Desabafo de um bom Marido
No Alentejo a planície estende-se e
dissolve-se em silêncio: como um sonho que se recusa a terminar.
Há um impacto poético que
acontece entre o mar e a falésia,
não como violência,
mas como reencontro de velhos cúmplices.O mar desfaz-se em espuma, a falésia em ecos.
F.C.PORTO
No peito, um dragão desperto.
No relvado, a coragem nas veias.
No grito, a alma inteira a pulsar.
Ser Portista é nunca baixar a cabeça,
é vencer mesmo quando o vento é contra.
Dragão de asas abertas,
rasga o céu como quem reclama destino. Onde outros hesitam, ele avança: fogo azul a iluminar o caminho. No retângulo, cada passo é um decreto, cada ataque, uma lenda em construção.
O Porto não joga futebol ,
escreve epopeias em relva viva.
Porque o Futebol Clube do Porto
não é um clube, nem um símbolo:
é um reino de coragem pura,
guardado por um Dragão que nunca dorme.
Quando duas almas se cruzam é sempre um instante absoluto, rápido demais para o tempo, fundo demais para o esquecimento.
Coraçãmo-te
Coraçãmo-te como quem
guarda um voto de silêncio:
não por renúncia,
mas por reverência.
Quando te aproximas,
o mundo reorganiza-se:
linhas invisíveis alinham-se,
portas internas giram,
e o destino lembra-se da sua
própria geometria.
Quando te penso, o mundo suspende-se,
como se a própria existência
aguardasse instruções.
E descubro que o amor é isto:
uma inquietude tão profunda
que já não precisa de nome.
Há pessoas que irrompem na nossa vida como relâmpagos: rasgam o céu da alma e deixam na pele um clarão que não se apaga. Atravessam-nos por dentro e ficam a arder no lugar onde antes só havia silêncio.
No silêncio entre dois corpos nasce um campo magnético,
onde cada gesto é promessa
e cada respiração é caminho.
A pele torna‑se horizonte,
o olhar, uma mão invisível,
e o tempo verga‑se como tecido húmido à espera de ser moldado.
Há um tremor que não é físico,
uma vertigem que não é carnal,
mas que acende o coração
como se fosse chama a acender
as constelações da alma.
E quando o silêncio desaparece,
os gemidos tornam-se linguagem.
E o ar entre nós torna‑se incenso,
lento, quente, vivo.
Uma língua feita de luz,
que só dois sabem ler.
Uma liturgia de sombra e claridade,
onde duas almas se reconhecem.
Carrego-te como quem leva pedras e flores no mesmo fôlego.
No peso que me curva, há um rumor teu, uma memória que se acende entre as rochas, como se cada grão de pólen soubesse o teu aroma.
As flores presas à minha mochila interna respiram contigo, frágeis e obstinadas, lembrando que até o que pesa pode ser ternura.
Caminho, e o vento toca o que não ouso dizer, esse quase‑toque que vive entre o ombro e o mundo.
E no silêncio da marcha, o desejo é só isto:a beleza que insiste, mesmo quando dói, e o caminho que se torna pele quando penso em ti.
Há mundos inteiros
dentro de um instante;
não é o instante,
mas o universo
que nele se abriu
dentro de nós.
Jorge Palma, um poeta de piano cheio.
Palma pertence aos segundos. Quando se sentava ao piano, não procurava notas: procurava o sentido da vida. Cada tecla era uma porta entreaberta, cada acorde uma memória que regressava com o peso exacto do que foi vivido.
Nas mãos dele, o piano ficava cheio de mundo. Estações de metro dedilhadas, ruas gastas, noites que ainda sabem o nome de quem as atravessou. Há uma verdade mística no modo como ele canta: não é para impressionar, é para confessar. E nessa confissão cabe quem o escuta, como se cada canção fosse um lugar onde finalmente se pode pousar.
Palma foi isso: um compositor que não escreve música, escreve chão. Um músico que quando tocava piano, tocava caminhos. Um poeta que, mesmo quando adormecia, deixava a luz da cidade acesa e o cigarro a arder no cinzeiro, lento e translúcido, como um pequeno ritual que continuava a respirar por ele.
Não me livro de um livro, porque cada livro me leva a outro livro, e cada livro me ensina que há sempre um livro à minha espera.
E por que te amo tanto? E porque quando você passa um enorme sorriso se abre na minha boca? E porque me bloqueia se sabe que te amo?Não entendo, tem algo de errado comigo? Nem olha mais na minha cara, nem lembra mais que um dia esse "palhaço" já te fez feliz
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