Desculpas Amor Nao Correspondido

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A estupidez não está de um lado e o espírito do outro. É como o vício e a virtude; sagaz é quem os distingue.

Só nos recordamos verdadeiramente daquilo que nos era destinado. A memória não lê as cartas alheias.

Ignoro o que sejam princípios, a não ser que se tratem de regras que se prescrevem aos outros para nosso proveito.

Ser filósofo não significa escrever, significa viver.

Pensem que as palavras a que não se segue nenhuma consequência são ditas para nada.

Não há pessoa que não ame a liberdade, mas quem é justo exige-a para todos, quem é injusto, apenas para si mesmo.

Não é dado ao saber humano conhecer toda a extensão da sua ignorância.

Não basta ter boas qualidades, é preciso poupá-las.

Não existe defeito que, com o tempo, numa sociedade corrupta, não se torne um mérito, nem vício que a convenção não consiga elevar à virtude.

Não morre aquele que pela virtude perece.

A liberdade é um bem comum, e se todos não desfrutam dela, não serão livres nem os que se julgam como tal.

Não posso acreditar que Deus nos colocou nessa terra para sermos ordinários.

As leis mantêm-se em vigor não por serem justas, mas por serem leis.

Há enganos tão bem elaborados que seria estupidez não ser enganado por eles.

Nada contribui mais para a serenidade da alma do que não termos qualquer opinião.

Considero a família e não o indivíduo como o verdadeiro elemento social (arriscando-me a ser julgado como espírito retrógrado).

Um homem que acaba de arranjar um emprego já não faz uso do espírito e da razão para regrar a sua conduta e as suas atitudes perante os outros: toma de empréstimo a regra do seu posto e da sua situação; donde o esquecimento, a altivez, a arrogância, a dureza e a ingratidão.

Se ofenderes o teu vizinho, é melhor não o fazeres pela metade.

Caso não ponha fim à guerra, esta não será uma vitória.

Canção de Primavera

Eu, dar flor, já não dou. Mas vós, ó flores,
Pois que Maio chegou,
Revesti-o de clâmides de cores!
Que eu, dar, flor, já não dou.

Eu, cantar, já não canto. Mas vós, aves,
Acordai desse azul, calado há tanto,
As infinitas naves!
Que eu, cantar, já não canto.

Eu, Invernos e Outonos recalcados
Regelaram meu ser neste arrepio…
Aquece tu, ó sol, jardins e prados!
Que eu, é de mim o frio.

Eu, Maio, já não tenho. Mas tu, Maio,
Vem com tua paixão,
Prostrar a terra em cálido desmaio!
Que eu, ter Maio, já não.

Que eu, dar flor, já não dou; cantar, não canto;
Ter sol, não tenho; e amar…
Mas, se não amo,
Como é que, Maio em flor, te chamo tanto,
E não por mim assim te chamo?

José Régio
Filho do Homem