Desespero

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Confiar não elimina o risco. Apenas retira o desespero.

Nenhum tipo de som é capaz de afetar ouvidos que já abrigaram tamanho desespero.

O que é pra ser seu não vai precisar de desespero,
vai precisar de fé.

"O segredo da minha velocidade não é o desespero, é a precisão cirúrgica de quem sabe exatamente qual alavanca mover para multiplicar resultados."

A serenidade desmonta o desespero.

⁠O segredo de minha adaptação à vida? Mudei de desespero como quem muda de camisa.

Emil Cioran
Silogismos da amargura. Rio de Janeiro: Rocco, 2011.

Hoje aprendi a sentir saudades.
Aprendi que a saudade não precisa vir acompanhada de desespero. É possível lembrar e, ainda assim, sorrir. É possível sentir falta sem derramar lágrimas, porque algumas lembranças merecem gratidão, não sofrimento.
Aprendi que, se não é meu, eu deixo ir. Sem implorar, sem me perder, sem abandonar quem eu sou. Porque aquilo que realmente nos pertence não parte ao primeiro vento; permanece, escolhe ficar e enfrenta as tempestades ao nosso lado.
Hoje sinto saudades dos sorrisos que dividíamos, dos momentos em que o mundo desaparecia e existíamos apenas nós. E, curiosamente, essas lembranças já não me prendem. Elas apenas me lembram que fui capaz de amar de verdade.
Não sofro como antes, porque aprendi a seguir.
Encerrar ciclos é um dos processos mais difíceis da vida, mas também um dos mais necessários. Há portas que só se fecham para que outras possam, enfim, se abrir.
Sigo em frente, otimista, agarrado à esperança de que a felicidade ainda me espera em algum trecho dessa estrada. Busco novamente a paz que um dia senti, mas agora caminho diferente: mais sereno, mais firme, menos acessível. Não por frieza, mas por respeito às cicatrizes que a vida me deixou.
As dores não me destruíram. Elas me ensinaram. Hoje caminho olhando para frente, porque aprendi que quem vive preso ao passado nunca alcança o futuro.
A jornada é minha. A estrada parece não ter fim. Mas a minha vontade de chegar é infinitamente maior do que qualquer vontade de desistir.
Hoje aprendi que o choro não é sinal de fraqueza. Ele lava a alma, alivia o coração e rega a esperança de dias melhores.
Também aprendi que quem não está disposto a caminhar ao meu lado não merece nem mesmo a saudade que deixou em mim.
E talvez a maior lição tenha sido esta:
Hoje aprendi que a saudade também tem um fim.
Ela deixa de ser dor e passa a ser apenas uma lembrança bonita de quem um dia fez parte da minha história, mas já não faz parte do meu destino.

"Rotina de um Autista na Periferia"
Por Marcio Melo


Sou prisioneiro do desespero alheio.
Onde gritos, ruídos e barulhos se misturam ao caos inflamado de uma capital inquieta, sem paz.


Me sinto fechado numa sepultura.
A miséria e a pobreza sem espírito se manifestam na bagunça, no barulho que quase sempre vira violência.


Eu, trancado no meu quarto, não saio.
Estou isolado, cercado por violências externas de pessoas transtornadas que se consomem em álcool e outras substâncias.
Sons altíssimos, sem respeito nenhum.
Eu, encolhido, me sinto exposto.


Minha mente colapsa diante do terror que vira a noite.
Só acaba quando o dia nasce.


Desgastado, exausto, me recomponho pra rotina.
Uma rotina dividida entre o pânico da tormenta da noite, que vara a madrugada,
e a responsabilidade de sobreviver ao dia.

Vem chegando às sedentas palavras volúveis.
Em sons agoniantes de desespero. A pouca voz no fundo que trás consigo
Um desamor constante...
Vem passando os sedentos de afetos, analisando as obras pelo caminho...
Vem buscando uma resposta clara e objetiva em tons e cores para tudo que é
Comum...
Minhocas imaginárias, mundos diferentes...
E certamente!
Jamais irão se encontrar novamente.
Quando a forma e forma muda...
O passado torna-se remoto
E o ambiente permanece tranquilo...

No desespero, o povo acredita até no impossível.

O violino é o instrumento que não canta, chora!
Suas lágrimas em turvo de dor, desespero e melancolia transcorrem entre notas e melodias que emocionam quem o toca e mais ainda quem escuta tal pranto, do suave e feroz violino..

A fé não me poupou da dor, mas me salvou do desespero.

Quando o medo e o desespero batem à porta, a alma revela seus alicerces e a fragilidade de suas construções, e é nesse momento de vulnerabilidade que a fidelidade aos princípios é posta à prova. A capacidade de suplicar pela vida alheia, ignorando o próprio sofrimento e o risco de derrota, é o testemunho silencioso de que há algo de indestrutível e puro em nossa essência, um reflexo da Divindade que nos ensina que a doação é o único caminho para a plenitude. Nunca subestime o poder de uma lágrima sincera e de um coração desarmado.

A renúncia é o ato de coragem que transforma o desespero de um pleito em uma lição de humanidade.

O Escudo Divino não é forjado em metal, mas em uma Paz irrazoável que desarma a lógica do desespero.

A oração é o único fio que conecta o desespero humano à paciência infinita do divino.

A fé não nasce do conforto, mas do abismo. É no desespero que o espírito aprende a pronunciar o nome de Deus com autenticidade, sem liturgia, sem máscaras. Ali, no limite entre desistir e respirar, algo sussurra que ainda vale a pena tentar mais uma vez. E esse sussurro é mais forte do que qualquer escuridão.

Às vezes sinto que estou gritando debaixo d'água, vendo as bolhas do meu desespero subirem à superfície sem que ninguém entenda a mensagem que elas carregam. Escrever é aprender a desenhar na areia do fundo do mar, esperando que a maré alta leve o recado para alguém que saiba nadar.

Nem toda fé nasce da esperança. Às vezes, ela nasce do desespero de quem já esteve tão perto do abismo que somente Deus permaneceu olhando.

"Uma frase que desconheço o autor diz: Sem pressa, nem desespero. O que Deus tem pra gente chega na hora certa. Também digo:
CONFIA NO TEMPO DO SENHOR.
O que é destinado a você chegará no momento exato. Nem antes para não confundir, nem depois para não frustrar."


—By Coelhinha