Desabafo de um bom Marido

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Eu não quero te dizer que tenho saudades dos nossos dias, dos nossos sorrisos quando eramos um só, muito menos das noites que dormíamos chateados um com o outro, ou das noites que dormíamos bem. Eu quero te dizer que sinceramente eu não vou te esquecer e sei que você não vai me esquecer também. Quero te dizer, do fundo do meu coração, que amor não morre como eu achava que morria, não some e nem acaba como achávamos e contávamos pra qualquer pessoa que perguntasse por nós. Eu sei que nossa história acabou, sabe? Eu sei que a melhor coisa a ser feita foi desistir da gente, desistir de machucar, desistir de passar na cara, desistir de tentar organizar a bagunça que fizemos em nós. Eu sei que foi preciso desistir de continuar jogando porque o amor nunca foi um jogo e só aprendemos isso quando chegamos ao xeque-mate e ficamos sem razão pra continuar. Eu sei que o nosso relacionamento – que virou campo de guerra – chegou ao fim e que agora entramos em batalha com nós mesmos pra tentar esquecer o que vivemos. Mas eu quero te dizer, com toda certeza do mundo, que o amor não se acaba. O amor se eterniza. A gente tenta abstrair, mas esquecimento nenhum será suficiente pra negar nossa história. O que foi vivido continua pra ser relembrado e o amor se torna grandes lembranças.

Eu quero te pedir desculpas por te dizer várias vezes que acabou quando você me ligou tentando me convidar pra ir ao cinema. Quero te pedir desculpas por dizer pros seus pais que acabou quando fui pegar algumas peças de roupas que deixei aí. Quero te pedir desculpas por dizer que acabou quando você bateu em minha porta e com um sorriso desenhado no rosto me chamou pra dar uma volta. Quero te pedir desculpas por dizer que acabou quando o seu amigo me ligou dizendo que você estava pedindo desculpas mas que não teve coragem pra falar comigo porque eu diria que acabou e ponto. Quero te pedir desculpas por dizer que acabou quando me pegou de surpresa, buzinou na frente da minha casa me chamando pra ir ao show do Nando Reis. Quero te pedir desculpas por dizer que acabou quando você escreveu no asfalto da rua da minha casa de frente pra janela do meu quarto: volta pra mim. Quero te pedir desculpas porque não voltei pros teus braços, nem me permitir entrar novamente na tua vida, mas quero te dizer que foi melhor assim, foi melhor ter tirado minhas expectativas de nós, foi melhor ter recolhido meus sonhos pra você, ter colocado nossos planos no bolso e ter partido. Foi melhor sair sem bater a porta pra você não se assustar, apesar de que viver sem você me assusta um pouco. E desculpas se a minha partida foi tão calma que te deixou na dúvida se eu voltaria. Mas tá aqui, essa carta não é pra dizer que acabou, é pra dizer que coloquei um fim nisso porque aquele você que eu queria pra mim tinha partido em uma viagem sem volta pra Marte. Essa carta não é pra te dizer que voltarei, é pra dizer que estarei com você, só que agora sem beijos, abraços e vida. Estarei sempre com você, só que agora sem fotografias, sem compartilhar sorrisos juntos na linha do tempo do Facebook, sem te ligar a qualquer hora pra dizer que estou com saudade. Estarei com você dentro dos teus pensamentos e acompanhado de lembranças boas. Esta carta é pra te dizer que você sempre estará comigo também, e fique tranquilo, levei o suficiente de você pra me alimentar durante toda a vida e deixei o máximo de mim contigo pro'cê não passar fome nem mendigar sentimentos quando encontrar um novo amor.

Eu quero te dizer que não guardo ódio de ti, que deixei de escrever indiretas em meus status, que parei de dar você como exemplo de ma tragédia amorosa. Quero te pedir desculpas pelo medo que criei dos outros graças a você, quero te pedir desculpas por ter passado tanto tempo tentando te culpar só porque não consegui aceitar o nosso fim. E quero te pedir desculpas por lembrar só do que convém pra te culpar quando percebo que não mais te tenho. Eu não quero te culpar por nenhum episódio, por nenhuma página rasurada tampouco dizer que continuo sendo o personagem ingênuo disso tudo. Eu não quero dizer que estou bem pra te fazer se sentir mal. Eu não quero falar das minhas conquistas e da minha vida depois que você saiu. Eu quero te pedir desculpas por ter desejado que você ficasse doente nos finais de semana, por ter desejado que você tivesse dor de dente, por ter desejado que o péssimo astral do teu horóscopo se realizasse, que o pneu do teu carro furasse e que você se atrasasse no primeiro encontro. Não quero te acusar de nada, nem mandar você pro quinto dos infernos, muito menos te pedir pra voltar. Só quero saber se você está bem, se continua passando horas jogando no PC, se ainda bebe água na boca da garrafa ou se ainda esquece de desligar a TV. Só quero saber se você vai bem, se mudou de emprego, se ainda tem sossego ou se contou os meus segredos pra alguém. Quero saber se você trocou o vidro meio solto da janela, se ainda conversa balela ou se já provou pão com Nutella. Quero te dizer que eu andei mal, mas sarei. Que eu quis te ligar, mas me ajuizei. Que quis te chamar pra dormir aqui, mas abdiquei esses meus desejos bobos. Quero te dizer que pensei em voltar, mas foi melhor adiar. Não vim te atacar nem desejar mal a sua paquera. Não quero fazer guerra nem dizer que você não serve pra ela. Não vim te alfinetar nem dizer que você é desajeitado com o amor. Também não quero te convidar pra sair, nem te propor uma grande amizade, que se mude pra outra cidade, muito menos tramar alguma crueldade.

Quero te pedir desculpas por dizer que acabou quando você me enviou uma mensagem pedindo perdão, quando ligou pros meus pais pedindo ajuda, quando disse pra mim que estava sem chão. Quero te dizer que não vim cobrar, fazer jogo do azar nem te assombrar. Quero te desejar boa sorte, quero te dizer que sarei e sou forte, porque sei que o que passou já se foi pro norte. Quero te deixar um beijo porque lembro do seu jeito e sei que receberá sem rancor. Quero te deixar um abraço, porque lembro do nosso bom compasso e quero te dizer também que nada foi um fracasso. Quero te perdoar e te pedir perdão, porque não quero cansaço nem confusão. Quero te dizer que vou erguer a bandeira branca, te pedir pra ficar em paz, pra me deixar ser capaz e parar de dizer que você não tem talento pra amar de novo. Quero te pedir pra deixar pra trás o que passou, te propor aperto de mãos e conciliar um acordo sobre tudo que embaçou. Quero te pedir pra pôr um fim, te dizer mais uma vez que amor não se acaba e que, apesar da distância, somos exemplos disso.

Vamos marcar um dia pra tomar uma cerveja e você falar mal de mim na minha frente.

Caio Fernando Abreu
Livro: Morangos Mofados

Não importa o quanto somos durões, um trauma sempre deixa uma cicatriz, segue a gente até em casa, muda as nossas vidas. O trauma mexe com todo mundo mas talvez o sentido seja esse mesmo. Toda dor, todo medo, toda desgraça. Talvez passar por isso seja o que nos faz seguir em frente, é o que nos empurra. Talvez tenhamos que passar por isso antes de nos comprometermos.

Que o batom seja tirado somente por um beijo roubado.

A fofoca é um instrumento sujo que só gente ignorante utiliza, pessoas inteligentes riem delas.

Eu adoro quando você não aceita um “não”
Eu adoro quando você faz o quer
Só por que disse que iria fazer

Solidão

Há um vazio em mim agora. Amigos já não tenho mais, sou como um cigano, vagando sozinho nas estradas da juventude.
Sou apenas um viajante só, ha procura de uma amizade. Não interessa quem seja, o que faz ou fez, só importa que terei um companheiro, pra rir, chorar, beber, e viajar.

Se o povo brasileiro gostasse de política como gosta de futebol, seríamos um país de primeiro mundo.

⁠Se a bíblia fosse apenas conforto, seria comparada a um travesseiro e não a uma espada.

Eu cheguei há um ponto que eu cansei de esperar pessoa que eu nem sei se vão algum dia voltar, cansei de depositar amor onde não ha, cansei mais ainda de ficar pedindo amor e atenção porque essas coisas tem que vim naturalmente não adianta forçar.

A frase "isso não é problema teu" não faz com que ele deixe de ser um problema. A mudança da propriedade de um problema e da responsabilidade não anula o problema.
Mesmo que eu diga "isso não é problema meu", essa fala não faz o problema desaparecer. Apenas diz que não estou assumindo a solução. Mas eu tenho que assumir a solução, porque existe um problema e ele é nosso.

Um rei eleito pelo voto não é um governante, mas um devedor.

A vida é sofrimento, sobreviver é encontrar significado na dor, se há, de algum modo, um propósito na vida, deve haver também um significado na dor e na morte.

Gordon W. Allport

Nota: Esse pensamento é erroneamente atribuído a Nietzsche e Viktor Frankl. O trecho pertence ao prefácio de Gordon no livro "Em busca de sentido", de Viktor Frankl.

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⁠Vivemos uma geração de jovens com a vida emocional destruída por buscar em pessoas, um amor que só encontramos em Jesus.

Essência



Eu queria mergulhar em um poço de palavras inexistentes, um universo onde cada termo fosse moldado exatamente para carregar o peso e a leveza dos meus sentimentos. Palavras que se encaixassem perfeitamente, ocupando todos os espaços vazios da comunicação, como água preenchendo cada canto de uma fenda.

Sonho com letras que não apenas descrevam, mas respirem — que tragam no sopro de cada sílaba a essência do que sou e sinto. Que falem de coração para coração, sem deixar margem para dúvida, sem arestas que cortem a compreensão.

Que cada palavra escolhida seja um reflexo límpido de um pensamento decifrado. Que cada frase construída seja uma ponte direta para a alma. E, acima de tudo, que esse mergulho profundo permita um amor compartilhado, onde nada precise ser dito além do que já foi perfeitamente sentido.

⁠O convite da essência


Há algo no meu olhar que é um convite silencioso, uma porta aberta para quem deseja se aprofundar na minha alma. Algo que conecta, que atrai, que decifra. E então, alguns se deixam levar, se ligam à minha essência sem que uma única palavra seja dita, compreendendo quem sou no silêncio. Outros se perdem, talvez não consigam ver o que é tão simples, tão claro, tão direto. Eu sou feita da simplicidade, da transparência, daquelas palavras que são ditas com clareza, e das que não precisam de som, porque se revelam nas atitudes — sempre objetivas, sempre claras.

Quando me encontro perdida nas dúvidas, me recolho. Mergulho dentro de mim, me redescubro, busco entender o que há de mais profundo, o que precisa ser revelado. Não desejo apenas passar pela vida; quero deixar nela minha marca. Quero deixar um pedaço de mim em cada pessoa que cruzar meu caminho, em cada lugar que visitar, em cada olhar que encontrar.

E, ao final, quem se conectar a mim, de alguma forma, saberá que um pedacinho ficou. Em algum canto, um pouco de mim permanecerá, como uma lembrança compartilhada.

⁠ Vestígios


Se um dia eu desistir, saiba que lutei todos os segundos; mas se um dia eu partir, deixo um pouco de mim em cada canto — nas palavras que escrevi, nas imagens que capturei e, sobretudo, nas pessoas que encontrei.

⁠Indelével

Se um dia eu desistir, saiba que lutei com cada parte de mim, enfrentando os ventos mais ferozes e os silêncios mais pesados. Mas, se um dia eu partir, não diga que não sabia. Eu me espalhei pelo mundo, deixei fragmentos meus por onde passei.

Estou nas palavras que escrevi, nas imagens que capturei com a alma, nos olhares que toquei com ternura. Me registrei em cada gesto, em cada história compartilhada, em cada canto onde deixei um rastro silencioso de quem sou.

Não se trata de me lembrar com pesar, mas de reconhecer que estive aqui, inteira, presente, viva. Eu fui — e sempre serei — uma presença que não se dissolve, apenas se transforma em memória.

⁠Silenciosa

Quantas vezes eu falei com meu olhar, gritei com o meu silêncio e até com um sorriso que escondia o que as palavras não conseguiam dizer? Tantas tentativas de me expressar de forma discreta, até que o brilho dos meus olhos se apagou e o sorriso perdeu a graça.

Silenciei, mas também gritei com um comportamento que não era meu. Meu corpo, que antes sustentava forças, começou a falar por mim: perdi peso, meu cabelo caiu, minha vitalidade se esvaiu. Tudo porque me esforcei para silenciar a minha dor, tentando não ferir aqueles que nunca estão preparados para escutar — não genuinamente.

Ninguém está realmente pronto para ouvir sobre a escuridão da depressão. Porque ninguém compreende de verdade, a não ser que já tenha mergulhado nas mesmas águas turvas.

Mas eu não desejo que ninguém me entenda. Pedir isso a Deus seria cruel, seria pedir que outros sentissem essa dor em suas próprias experiências. Não, eu não quero que ninguém afunde nesse abismo. Desejo apenas que meu silêncio seja ouvido, mesmo que eu não precise mais gritar.

⁠Ouvir Também Salva

Setembro Amarelo é um mês que me deixa inquieta. A intenção é genuína, mas parece que a luta é contra o depressivo, não contra a depressão. Falar é importante? Sim. Mas falar só funciona quando há ouvidos preparados para ouvir de verdade.

O problema é que, na maioria das vezes, as pessoas não sabem como lidar. Dizem palavras que, em vez de ajudar, empurram ainda mais fundo no abismo. "Você precisa ser forte", "Isso é falta de fé", "Todo mundo tem problemas." Essas frases são golpes invisíveis que aumentam a dor.

O que falta, então? Conscientização. Não para quem tem depressão, mas para quem convive com essas pessoas. Setembro Amarelo deveria ser um mês para ensinar como ouvir sem julgamento, como identificar os sinais silenciosos de alguém pedindo socorro, como se posicionar com empatia e dizer as palavras certas — ou simplesmente ficar em silêncio e estar presente.

Porque muitas vezes não é o falar que salva, mas o saber ouvir. E ouvir, de verdade, também é uma forma de amor.