Dinheiro X Felicidade
Nós somos, no fundo, gerentes de um canil, repleto de cachorrinhos, com raças e tamanhos distintos. Cabe a nós aprender e praticar atividades que fazem com que cada um deles abane o rabinho.
Nós podemos moldar algo nos nossos Cachorrinhos Internos, num processo de negociação, mas não de imposição.
Uma pessoa mais feliz, assim, é aquela que não se liga na estação, mas percebe que o mais importante é a estrada.
No fundo, bem no fundo, o que queremos na vida nada mais é do que acordar todos os dias mais tranquilos, de bom humor, motivados, resilientes e criativos. Ou não?
Por intermédio das leis divinas e também as sagradas, e somente por elas eu quero percorrer os infinitos universos da vida, na pretensão de encontrar sempre em mim um ego novo.
O espectador (início dado em 2023)
"[...] Mas os piores sentimentos do mundo são, definitivamente, aqueles que são capazes de mudar a sua perspectiva sobre si mesmo de uma maneira negativa. Eles chegam até você em forma de descoberta e impactam tanto quanto uma epifania.
Isso acontece por causa de um detalhe específico: nós sempre estamos buscando respostas para as nossas ações e situações pessoais, e tendemos a crer mais facilmente nas teorias mais pessimistas, além do mais, o que é negativo gera mais impacto por causa do fator "dor".
E o que parece ser mais real do que a dor? A felicidade pode ser falsificada muito mais facilmente do que a dor, e pior do que isso, realizamos este trabalho diariamente. A dor é a constante que definimos como a verdadeira.
Toda a nossa vida gira em torno de amor e dor, como um ciclo, e a ideia de que é impossível sair do círculo da dor é extremamente convincente porque aparenta ser uma conclusão lógica, mas é apenas uma suposição pessimista mascarada.
Assim, ao perceber que há algo na sua vida que está dando errado novamente e que isso se repetiu incontáveis vezes, por exemplo, este "algo" começa a se parecer com um evento canônico impossível de ser evitado. Esta ideia é impulsionada pelo fator "epifania", e este, por sua vez, pelo "dor".
Quanto mais este evento ocorre, mais real esta teoria se demonstra, e mais desesperadora é ela.
No fim, tememos cada vez mais que a nossa realidade dolorosa se estenda até que deixemos de respirar.
Qualquer coisa que nos tire dela nos causa um grande alívio. Não queremos sentir que estamos presos num calabouço de tortura que chamamos de "vida" e, no epílogo, pensarmos "nada disso valeu à pena".
Quanto mais vezes o evento ocorrer, mais deprimidos ficamos."
O maior dos desafios dos cristãos a qual me incluo, não está entre possíveis catástrofes anunciadas, perseguições e muito menos governos autoritários, mas o temer a Deus.
No mundo, um homem que vive para ser, nunca terá, mas um homem que vive para ter, sempre será convidado à ser.
Vivemos desesperados por um pouco mais de paz e culpamos o governo e a própria sociedade: que somos eu e você, que estamos a ler isto?
Confesso que, quando acordo com o temor do porvir, o que mais penso é em procurar um lugar mais seguro. Mas nem sempre insegurança interior se soluciona com segurança exterior.
Sobram-nos exigências, mas faltam-nos responsabilidades. Como seria bom se fôssemos patriotas o bastante a ponto de não entregarmos a nossa nação nas mãos de corruptos larápios.
Pleiteamos com afinco nossos direitos; – é direito, é humano! ... Mas perdemos o foco de nossas responsabilidades. Consequentemente precisamos de mais culpados. E onde estão os culpados?
Culpamos o governo; culpamos a grama alta do vizinho; culpamos o que passar à nossa frente quando injustificavelmente não temos a quem vitimar. Vitimamo-nos porque é mais fácil atribuirmos a culpa a algo ou alguém.
Acho linda a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Tem que ser lida por cada cidadão como a mais bela obra de arte literária escrita pelo dedo do próprio Criador. Mas incomodo-me furtivamente quando penso que exigimos tanto nossos direitos a ponto de deixarmos à espreita as nossas responsabilidades.
