos. Começou nesta encarnação, quando Valentina nasceu, enfim. E pelo tempo afora desde então, não sei se vivo nela ou ela em mim. Essa paixão que a cada dia aumenta, de beijos e carinhos se alimenta na terra e ficará pelo espaço eternamente. Ela fez tornar-me ao Carma indiferente, transformou o averno em mundo de magia, e a Terra triste em Éden de alegria. Por isso, morrerei, quando for a hora, sabe lá o dia, com alegria; mas mal conterei em frente à Deus a minha rebeldia, que tão logo na família dela quero reencarnar. Ao que presumo, a aprovação, com base no livre arbítrio, consiste apenas em me acompanhar. E temo que ao findar aqui a minha missão, pelo umbral eu fique um tempo a gravitar. E se por lá ficar, ao ver-me órfão deste amor bendito, sentir-me-ei, então como um proscrito, sem luz, sem guia, e longe da verdade. Mas hoje, com dias e horários marcados para buscá-la já fico aflito, enlouquecido, ébrio de amor, carpindo no infinito o Carma doloroso da saudade...
Me dói não ir sua procura.
Mas abdicar do meu orgulho também machuca.
Por que não vem à minha busca?
Ah se soubesse que, para mim, sua voz é musica.
A ausência do teu beijo me perturba.
E o seu corpo? Poesia nua.
Desperta-me aquela paixão crua.
Mas és fria mas também bela, como a Lua.
Jogado na rua, me perco em meus lençóis, à sua procura.
Se sou sua paixão? Assuma.
Nossa distância e sua ausência nos machuca.
A lembrança me conforta.
E a solidão? Surta...
"E hoje eu já não sei se é realidade ou uma ilusão.
Sei as verdades do meu mas, não sei as verdades do seu coração.
Existe amor longe dos seus olhos, do teu abraço, dos teus beijos ou do teu cheiro, minha paixão?
O que eu sei; longe de você só me existe solidão.
Creio eu que, não pode tudo ter sido em vão.
Foi o teu olhar que me tirou a razão.
É só no seu beijo que encontro minha calma e perco o meu chão.
Eu tento resistir mas, fraco que sou, caio na sua tentação.
No fim, se errei, o que me resta é pedir-lhe perdão..."
"Ainda me lembro dos seus olhos de mata, com aquele verdejar.
Aqueles olhos verdes, que me remetiam ao mais belo e profundo mar.
O macio da tez, me causa tortura, ao lembrar.
Deveria tê-lo feito, te pedido pra ficar.
A distância que nos separa, me faz ter o doce do seus lábios, somente no sonhar.
Aqui estou eu e ela está lá.
Longe do seu aconchego, sou sofrimento, longe do seu abraço, não tenho um lar.
Sinto falta do negror dos cabelos, que cobriam-me a alma, naquelas noites de luar.
Eu já não sei o que pensar.
A ausência do vermelho dos teus lábios, me afoga como o mais profundo rio, não posso nadar.
Encontro um suspiro nas lembranças, de outrora, ao lhe beijar.
Recordo-me do olhos verdes, que ao fitarem-me, vieram a calma me roubar.
E eu ainda me lembro dos seus olhos de mata, com aquele doce, sereno e profundo, verdejar..."
Tem gente que enjoa de você muito rápido, sabe qual a graça nisso, você se livra facilmente de quem não lhe serve, se você forçar só um pouquinho a distância.
Você parece tão dona de si
E eu, tão dono de nada
Sua cabeça parece nem estar aqui
E a minha, sempre preocupada
Seu silêncio parece magia
E o meu, pura covardia
Seu abraço parece seleto
E o meu, tão incompleto
Sua presença parece notada
E a minha, sempre evitada
Suas palavras parecem ajudar
E as minhas, alguém machucar
E nessa eterna dissonância
Vamos tomando distância
Sem saber onde vai dar
DIAS CONTADOS
Faltam 3 dias, e agora?
Ninguém me disse que chegaria essa hora
Mas já era de se esperar...
Suas férias tinham que acabar
Amar a uma distância dessa
Pra você é impossível à beça
E eu já sabia antes de entrar nessa
Mesmo assim corri esse risco
Nessas horas no meu olho cai um cisco
É que eu te amo e você não acredita
Mas para o amor você nem se habilita
Vai só pelo momento
Isso para mim é um tormento
Em mim habita um sentimento
A ausência de sérios desconfortos em nossa vida é um indício importante para refletirmos sobre a distância que nos encontramos em relação à felicidade desejada.
Encontra-se em vantagem diante das incertezas todo aquele que está mais distante e protegido de suas consequências e prejuízos.
Encurto as distâncias que me separam das vitórias, quando consigo entender as realidades comportamentais dos campeões.
Se o pensamento cria a realidade como você ainda não se materializou?
Na ausência do material o imaterial tomou lugar. Meu pensamento criou asas e foi te visitar.
Pensamentos felizes esse é nosso segredo.
O papel é o meu passaporte para o nosso lugar.
No lá... já existimos e o somos o que quisermos. A poesia é o nosso ventre.
A medida que o destino apronta,
colocando o amor noutra ponta
meu coração se apronta
para então recomeçar.
Falei a moça dos meus sonhos...
Aquela que o destino fez questão de por noutra ponta
achando que eu não daria conta;
- Não deixe que a distância nos distraia de nós.
Sei, o que peço parece impossível, mas não é de impossíveis que o amor sobrevive?
Há quem duvide que o amores acontecem.
Eu porém não duvido.
Foi tão bom a gente ter acontecido!
A poesia é como amor,
quando se revela não sabe se revelar, precisa ser percebida é preciso saber olhar.
Cada dia que passa,
Vai ficando pior!
Vai ficando distante;
Aos poucos desaparecendo…
Estou eu aqui, sobrevivendo.
Quando o amor vem sem confiança ou convivência ele não te faz nada além de escravo da idealização de futuro, a ideia de viver sem alguém que você na realidade não tem é o primeiro sinal de loucura e insanidade.
Quando eu peso na balança todo meu sofrimento hoje e toda minha felicidade passada eu me jogo no justo buraco da dúvida, que me faz te amar por ser quem você é e me faz odiar o que você não é, mas eu queria que fosse.
