Desejo de Mudanca

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Não é medo, nem desejo, é um tumulto interior, incompreensível, que ameaça rasgar-me o peito, que me sufoca!

Eu desejo que a sua alma tenha a paz que o seu coração precisa... que a felicidade esteja brilhando nos seus sorrisos... e que a doçura da vida seja plena em todos os seus dias.

HAI

Eis que nasce completo
e, ao morrer, morre germe,
o desejo, analfabeto,
de saber como reger-me
ah, saber como me ajeito
para que eu seja quem fui,
eis o que nasce perfeito
e, ao crescer, diminui.

KAI

Mínimo templo
para um deus pequeno,
aqui vos guarda,
em vez da dor que peno,
meu extremo anjo de
vanguarda.
De que máscara
se gaba sua lástima,
de que vaga
se vangloria sua história,
saiba quem saiba.
A mim me basta
a sombra que se deixa,
o corpo que se afasta.
Meu coração lá longe
Faz sinal que quer voltar.
Já no peito trago em bronze:

Por entre a chuva de mortais peloiros
A nua fronte enriquecer de loiros
Eu procuro, eu desejo,
Para teus mimos desfrutar sem pejo,
Pois quem deste esplendor se não guarnece,
Não é digno de ti, não te merece.

Minha mulher tem uma força que me estrangula, uma vontade que me tortura num desejo que me desperta. Minha mulher tem uma fragilidade que me encanta, é de uma sensibilidade que eu sinto em seus choros incontidos. Minha mulher tem uma lábia envolvente, num raciocínio lógico no meio de uma sedução quente. Minha mulher tem uma visão precisa, me enxerga de longe e de perto me cega. Minha mulher tem um ciúme que nem presta, mas o difícil nem é domar essa fera, já que no fim quem manda é ela.
E quer saber? Minha mulher tem o dom de ser minha!

Aquele que imagina ser alguém perde a ocasião de converter-se em algo.

Eu tenho aquilo roxo!

Quando casualmente a adulação não consegue o seu fim, a culpa não é dela, é do adulador.

Aproveita muito subir aos maiores empregos do Estado, para nos desenganarmos da sua vanglória e inanidade.

É por vezes mais fácil formar um partido do que ascender, pouco a pouco, à chefia de um outro já formado.

Se fosses grande, não precisarias de andas.

O primeiro sulco aberto na terra pelo homem selvagem foi o primeiro ato de civilização.

Há enganos que nos deleitam, como desenganos que nos afligem.

O espírito de intriga inculca demérito nos intrigantes.

Os bens de que gozamos exercem sempre menos a nossa razão do que os males que sofremos.

Enganamo-nos ordinariamente sobre a intensidade dos bens que esperamos, como sobre a violência dos males que tememos.

Os grandes empregos desacreditam e ridicularizam os pequenos homens.

A ignorância tem os seus bens privativos, como a sabedoria os seus males peculiares.

O governo dos tolos é sempre mais infesto aos povos que o dos velhacos.

É mais fácil maldizer dos homens do que instruí-los e melhorá-los.