Despedida de um Namorado q Faleceu

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Sonho Oriental

Sonho-me ás vezes rei, n'alguma ilha,
Muito longe, nos mares do Oriente,
Onde a noite é balsamica e fulgente
E a lua cheia sobre as aguas brilha...

O aroma da magnolia e da baunilha
Paira no ar diaphano e dormente...
Lambe a orla dos bosques, vagamente,
O mar com finas ondas de escumilha...

E emquanto eu na varanda de marfim
Me encosto, absorto n'um scismar sem fim,
Tu, meu amor, divagas ao luar,

Do profundo jardim pelas clareiras,
Ou descanças debaixo das palmeiras,
Tendo aos pés um leão familiar.

Antero de Quental
Os Sonetos Completos de Antero de Quental

As dívidas são bonitas nos moços de vinte e cinco anos; mais tarde, ninguém lhas perdoa.

Há duas coisas que não se perdoam entre os partidos políticos: a neutralidade e a apostasia.

Jasmineiro em flor.
Ciranda o luar na varanda.
Cheiro de calor.

O medo faz mais tiranos que a ambição.

Que verdades conhecia o morto?
Quem estrangulou
sua palavra?

Qualquer homem é capaz de fazer bem a outro homem; mas contribuirmos para a felicidade de uma sociedade inteira é parecermo-nos com os deuses.

A experiência que não dói pouco aproveita.

Não desespereis na desgraça, ela é frequentes vezes uma transição necessária para a boa fortuna.

A pobreza não tem bagagem, por isso marcha livre e escuteira na viagem da vida humana.

Os velhos doidos são mais doidos do que os novos.

A poesia é uma doença cerebral.

Nas desventuras comuns, reconciliam-se os ânimos e travam-se amizades.

Os abusos, como os dentes, nunca se arrancam sem dores.

Ninguém é mais adulado que os tiranos: o medo faz mais lisonjeiros que o amor.

Na admissão de uma opinião ou doutrina, os homens consultam primeiramente o seu interesse, e depois a razão ou a justiça, se lhes sobeja tempo.

Os moços de juízo honram-se em parecer velhos, mas os velhos sem juízo procuram figurar como moços.

Todos se queixam, uns dos males que padecem, outros da insuficiência, incerteza, ou limitação dos bens de que gozam.

A dialética do interesse é quase sempre mais poderosa que a da razão e consciência.

O nosso amor-próprio é muitas vezes contrário aos nossos interesses.